sábado, 26 de novembro de 2011

E a taxa média anual de inflação em Dili é de...

... 12,9% em 2011 se compararmos a média dos Índices de Preços dos 10 primeiros meses de 2011 (175,6) com a mesma média de 2010 (155,5).

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Síntese do OGE2012 de Timor Leste

Do mural do deputado Dr. José Teixeira (a quem pedimos desculpa pelo abuso...) no FaceBook retirámos esta imagem que nos dá a síntese do Orçamento Geral do Estado de Timor Leste tal como aprovado pelo Parlamento Nacional. Note-se que não estão incluídos, por tal ter sido recusado pelo PN, os 200 milhões de USD destinados à constituição e financiamento das actividades da empresa pública de investimentos de Timor Leste.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Taxa homóloga de inflação em Outubro/2011 em Dili: 14,4%

A Direcção Nacional de Estatística revelou recentemente o valor da taxa de variação dos preços entre Otubro de 2010 e Outubro passado: 14,4% para o conjunto de todos os bens que constam do "cabaz" que servem para calcular o Índice de Preços no Consumidor (IPC). No mês de Outubro os preços subiram 0,9%, depois de em Setembro terem aumentado 1%.
Se retirarmos as despesas com a habitação a taxa de inflação homóloga eleva-se a 15,1%. A taxa de variação dos preços dos bens alimentares no mesmo período foi de 16,3%, muito devido ao aumento do preço das frutas (45,4%).
Com base nestes dados admitimos agora que a taxa média anual de inflação em Dili se venha a situar no intervalo ]12,5%;12,8%[. Mais coisa, menos coisa, como sugerem os sinais de intervalo aberto à esquerda e à direita...

terça-feira, 22 de novembro de 2011

sábado, 19 de novembro de 2011

Observações e recomendações sobre a pobreza em Timor Leste

A relatora especial das Nações Unidas para a pobreza, a chilena Magadalena Sepúlveda Carmona,  esteve recentemente em Timor Leste e no final da sua visita a convite do Governo deixou um conjunto de observações e recomendações sobre a pobreza em Timor Leste. O relatório pode ser visto no link seguinte: http://www.ohchr.org/EN/NewsEvents/Pages/DisplayNews.aspx?NewsID=11618&LangID=E

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O IDH de Timor Leste segundo PNUD

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) acaba de publicar o seu relatório de 2011 sobre o nível de desenvolvimento no mundo. O quadro abaixo diz-nos qual o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Timor Leste e de alguns outros países que o "rodeiam". Mostra também os valores das componentes parciais do IDH.


Comparem-se estes valores com os do relatório do ano passado: lugar = 120; IDH = 0,502; esperança de vida à nascença: 62,1; número de anos (médio) de escolaridade = 2,8; idem, esperado = 11,2; nível de rendimento per capita = 5303 USD.

A queda de lugares (de 120 para 147, baixando do nível de desenvolvimento humano médio para o nível baixo) e do próprio IDH (de 0,502 para 0,495) é resultado, quase exclusivamente, da queda muito significativa do rendimento per capita.

Note-se que em metodologias mais antigas o PNUD usava o PIB per capita e não o Rendimento per capita. Aquele agregado é, quanto a nós, mais apropriado já que o que se usa actualmente inclui, nos países exportadores de matérias primas (incluindo o petróleo), as receitas destas, muitas vezes muito instáveis de ano para ano. Ora, a queda verificada no caso de Timor Leste deve-se exactamente à importante queda do preço do petróleo nos mercados internacionais. Essa queda, que não terá afectado directamente em nada o nível de produção per capita dos timorenses (que até terá crescido), acabou por resultar numa queda do IDH e, com ele, da posição relativa do país. Mal feito... :-)

Quanto aos valores do quadro, realce-se também o baixo valor do número médio de anos de escolaridade comparativamente com o que seria de esperar. Isto significa que esta é uma das principais áreas ("a" área, quanto a nós...) em que as autoridades do país terão de apostar para melhorarem, com bases sólidas e no médio/longo prazo, o nível de desenvolvimento humano do país. SFF... 

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Mas afinal o que é a "dutch disease"? Uma correcção ao La'o Hamutuk

Na sua recente análise da proposta governamental de Orçamento Geral do Estado para 2012 a ONG La'o Hamutuk diz a certa altura:

"The “Dutch disease” of inflation, currently over 13%, exacerbates poverty in Timor-Leste"

Esta noção de "Dutch disease of inflation" não corresponde exactamente à noção que os economistas têm do fenómeno.
Uma consulta da Wukipédia permite-nos esclarecer o verdadeiro sentido do conceito de "dutch disease" e asua origem:

