quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Estrutura da origem (países) das importações em 2008

O gráfico abaixo ilustra a origem das importações, por países, realizadas por Timor Leste em 2008.
Repare-se que a Indonésia fornece 42% das importações do país, seguida de Singapura, com 17% e a Austrália, com 14%.
A importância desta última encontra alguma justificação na forte presença de "internacionais" no país, que consomem produtos de uma qualidade média superior aos que vêm da Indonésia.
Responsável principal da importância desta no comércio externo é a factura petrolífera paga pelo país, assim como a importância significativa das importações de veículos têm reflexo parcial na importância dos fornecimentos de Singapura ao país.
Portugal representa apenas 1,2% das importações de Timor.

3 comentários:

Anónimo disse...

Creio que os 7% do Vietname são derivados das importações de arroz que Timor-Leste fez em 2008. Pelo número de barcos vietnamitas parados em frente ao Porto, em 2009 o Vietname também estará representado nas importações de Timor-Leste. Timor-Leste está no bom caminho para ser o primeiro pais exportador de arroz importado, tais são os montantes envolvidos.

A compra de arroz não foi planeada com a atenção devida pois muito do arroz importado está a estragar-se nos armazéns.

E nos jornais, os produtores locais, queixam-se que ninguém quer comprar o arroz deles. Pois o arroz "MTCI" é bem mais barato do que eles produzem.

A Indonésia pela primeira vez em 2008, passou a ser um país exportador de arroz. Uma das prioridades do Susilo Bambang Yudhoyono (SBY) era que a Indonésia deixasse de estar dependente de outros países em relação ao arroz. Espero que Timor copie o exemplo.

"SBY issues decree on maintaining rice self-sufficiency

President Susilo Bambang Yudhoyono has issued a decree, effective from Jan. 1, 2009, raising the price the government pays to buy rice from local farmers in a bid to ensure national self-sufficiency amid a time of slowing economic activity and a global food crisis.

The presidential decree, issued on Dec. 24, stipulates the government will pay Rp 4,600 per kilogram to buy rice from national farmers, or a 7 percent increase from the current price. The national rice stockpile is controlled by the State Logistics Agency (Bulog).

Meanwhile, the price the government must pay for unhusked paddy (GKGP) increases 9.1 percent to Rp 2,400 per kilogram, and the price of husked paddy (GKG) by 7.2 percent to Rp 3,000 per kilogram.

The government will stabilize domestic rice prices by exporting and importing the grain, thus benefiting farmers and consumers.

Indonesia, Southeast Asia's largest economy, produced 38.6 million metric tons of milled rice in 2008, a 5.5 percent increase from 2007, enabling the country with 230 million people to meet national demand, which was 37 million tons last year.

Bulog's total rice stockpile stood at 1.4 million tons at the end of 2008.

Rice output may jump to 40 million tons this year, which would open the door for the country to export a maximum of 2 million tons, which would be the largest amount in 50 years.

The government plans to maintain national rice self-sufficiency this year by encouraging farmers to use certified paddy seeds and fertilizer, according to deputy to the Coordinating Minister for the Economy, Bayu Krisnamurthi.

Bayu said the government would continue disbursing rice to the poor in 2009.

"We'll provide 15 kilograms of rice over 12 months to 18.5 million poor households," he said.

The presidential decree also encourages investment in rice, but stipulates that owners of rice fields will remain under the supervision of the Investment Coordinating Board.

Bayu said investors should not be allowed to convert existing paddy fields.

Key points in the presidential regulation on rice policy

1. Encourages use of certified top-quality rice seeds and inorganic or organic fertilizers.
2. Guarantees aid for farmers suffering losses during post harvest and controls the reduction of irrigation areas.
3. Facilitates the rehabilitation of land and water catchment areas.
4. New incentives for investment in rice.
5. New price for government to buy rice and paddy.
6. New policies on stockpiling and distributing subsidized rice for the poor, and on the government's control of its rice reserve to stabilize national rice prices, as well as a policy to prepare for emergency situations and disasters.
7. A policy to stabilize the domestic price of rice.
8. New export and import policy designed to protect farmers and buyers."

Anónimo disse...

Gostaria ainda de deixar esta notícia.

Indonesia: SBY praises increase in rice production

Friday, 19 December 2008
Jakarta Post

(Em reconhecimento pelos esforços feitos, para fazer com que a Indonésia fosse auto-suficiente na produção alimentar, o Presidente SBY concedeu às administrações proviciais e municiapis que conseguiram aumentar a produção de arroz em mais de 5%.)

In recognition of their efforts toward making Indonesia self-sufficient in food production, President Susilo Bambang Yudhoyono awarded provincial and municipal administrations that succeeded in increasing rice production by over 5 percent Thursday.

The President presented the awards to 16 governors, 129 regents, eight researchers and several agricultural groups in a ceremony at the State Palace. Among the recipients were Aceh Governor Irwandi Yusuf, West Java Governor Ahmad Heryawan, West Kalimantan Governor Cornelis, South Sulawesi Governor Syahrul Yasin Limpo and Maluku Governor Karel Albert Ralahalu.

h correia disse...

Sem dúvida, o exemplo indonésio poderia dar muitas lições a certas pessoas.

O Anónimo das 1:46 escreveu:

"A compra de arroz não foi planeada com a atenção devida pois muito do arroz importado está a estragar-se nos armazéns.

E nos jornais, os produtores locais, queixam-se que ninguém quer comprar o arroz deles
"

Neste momento, no Haiti o povo come "bolachas" de argila e em seguida vai parar ao hospital. Tudo se deve à decisão de o Governo subsidiar o arroz importado - mas não o arroz nacional, o que causou o abandono em massa dos arrozais e o êxodo dos agricultores para a vizinha Rep. Dominicana, onde produzem e vendem o arroz a um preço superior. Resultado: com a baixa dos preços mundiais o subsídio haitiano acabou, o arroz armazenado também e agora querem os agricultores de volta. Mas eles não voltam e o povo come lama.

Sobre isto mesmo a que se refere o colega anónimo já eu havia alertado noutro blog, tendo recebido como resposta - de alguém certamente "mais informado" do que eu - que sendo o arroz doméstico insuficiente, era preciso importar arroz com urgência e em grandes quantidades, sem olhar a preços, pois o povo estava morrendo de fome.

Ora confirma-se agora que a quantidade de arroz importado foi exagerada e ei-lo a apodrecer nos armazéns. Mas para os 3 Amigos - importadores escolhidos por ajuste direto - tanto faz, pois os milhões do Estado já lá cantam.

Ninguém contesta que o arroz doméstico é insuficiente. Mas daí até arrasá-lo com o mercado inundado de arroz importado ao preço da chuva vai um longo caminho - o caminho inverso ao que a indonésia tem vindo a percorrer. Espero é que não seja o mesmo caminho do Haiti.

Em suma: um mau negócio para o Estado, péssimo para os produtores nacionais e ótimo para certas e determinadas pessoas.