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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O IDH de Timor Leste segundo PNUD

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) acaba de publicar o seu relatório de 2011 sobre o nível de desenvolvimento no mundo. O quadro abaixo diz-nos qual o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Timor Leste e de alguns outros países que o "rodeiam". Mostra também os valores das componentes parciais do IDH.


Comparem-se estes valores com os do relatório do ano passado: lugar = 120; IDH = 0,502; esperança de vida à nascença: 62,1; número de anos (médio) de escolaridade = 2,8; idem, esperado = 11,2; nível de rendimento per capita = 5303 USD.

A queda de lugares (de 120 para 147, baixando do nível de desenvolvimento humano médio para o nível baixo) e do próprio IDH (de 0,502 para 0,495) é resultado, quase exclusivamente, da queda muito significativa do rendimento per capita.

Note-se que em metodologias mais antigas o PNUD usava o PIB per capita e não o Rendimento per capita. Aquele agregado é, quanto a nós, mais apropriado já que o que se usa actualmente inclui, nos países exportadores de matérias primas (incluindo o petróleo), as receitas destas, muitas vezes muito instáveis de ano para ano. Ora, a queda verificada no caso de Timor Leste deve-se exactamente à importante queda do preço do petróleo nos mercados internacionais. Essa queda, que não terá afectado directamente em nada o nível de produção per capita dos timorenses (que até terá crescido), acabou por resultar numa queda do IDH e, com ele, da posição relativa do país. Mal feito... :-)

Quanto aos valores do quadro, realce-se também o baixo valor do número médio de anos de escolaridade comparativamente com o que seria de esperar. Isto significa que esta é uma das principais áreas ("a" área, quanto a nós...) em que as autoridades do país terão de apostar para melhorarem, com bases sólidas e no médio/longo prazo, o nível de desenvolvimento humano do país. SFF... 

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Back to the...

... Relatório Nacional do Desenvolvimento Humano de Timor Leste, editado no início deste mês de Maio/11 pelo escritório do PNUD no país.
Desta vez vamos debruçarmo-nos sobre o capítulo 3, intitulado "O Fundo Petrolífero e o Desenvolvimento Humano de Timor-Leste". Nele se referem, a certa altura, três estratégias possíveis para o uso dos recursos do Fundo Petrolífero não apenas para assegurar o crescimento da economia e o desenvolvimento em geral mas, principalmente, esse tipo específico de desenvolvimento designado por “humano”, com uma forte componente de redução da pobreza, nomeadamente a do mundo rural de Timor Leste.

As estratégias identificadas como possíveis para usar aqueles recursos são as seguintes e correspondem, grosso modo, às estratégias usadas por Fundos semelhantes noutros países:

1- Investir capital financeiro directamente na economia nacional através de investimentos no capital social de empresas

2- Criar fundos “dedicados” a aplicações especiais

3- Distribuir directamente o dinheiro pelos cidadãos, como se eles fossem, p.ex., sócios de uma firma “Timor-Leste, SA”

O trabalho estuda as diversas vantagens e inconvenientes que o PNUD vê nas diferentes estratégias.
A primeira, por exemplo, diverge da actual estratégia do FP de Timor Leste porque este é, por definição, um fundo aplicado apenas no exterior --- com a excepção, não pequena, dos recursos usados para financiar o Orçamento Geral do Estado.
Abrir o leque de investimentos possíveis do Fundo de modo a que ele possa investir em capital de empresas nacionais tem uma vantagem, pelo menos: a de ajudar a desenvolver o sector privado nacional. Porém, há alguns inconvenientes: um deles é o facto de, dada a fraqueza deste mesmo sector privado, o nível de liquidez (ou seja, de capacidade de o FP, se necessário, vender as suas participações no capital de empresas para procurar fazer outros investimentos) é muito baixo. Além disso, o tipo de desenvolvimento da sociedade timorense poderia resultar num aumento dos níveis de corrupção no país pois certamente iriam aparecer investidores que, usando as suas relações privilegiadas com o poder, procurariam "deitar mão" a parte dos capitais investidos captando-a para as suas actividades. Que poderiam ter, ou não, um verdadeiro interesse para o país.

A segunda estratégia tem semelhanças com a que o Governo adoptou no último OGE ao constituir um fundo de Infraestruturas e outro para a melhoria dos recursos humanos. Dois problemas podem surgir: aparecerem grupos sociais pressionando o Governo e/ou o Fundo para abrirem mais fundos específicos para certos fins/actividades que poderão ter um interesse nacional duvidoso, por um lado, e a eficácia das aplicações dos recursos ser duvidosa. Ora dê lá aí 0,5% para os grupos desportivos, mais 4,5% para isto, mais 2,3% para aquilo, etc...

Finalmente a terceira estratégia é a de distribuir dinheiro directamente pelos cidadãos. O Alaska, por exemplo, tem um Fundo deste tipo. Anualmente determina-se um valor que é distribuído igualmente por cada habitante daquele Estado dos Estados Unidos.

Sabendo das preocupações com a luta contra a pobreza e pelo desenvolvimento rural que o PNUD tem, não é de admirar que esta seja a estratégia preferida pela instituição.
O seu argumento baseia-se nas várias vantagens que ela tem: permite fazer o dinheiro chegar mais directamente aos cidadãos, sem a intermediação de um OGE que tende, nomeadamente no caso de Timor Leste, a sofrer de um nítido "enviesamento pró-urbano" (urban bias); permite, por isso, reduzir os níveis de corrupção para "acaparação" de parte do "bolo" por alguns em detrimento da maioria; e, last not least, permite que as próprias economias locais sejam dinamizadas pois os cidadãos que receberem o dinheiro vão ter tendência a gastá-lo nas suas regiões, provocando assim uma distribuição mais equitativa dos recursos não só entre os cidadãos mas tamém entre as diversas partes do território nacional.