"In economics, the Dutch disease is a concept that purportedly explains the apparent relationship between the increase in exploitation of natural resources and a decline in the manufacturing sector. The claimed mechanism is that an increase in revenues from natural resources (or inflows of foreign aid) will make a given nation's currency stronger compared to that of other nations (manifest in an exchange rate), resulting in the nation's other exports becoming more expensive for other countries to buy, making the manufacturing sector less competitive. While it most often refers to natural resource discovery, it can also refer to "any development that results in a large inflow of foreign currency, including a sharp surge in natural resource prices, foreign assistance, and foreign direct investment".
The term was coined in 1977 by The Economist to describe the decline of the manufacturing sector in the Netherlands after the discovery of a large natural gas field in 1959"

Isto é: a "dutch disease" não é nem está ligada directamente à inflação mas sim à apreciação da moeda nacional em resultado, nomeadamente, do aumento da procura da moeda nacional com várias origens. Esta apreciação reduz a competitividade das exportações nacionais (nomeadamente de outros sectores industriais que não o petrolífero) e faz com que vários sectores exportadores comecem a ter dificuldades. Estas acabam por levar, por vezes, à falência de empresas e, como consequência, ao aumento do peso relativo do sector petrolífero face a outros sectores produtivos.

Admite-se que parte do efeito passe também pela inflação que se pode gerar na economia com o aumento significativo dos rendimentos com origem no petróleo e, claro, o seu concomitante gasto na economia nacional. Inflação significa preços mais altos para os consumidores nacionais mas também para os consumidores estrangeiros que, assim, reduzem as compras dos nossos produtos. Mas este fenómeno faz, por ventura, mais parte da "maldição dos recursos" ["resource curse"] do que da "doença holandesa".
Resultado: ainda que o conceito não esteja usado da forma mais correcta, o resultado final acaba por não ser muito diferente --- até porque, como Timor Leste não tem moeda própria, a "doença holandesa", strictu sensu, nem se pode verificar.

De facto, a inflação pode ser --- e quase inevitavelmente será... --- uma das consequências do excesso de despesa resultado daquela "maldição". O que se está a passar em 2011, em que a inflação "disparou" e dificilmente ficará abaixo dos 11% em termos de taxa média anual, aí está para o demonstrar. E uma inflação dos preços significa, para quem recebe rendimentos fixos (ex: salários, pensões), menor poder de compra. Pobreza? Sim, para alguns, pelo menos.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Taxa homóloga de inflação em Setembro (Dili): 13,8%

Segundo dados recentemente publicados pela Direcção Nacional de Estatística, a taxa homóloga de inflação em Setembro passado (SET11 relativamente a SET10) foi de 13,8% e a taxa mensal foi de 1%, contra os 0,2% do mês anterior e os 0,3% do mês homólogo de 2010.


Segundo estimativas efectuadas com base nas taxas observadas desde o início do ano e as médias das taxas mensais de inflação dos últimos 3 meses dos anos 2003-10, a taxa média anual de inflação de 2011 poderá vir a situar-se nos 12,6%, mais do dobro do previsto pelo Governo e o FMI (6%).
A taxa de inflação acumulada desde o início do ano é de 9,7%.

Olhando para as taxas de inflação por tipos de produtos, verificamos que a alimentação, no seu conjunto, registou uma taxa homóloga de 15% em Setembro, "empurrada", entre outras, pelas taxas dos vegetais (30,4%), das frutas (46,7%) e da carne e derivados (23,1%). Os transportes aumentaram 22,7%.

Note-se que os meses finais do ano costumam mostrar alguma aceleração da inflação devido ao aumento da procura relacionada com os gastos nas "festas" do final do ano e com algumas dificuldades no abastecimento dos mercados com produtos agrícolas, alguns dos quais vêm os seus stocks diminuidos antes do início das novas colheitas.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Timor Leste: "Doing Business 2012"

O Banco Mundial, através da sua componente IFC, acaba de publicar o relatório anual sobre "Doing business 2012". Aqui está o link para a análise de Timor Leste.

Veja abaixo um quadro síntese:


Dele se conclui que o país subiu um lugar na escala (está agora em 168º lugar). Esta subida  fica a dever-se essencialmente à melhoria na obtenção de crédito (subiu 18 lugares). O acesso à electricidade terá piorado, fazendo o país descer 16 lugares na escala respectiva.


Quanto à subrubrica "Iniciar uma actividade empresarial", o país desceu 5 lugares na escala. Note-se, por exemplo, que em Timor Leste são necessários 103 dias até que se possa iniciar a actividade e na média dos países da Ásia-Pacífico bastam 38 dias (cerca de 1/3 do tempo) e apenas 13 dias, em média, nos países da OCDE, os das economias mais avançadas.
Veja-se também a situação quanto à percentagem do rendimento per capita necessária para iniciar  a actividade: a diferença entre Timor Leste e os demais países é muito significativa, resultado, em parte, de o país ter um rendimento por indivíduo baixo.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Obrigado, Sr. General!...

Não é do perfil deste blogue fazer referências a pessoas concretas, nomeadamente para reconhecer o seu contributo positivo para uma determinada causa. Abro hoje uma excepção para, com alguma emoção traduzida num nó na garganta, dizer apenas
"Obrigado, sr. General Taur Matan Ruak!...".