Blog sobre Economia e Política Económica do Desenvolvimento, em particular sobre a economia de Timor Leste e aquilo que naquelas pode ser útil ao desenvolvimento económico deste país
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Boas notícias? A ver vamos...
Por ele pode-se constatar que entre Abril do ano passado e Abril deste ano os preços do arroz com origem no Vietname (de onde vem a esmagadora maioria do arroz importado por Timor Leste) baixaram quer nas qualidades mais altas quer nas mais baixas. Infelizmente os dados divulgados dizem respeito apenas ao arroz com 5% de quebra (o melhor) ou com 25% de grãos "quebrados". Da lista não consta o de 15% de quebra, o mais consumido entre nós.
O preço do de melhor qualidade baixou 5,7% (de 457 para 431 USD por ton colocada a bordo do navio no Vietname - FOB=Free on bord) e o de menor qualidade baixou 8,8%. Esta queda dos preços do arroz traz boas perspectivas para uma (ligeira?) queda do preço do arroz entre nós e, por isso, para alguma "folga" no sentido da baixa da inflação.
Resta saber se os importadores timorenses vão ou não reflectir para os consumidores esta queda dos preços. Não me admirava que "assobiassem para o ar" e não o fizessem... Não seria a primeira nem a última vez.
Aliás, esta questão levanta uma outra muito mais geral e bem mais importante: a da transparência do funcionamento dos mercados entre nós e a existência (ou não) de (eventuais) poderes de oligopólio (poucas empresas grandes em mercados em que "dominam" os preços com, eventualmente, algum conluio entre elas...).
Há sectores em que esses poderes são mais evidentes do que outros. Desconfiamos (desconfiamos apenas...) que o das obras públicas é um deles... "O Estado paga!...". (Mais) concorrência, precisa-se...
domingo, 11 de dezembro de 2011
Preços na Indonésia
Utlizando a taxa de câmbio daquela data (9033,42 IDR/USD) conclui-se que este valor corresponde a cerca de 0,854 USD. Se multiplicarmos por 35 kgs (peso das sacas de arroz mais consumidas em Timor Leste) obtemos um valor de quase 30 USD/saca, bem mais do que o usualmente pago em Timor Leste.
Os dados acima dão-nos também a variação de preço do arroz durante os últimos 12 meses: +12,2%
Preço internacional do arroz
Como se pode verificar e é usual, no primeiro semestre do ano, os preços baixarem por o mercado estar bem abastecido com a primeira colheita do ano (civil). Depois, no Verão, os preços aumentam em resultado da rarefacção da oferta enquanto a nova colheita não é feita nos principais países exportadores, nomeadamente os do Sudeste Asiático. O "pico" dos preços foi atingido em Agosto-Setembro e depois estabilizam ou descem quando a segunda colheita do ano começa a aparecer no mercado.
Do quadro resulta, porém, que o índice do preço médio do arroz aumentou cerca de 11% entre o período de Jan-Nov de 2010 e o homólogo de 2011, o que constitui uma pressão sobre a taxa de inflação dos preços nos países consumidores.
Do mesmo boletim, o de Dezembro, não consta informação sobre o preço médio do arroz mais consumido em Timor Leste, o do Vietname 15% (15% de grãos partidos), mas há informação sobre o arroz da mesma proveniência com 5% e 25% de grãos partidos.
O primeiro, de melhor qualidade, custava, por kg, 0,481 USD em Novembro de 2010 e 0,56 em Novembro passado (preços FOB no Vietname). O de 25%, por sua vez, custava 0,452 em Nov2010 e custa agora 0,515 USD/kg (mais 14%).
sábado, 6 de agosto de 2011
Preços do arroz na Ásia (no consumidor)
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Fim (anunciado) do subsídio ao arroz
Outras notícias dão conta de diligências que o Ministério do Turismo, Comércio e Indústria (MTCI) terá feito junto da Igreja Católica de Timor Leste no sentido de esta se encarregar da distribuição do cereal, em condições a combinar, aos efectivamente necessitados. Estas notícias fram desmentidas por membro do clero.
Note-se que este fim da política de subsidiar o arroz já era previsível face ao facto de serem frequentes as queixas de que os vendedores não obedeciam aos preços tabelados, chegando a vender o cereal 50% acima do tabelado (9 USD para as sacas de 25 kgs e 12 para as de 35 kgs), e ao facto de, nomeadamente em Dili mas não só, ser cada vez mais abundante o arroz importado comercialmente e vendido a cerca de 18 USD/saca de 35 kgs. Naturalmente que os importadores não se atreveriam a fazer tais importações se não soubessem de antemão a intenção do Governo em acabar com a venda de arroz subsidiado.
