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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Eu não acredito em milagres mas...

O Sapo.tl publica hoje esta notícia. Era bom que fosse verdade verdadinha... Vamos acreditar que sim e que os homens decidem passar das palavras aos actos!...

"LNEC de Portugal disponível para apoiar fiscalização das obras do Plano de Desenvolvimento
21 de Julho de 2011, 20:33

Díli, 21 jul (Lusa) - O Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) de Portugal está disponível para cooperar na fiscalização das infraestruturas previstas no Plano Estratégico de Desenvolvimento, anunciou hoje o Governo timorense.
"O LNEC de Portugal, após uma análise do Plano Estratégico de Desenvolvimento, mostrou-se disponível para colaborar e cooperar com o Governo nos projetos das infraestruturas, mas também na criação de um Laboratório de Engenharia Civil de Timor-Leste, propício à formação de quadros e transferência de tecnologia e conhecimento", refere um comunicado da Secretaria de Estado do Conselho de Ministros.
O Ministério da Economia e Desenvolvimento fez hoje, em Conselho de Ministros, uma apresentação, em conjunto com um representante do LNEC, sobre a importância da fiscalização dos projetos de infraestruturas, de forma a garantir a sua boa execução e qualidade, de acordo com a mesma fonte.
[...]
Entre outras obras, como a ampliação do Aeroporto Internacional de Díli e a construção de novos portos em Díli e Suai, o PED contempla um programa para a reparação, alargamento e melhoria da Rede Rodoviária Nacional, bem como a reabilitação das estradas rurais até 2015 e um programa de construção de pontes."

A quem se devem puxar as orelhas se a "coisa" não funcionar?!...

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Como diria o meu conterrâneo José Mourinho: "Porquê?!... Porquê?!..."

Porque é que no orçamento para este ano do Fundo de Infraestruturas quase todas (mas mesmo quase todas) as estradas foram dotadas da mesma "chapa 500 [mil USD]" para a sua reabilitação?!... "Wherever they are!.." e, principalmente, aparentemente estejam como estiverem... Qual a racionalidade económica disto? Mistério!
Nos quadros abaixo as três colunas dos valores correspondem às dotações para 2011 (coluna do meio) e as pevisões de dotações para 2012 e 2013. "Porquê?!..." Engano-me ou para uma reabilitação digna desse nome e duradoura (e relativamente urgente, como é a maior parte dos casos) as maiores verbas deveriam ser gastas no início e não no meio ou no fim dos projectos?



Assim começo a compreender muita coisa. As dores nas costas, por exemplo!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Qualidade, qualidade, qualidade!... Sabem o que é?!...

Once upon a time, em conversa com um político timorense altamente colocado, eu disse-lhe/sugeri-lhe/"pedi-lhe" que Timor Leste e as suas autoridades tinham de, muito rapidamente, iniciar uma política de (boa) qualidade em todos os domínios, dos mais simples aos mais complexos. "O que vale a pena ser feito vale a pena ser bem feito", tenho eu como lema. Posso não o conseguir e certamente que me falta o "engenho e a arte" para fazer mais e melhor mas que tento, tento.

Vem isto a propósito de notícias que circulam sobre alguma insatisfação do Governo de Timor Leste pela qualidade de muitas obras públicas (principalmente, estradas) que tem financiado. Convenhamos que este é um resultado que não surpreende mas o essencial é encontrar caminhos para "emendar a mão" e implementar, nomeadamente na construção/reparação de estradas, uma política de qualidade que assegure que elas não vão literalmente "por água abaixo" nas primeiras chuvadas.

Três sugestões que não são alternativas mas complementares:

1) a constituição de um organismo público autónomo que se dedique ao planeamento e supervisão da rede rodoviária do país e (muito importante!) que tenha poderes de controlo técnico especializado sobre as obras a efectuar;

2) a criação de uma empresa pública ou, de preferência, com participação do Estado mas aberta a capitais privados, com dimensão suficiente para tomar a seu cargo a realização de algumas das obras de maior dimensão e exigência técnica, incluindo os principais eixos viários.

3) o Estado deve promover a fusão ou, no mínimo, a estreita cooperação entre empresas de modo a que elas ganhem dimensão crítica para terem os técnicos competentes que se tornam necessários. Entregar as obras, mesmo que sejam as de eixos viários secundários, a empresas que não têm capacidade técnica para as realizar é deitar dinheiro à rua (à estrada, neste caso...).

Quer uma quer outra das instituições referidas em 1) e 2) acima devem ter, nos seus primeiros anos de vida, um forte apoio de técnicos e instituições internacionais e devem servir de incentivo e, eventualmente, de pólos de apoio técnico de qualidade a empresas timorenses.
Nos países vizinhos deverá haver, certamente, técnicos qualificados disponíveis para prestar essa ajuda e, para além de algumas cooperações bilaterais (Brasil, Portugal, Austrália, etc), há organizações internacionais que podem prestar apoio especializado (incluindo na formação on the job) na assistência técnica na construção e na formação de técnicos timorenses competentes. Uma delas é a World Road Association, mais conhecida por PIARC.

Recordo que, pelos planos conhecidos do Governo, o país vai entrar numa fase importante de construção de infraestruturas. Timor Leste não se pode dar ao luxo de deixar essas obras --- pelo menos as mais importantes --- "passarem ao lado" das empresas timorenses, devendo estas ser ANTECIPADAMENTE preparadas e assistidas no sentido de captarem parte do valor a ser criado.

Caso contrário esta fase não vai ser aproveitada para formação de empresários e técnicos timorenses e para deixar no país uma parte importante dos recursos a gastar. Repetindo o dito de um amigo meu, se não se prepararem ANTECIPADAMENTE as instituições nacionais (públicas, privadas ou público-privadas) para participarem nesse esforço de infraestruturação do país, veremos o dinheiro "entrar pela costa sul e sair pela costa norte"...

O planeamento estratégico deve ser isto: PLANEAR, programar as coisas dando-lhes uma organização que permita maximizar os benefícios do país e reduzir os custos a suportar. Como eu costumo dizer aos meus alunos, tão ou mais importante que ter os recursos (capital, recursos humanos, técnicos) para implementar qualquer projecto é necessário, indispensável, ter uma boa organização para o fazer: o cozinheiro é tão ou mais importante que os ingredientes do cozinhado...

sábado, 24 de outubro de 2009

Plano rodoviário de Timor Leste

A mesma edição do Tempo Semanal referida na 'entrada' anterior reproduz, a propósito da notícia sobre o empréstimo concedido pela China a Timor Leste, vários mapas com a indicação das estradas de Timor Leste que precisam de serem recuperadas.
Elas estão divididas em três categorias, consoante a sua importância no plano rodoviário nacional --- o que tem consequências sobre o tipo de empresas que podem realizar as obras a efectuar.
Os mapas referidos são transcritos abaixo.


Facto curioso é o de o orçamento por km de qualquer das estradas das classes "A" e "B" ser de 196 mil USD/km independentemente da sua localização.
O valor correspondente para as estradas de nível C" (de interesse sobretudo ao nível distrital e de sub-distrito) é o de 100 mil USD/Km.
Chamou-nos também a atenção o facto de a estrada entre Vikeke e Lospalos ao longo da costa sul não estar incluída neste plano --- apesar do estado miserável em que se encontra. Arranjá-la condignamente permitiria "fechar o anel" entre Baucau e Lospalos e completar, com um mínimo de qualidade para facilitar a circulação de pessoas e bens, a estrada ao longo de toda a costa sul, tal como se prevê para a costa norte.

No mapa abaixo referem-se as pontes previstas.

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