O que achei curioso foi que, conversando com amigos timorenses sobre as diversas estratégias, eles tivessem discordado da opção do PNUD com um argumento não totalmente inesperado mas que, ainda assim, não deixou de me surpreeender vindo de quem vinha: o de que, tendo uma boa parte da sociedade timorense um gosto especial pelo "não-trabalho", atribuir um subsídio mensal a cada habitante adulto seria um incentivo para ele não trabalhar MESMO... Esse subsídio, muito provavelmente, seria o suficiente (ou quase) para que muitas dessas pessoas satifizessem boa parte das suas actuais necessidads, o que as desincentivaria a contribuir para o bem estar geral da população através de trabalho produtivo --- além de não contribuirem para a melhoria da sua própria situação...
E esta, hem?!...

Uma nota final suscitada por este assunto: não é invulgar ver economistas e políticos não tomarem grande atenção a algumas lições que algum conhecimento antropológico das sociedades lhes daria, permitindo melhorar as suas sugestões e as suas políticas. Emendem-se!...

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Algumas notas sobre o Relatório Nacional de Desenvolvimento Humano de Timor Leste

O 3º Relatório do Desenvolvimento Humano de Timor Leste, produzido pelo PNUD/UNDP, foi ontem divulgado oficialmente como aqui referido ontem mesmo.

A evolução do IDH ao longo do período entre 2002 e 2010 figura no quadro abaixo, sendo de registar que em 2002 era de 0,375 e em 2010 de 0,502 (o Índice varia entre 0 e 1).


Estes valores foram obtidos com a nova metodologia utilizada no seu cálculo --- e que é comum ao praticado em todos os países do Mundo ---, em que se destaca o facto de se ter passado a utilizar o Rendimento Nacional Bruto em vez do usual PIB (ambos em Paridade dos Poderes de Compra).
Ora esta mudança, no caso específico de Timor Leste, não faz sentido, sendo possível de a considerar quase como ... "publicidade enganosa"!..
O que está em causa? No PIB é considerada a produção efectuada dentro das fronteiras do país e o rendimento que ela proporciona aos seus residentes. Pelo contrário, o rendimento nacional inclui todos os rendimentos ganhos por cidadões e instituições nacionais em qualquer parte do Mundo.
Como consequência, neste último são incluídas as receitas petrolíferas de Timor Leste, que não são incluídas no PIB.
Ora, estas receitas, excepto na parte que depois é transferida para financiar o Orçamento de Estado, nem chega a ver a terra "que o sol em nascendo vê primeiro" pois são aplicadas no Fundo Petrolífero, cujos activos estão, na totalidade, no exterior. Assim sendo, elas não alteram, em nada, o rendimento dos cidadãos nacionais.

Há países em que há igualmente uma diferença entre o PIB e o rendimento nacional --- embora não tão grande como no caso de Timor Leste. Por exemplo, há países em que as remessas de emigrantes para o país são importantes e afectam o rendimento das famílias. Neste caso faz sentido usar o Rendimento Nacional mas no de Timor Leste não faz pois inflaciona o valor do IDH sem que isso corresponda a uma situação real.
Veja-se, por exemplo, o que se passou entre 2005 e 2010. O PNBper capita (em PPC) aumentou de 1167 USD para 5303 USD. Esta diferença é resultante do significativo aumento das receitas petrolíferas devido ao aumento da produção e dos preços do petróleo.
O aumento, significativo, do IDH que se verificou deveu-se principalmente a este aumento já que as variações dos outros indicadores parcelares (ver o quadro abaixo) foram relativamente reduzidas ou mesmo inexistente.


Já agora refira-se que a taxa de crescimento médio anual do IDH entre 2002 e 2010 foi de 3,71%, sendo de 4,37% no subperíodo 2002-06 e de 3,06% no subperíodo 2006-10.
 
Terminemos com uma outra nota, este de carácter mais genérico.
O Relatório é apresentado quase como se de uma estratégia alternativa global se tratasse. Não nos parece que o seja. É, no entanto, uma sugestão importante para complementar uma estragégia mais global, mais abrangente quanto aos sectores produtivos. Por isso mesmo merece a nossa atenção (e a de todos, particularmente do Governo) e um estudo aprofundado, que tentaremos fazer aos poucos mas sem ser exaustivo, tal a dimensão e variedade dos temas abordados.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Índice de Desenvolvimento Humano de Timor Leste

O PNUD/UNDP-Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento acaba de publicar o seu Relatório do Desenvolvimento Humano de 2009 (com dados estatísticos de 2007). Pode ler aqui um sumário em português.

Quanto a Timor Leste, um quadro síntese da situação e da sua posição em relação a outros países é o seguinte (foi retirado daqui):

O país está em 162º lugar num total de 182 e encontra-se à frente de dois países de língua portuguesa: Moçambique (172º) e a Guiné-Bissau (173º).
O país com maior IDH é (como de costume desde há alguns anos) a Noruega --- a que se segue a Austrália --- e o último da lista é o Niger.

PS - a versão completa do relatório, em português, está AQUI
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