Resta agora encontrar um mecanismo alternativo de minorar os custos desta medida para os que, mais pobres, não têm rendimentos para fazerem face ao aumento do custo de uma das principais bases de alimentação dos timorenses.
Será interessante também seguir a evolução do preço do arroz nacional e ver se ele vai tender a subir para manter a tradicional margem que mantém acima do preço do arroz importado ou se essa margem vai diminuir significativamente.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Mais sobre o preço do arroz
Vendido a 12 dólares cada saca de 35kg (preço oficial), havia arroz "para dar e vender". Alguns comerciantes chegavam mesmo a fazer algum desconto e vende-lo a 11 usd/saca, como detectei em Becora no ano passado.
O (aparente) esgotamento das reservas oficiais de arroz importado em fins de 2008 e no início de 2009 levou ao reaparecimento no mercado, "em força", do arroz "Globus", importado pelos circuitos normais de importação e comercialiazado ao preço de mercado de 17-18 USD/saca (de 30 kgs).
Entretanto e depois de algumas "incursões" da polícia para apreender o arroz "do Governo" que aparecia à venda a preço superior ao oficial (normalmente cerca de 14-15 USD/saca em vez dos oficiais 12 USD/saca), este arroz quase desapareceu do mercado. Apenas ontem, numa ronda mensal pelos mercados, fui descobrir algumas sacas à venda não longe do mercado de Comoro. Preço: 13,5 USD/saca. O curioso é que cerca de 80-100 metros adiante estavam dois vendedores que o vendiam a 15 USD/kg. Mas ao preço oficial... "la hia"...
Entretanto, no cais vê-se um navio a descarregar sacas e sacas de arroz "Globus", enquanto que há dias se desembarcava arroz com a chancela do MTCI mas que aparentemente ainda não começou a aparecer, de forma significativa, no mercado.
Esperemos para ver o que vai acontecer ao mercado de arroz. Mas a subida dos preços internacionais registada no último mês prenuncia que este acabará, eventualmente, por subir no mercado interno.
Entretanto, o arroz produzido internamente parece não constituir alternativa já que, algo estranhamente, o seu preço é mais alto que o do arroz importado: em alguns tipos chega a custar mais do dobro!
Este fenómeno e o da estabilidade ao longo de muitos anos dos preços de alguns produtos agrícolas é ainda um mistério para mim. Note-se que, face a uma subida do índice de preços global em mais de 50% desde Dez01, os preços de muitos produtos agrícolas têm-se mantido quase ao mesmo nível nos últimos dez anos, traduzindo uma significativa perda do poder de compra dos camponeses face aos produtores/comerciantes de outros produtos.
Isto é, os "termos de troca internos" têm vido a evoluir de forma muito desfavorável à agricultura. Afinal, nada de novo em relação a outros locais e outros momentos da história de outros países (urban bias).
Voltaremos a este assunto.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
O preço do arroz no mercado internacional e as importações timorenses
O preço do arroz importado terá rondado, segundo as informações disponíveis sobre os preços no mercado internacional, cerca de 500 USD por tonelada. Isto significa que, contas redondas, terão sido importadas cerca de 60 mil toneladas. Calculamos, também grosseiramente, que as necessidades internas totais serão de cerca de 100 mil tons/ano (consumo estimado de 90 kgs/habitante e uma população de cerca de 1,1 milhões de habitantes).
A quantidade importada e a (aparentemente, pelo menos) grande colheita interna (cerca de 70 mil tons?)permitiram que desde então até agora as importações tivessem sido quase nulas.
Só agora se estão a fazer novas compras no mercado internacional (mais uma vez no Vietname). O actual preço internacional do tipo de arroz importado por Timor Leste (com 15% de grãos partidos) ronda os cerca de 410 USD/Ton, com o arroz já ensacado e colocado a bordo dos navios prontos a deixarem os portos do país (preço FOB-Free on bord).
Um documento recente do departamento de agricultura americano diz o seguinte (pg 19) sobre a evolução recente do preço do arroz do Vietname no mercado internacional:
"In contrast, Vietnam’s price quotes have risen over the past month based on substantial export shipments. Price quotes for 5-percent brokens rose to $400 for the week ending August 10, up 11 percent from the week ending July 6. This rise in Vietnam’s price quotes has reduced the premium of Thai rice to $66 over Vietnam, well below a difference of $112 one month ago."
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Como vai o mercado internacional de arroz
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Evolução do preço internacional do arroz

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Arroz em Timor Leste: qualquer coisa não bate certo...
Na discussão parlamentar sobre o OGE2010 o Ministro da Agricultura terá dito, segundo os relatos a que tivemos acesso, que em 2009 o Governo importou 120 mil toneladas de arroz do Vietname e que, além disso, terá comprado 105 mil toneladas aos cultivadores timorenses. Isto perfaz um total de 225 mil toneladas disponíveis para comercialização.
Note-se que isto equivale a quase 200 kgs por cada timorense, o que ultrapassa em muito as estimativas oficiais de consumo de arroz por pessoa.
Das duas três: ou as estimativas sobre a comercialização de arroz nacional estão grosseiramente sobreavaliadas, ou este valor corresponde à produção interna e não à comercialização adquirida aos produtores pelas autoridades ("Povu kuda, Governo sosa") ou --- e aqui é que está o busilis... --- está a comprar-se ao estrangeiro uma quantidade de arroz (muito?) superior ao que seria necessário para abastecer o mercado interno.
Podia explicá-lo?!...

PS - posteriormente à elaboração desta nota fui informado de que as 105 mil toneladas referidas pelo Ministro da Agricultura são o valor da produção interna estimada e não do arroz adquirido pelo Governo aos agricultores nacionais. Isto não altera em nada o sentido desta 'entrada'.
Preço do arroz a subir...
No quadro abaixo, publicado hoje mesmo pela FAO (Rice Price Update deste mês) indicam-se os preços do arroz de várias qualidades/proveniências e sua evolução mensal desde há um ano (inclui as médias anuais desde 2004, que permitem constatar a crescente subida dos preços desde então).
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
A evolução dos preços do arroz e do milho em Timor Leste segundo o Programa Alimentar Mundial
Reproduzem-se abaixo as informações relativas a este país e, para alguma comparação, também de outros países.
Chame-se a atenção para o facto de, segundo o documento, ele se referir ao 3º trimestre de 2009, de Julho a Setembro passados.

Repare-se no que se diz na análise da situação na Ásia: "Os preços do arroz e do milho permaneceram estáveis ou diminuíram ligeiramente durante o último trimestre excepto em Timor Leste, onde os preços do arroz e do milho aumentaram significativamente. O arroz [40%] e o milho [20%] representam 60% da ingestão de calorias das famílias de Timor Leste. De uma forma geral os preços estiveram significativamente altos em comparação com as médias de longo prazo."

terça-feira, 17 de novembro de 2009
A situação do mercado internacional do arroz
Um analista diz mesmo que "o [preço] do arroz pode duplicar para os mais de 1.000 USD/ton à medida que o El Niño diminui a produção [na Índia] e as Filipinas [devido aos ciclones e às inundações] e a Índia aumentarem as suas importações".
A Índia pode vir a importar em 2010 cerca de 3 milhões de toneladas de arroz e as Filipinas já colocaram no mercado uma compra de 600 mil toneladas, preparando-se para fazer outra encomenda de outro tanto para tentarem compensar a queda de 1,3 milhões de toneladas na sua produção devido aos ciclones e cheias que afectaram o país recentemente.
Um outro analista diz que "o preço do arroz tailandês que serve de benchmark para o mercado pode aumentar pelo menos 20% para os 650-700 USD/ton nos próximos três a cinco meses [535 USD/ton em Outubro]. O mercado pode mesmo chegar aos 2000 USD/ton a meio de 2010".
Tudo isto vem a propósito do Orçamento de 2010 e do pré-anunciado fim do esquema de subsídios ao arroz vigente até agora.
Nós aplaudimos a medida mas face a estas notícias é bom que as autoridades timorenses estejam preparadas --- incluindo sob o ponto de vista da disponibilidade de recursos no Orçamento --- para um eventual agravamento súbito, até níveis não esperados, do preço do arroz no mercado internacional. Aguns países estão já a refazer os seus stocks para se precaverem contra tal situação e comprarem o cereal num período em que os preços ainda estão relativamente baixos.

Ao dizermos isto sabemos que estamos a entrar em alguma contradição com o apoio ao fim dos subsídios ao arroz que manifestámos recentemente. Note-se, porém, que defendemos tal fim tendo em consideração as perspectivas existentes sobre o preço do arroz ANTES dos mais recentes acontecimentos climáticos.
De qualquer forma, continuamos a pensar que há razões para não ser aplicado um esquema de subsídio que beneficia TODOS os consumidores. A ser concedido tal subsídio, ele deverá sê-lo àqueles que comprovadamente precisam dele.
Sabemos que no caso de Timor, com um nível de pobreza muito grande, a quantidade de pessoas que potencialmente precisarão de apoio consubstanciado na aquisição de "arroz do governo" a preços abaixo dos do mercado é muito grande e alguns dirão que os custos de criar um esquema que discrimine uns em relação a outros podem ser elevados e não se justificarem, sendo preferível, por economicamente mais racional, um sistema como o actual em que todos têm acesso ao arroz subsidiado.
Apesar disso pensamos que deve ser feito um esforço para resolver a situação através de esquemas que não impliquem um apoio generalizado a todos os consumidores já que, em termos de equidade social, ele será mais justo.
Mais, a definição do montante do subsído a conceder --- isto é, qual o preço de venda do arroz subsidiado face ao seu custo --- deve ter em consideração os efeitos que o preço terá sobre a produção nacional e também sobre o próprio consumo, já que acreditamos que deve haver um esforço de modificação da estrutura do consumo, reduzindo o peso (excessivo) do arroz no cabaz de compras da média das famílias timorenses, o que poderá ser parcialmente conseguido com uma subida do preço do cereal.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Curioso...

"Milho da fome": reserva de milho a ser usada só em caso de extrema necessidade
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Evolução do preço internacional do arroz
Isto é o resultado combinado de vários factores, nomeadamente a chegada ao mercado da 2ª colheita (Verão/Outono) em vários países asiáticos (nomeadamente o Vietname) e da tendência que se tem vindo a registar para a queda de outras matérias primas alimentares (o trigo baixou 30% nos últimos 12 meses).
A título de exemplo desta tendência à queda dos preços, refira-se que o do arroz do Vietname (5% de grãos patidos) baixou de 546 USD/tonelada para 380 USD/ton entre Setembro de 2008 e Setembro de 2009, uma redução de quase 30%. Por sua vez, o arroz da mesma proveniência mas com 25% de grãos partidos viu o seu preço baixar dos 489 USD/ton para os 332 USD/ton, uma diminuição de 32%. O arroz importado do Vietname por Timor Leste tem 15% de grãos partidos, pelo que o seu preço, não especificado na documentação da FAO, se situará algures entre os valores indicados, sendo a sua taxa de variação similar (cerca de 30% nos últimos 12 meses).
Esta evolução permite colocar, mais uma vez, a questão de saber se se justifica ou não manter uma política de subsídio generalizado ao preço do arroz importado. A resposta parece ser, cada vez mais, mais de natureza política que de natureza económica.
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sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Informações sobre as importações de Timor Leste

Os valores das importações de cereais (essencialmente arroz) em 2008 e 2009 reflectem, principalmente os de 2008, os preços mais elevados do arroz no mercado internacional mas houve também, certamente, um aumento da quantidade importada.
Em ambos os gráficos acima os valores de 2009 correspondem apenas ao período entre Janeiro e Agosto deste ano.
A importação de arroz em 2009 concentrou-se essencialmente nos dois primeiros meses, quando foi importado um valor superior ao de todo o ano de 2008 apesar da tendência à baixa dos preços no mercado internacional.
No gráfico abaixo apresenta-se a estrutura das importações de Timor Leste durante os primeiros oito meses de 2009.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Análise da FAO sobre o mercado internacional do arroz
"Embora em queda, os preços mundiais do arroz continuam a exceder o seu nível de há um ano atrás principalmente por causa dos vários programas de apoio aos agricultores nacionais que estão a ser implementados na China Continental, na Tailândia, Paquistão e Vietname, todos eles dirigidos ao apoio aos preços aos produtores nacionais e aos preços de exportação. Ao mesmo tempo, a continuação de restrições às exportações na Índia e no Egipto têm contribuído também para impedir quedas maiores nos preços.
Estas políticas são parte importante da explicação para o facto de os preços internacionais do arroz não descerem mais comparativamente com o que se passa com os preços de outros cereais no mercado internacional, particularmente o trigo, o qual regressou praticamente aos níveis de preços prevalecentes antes das subidas verificadas a partir de 2007.

Apesar do referido acima, é questionável se os preços mundiais do arroz vão estabilizar a níveis próximos dos actuais. Considerando as perspectivas actuais quanto à oferta e à procura mundiais, o mais provável é que o mercado venha a encontrar o seu equilíbrio a níveis mais baixos de preços.
No entanto, considerando o aumento dos custos de produção e os níveis relativamente elevados de preços oferecidos pelos programas nacionais de incentivo à produção, preços internacionais muito inferiores a 400 USD/ton para as qualidades melhores resultariam em perdas significativas quer para os produtores quer para o sector público dos países exportadores ao mesmo tempo que poriam em dificuldade a prossecução das políticas de auto-suficiência implementadas por vários países importadores.
É neste contexto que o governo da Tailândia está a intensificar os esforços para reforçar a cooperação com outros países exportadores de modo a evitar a queda excessiva dos preços e propôs manter no seu país um nível adequado de stocks como parte da reserva de segurança alimentar da ASEAN.
Assim, depois de um 2008 difícil caracterizado pela subida significativa dos preços do arroz e de outros produtos primários — incluindo o petróleo e os fertilizantes — os governos estão, em 2009, a fazer face a circunstâncias diferentes mas talvez ainda mais exigentes que no passado. Se no ano passado tiveram de intervir em duas frentes de combate — estimular a produção interna mas manter os preços ao consumidor em níveis acessíveis aos consumidores —, este ano, no contexto da crise mundial, poderão agora ter de fazer face a maiores desafios no contexto da crise económica mundial.
De facto, embora a melhoria das condições do mercado de arroz [aumento da oferta] empurre os preços para baixo (o que é bom para os consumidores), a verdade é que o seu acesso ao arroz pode não aumentar devido à redução do rendimento e à crescente insegurança quanto ao emprego. Neste contexto, os governos poderão ter de vir a tomar novas medidas, desta vez para sustentar o preço nos produtores ao mesmo tempo que protegem o poder de compra das populações numa altura em os pedidos de ajuda provenientes de outros sectores estão a aumentar rapidamente."
domingo, 14 de dezembro de 2008
Eles lá sabem - 2
Reconhecendo que muitos dos países adoptaram políticas de concessão de subsídios a alguns dos produtos --- principalmente alimentares e petróleo --- para fazer baixar os preços no contexto do que se pretendia ser uma componente da luta contra a pobreza, o Banco Mundial, depois de salientar que os principais beneficiários dessas medidas foram as populações urbanas (mais que as rurais), salienta a certa altura (pg 123) o seguinte:
"Subsídios e preços tabelados são caros e constituem medidas anti-pobreza pouco direccionadas
Subsídios à comida e à energia tendem a ser caros e pouco direccionados aos efectivamente pobres mesmo quando são tomadas medidas para fazer com que os produtos subsidiados estejam disponíveis apenas a certos segmentos da população.
Por exemplo, o sistema egípcio de subsídios à alimentação é direccionado aos pobres restringindo o acesso a farinha subsidiada aos verdadeiramente pobres, localizando os pontos de distribuição nos bairros pobres e usando produtos de baixa qualidade.
Não obstante, o sistema é muito caro (com um custo financeiro calculado em 2 por cento do PIB) e ineficaz. Entre um quarto e um terço dos pobres não beneficia do programa e cerca de 83% do valor dos subsídios vai para os que não são pobres. Além disso, as famílias pobres e vulneráveis que dele beneficiam recebem tão pouco que o efeito líquido é o de tirar da pobreza apenas 5% da população."
Será necessário ser ainda mais explícito? Aplicado a Timor Leste, será possível dizer-se, conjugando as duas linhas pensamento acima expostas, que os menos beneficiados do esquema de subsídio ao arroz são os pobres das zonas rurais --- que são, "apenas", a maioria dos pobres? Provavelmente sim.
Por isso é urgente, no mínimo, que se faça alguma avaliação dos efeitos da política que tem vindo a ser seguida quanto ao subsídio ao arroz.
Até porque, como salienta também o texto e é mais ou menos confirmado pela maioria da literatura sobre o assunto, "transferências de dinheiro sujeitas ao cumprimento de condições são a forma mais eficaz de fazer chegar dinheiro aos pobres" (título da caixa 3.8 copiada para baixo).
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Evolução do preço internacional do arroz









