A Direcção Nacional de Estatística divulgou ontem os dados sobre a evolução dos preços em Agosto de 2011. Os preços aumentaram 0,2% no mês de Agosto em Dili, sendo que os produtos alimentares aumentaram 0,3%, resultando numa taxa homóloga de inflação destes produtos de 14,2% (Ago10-Ago11).
Por sua vez, a taxa média anual de inflação referente a Agosto foi de 11,2%. Se tomarmos em consideração que o último trimestre tende a ver uma subida mais rápida dos preços que os demais trimestres, é provável que a taxa média anual de inflação para o conjunto do ano de 2011 se venha a situar no intervalo dos 10,5 - 11,5%. Veremos...
Blog sobre Economia e Política Económica do Desenvolvimento, em particular sobre a economia de Timor Leste e aquilo que naquelas pode ser útil ao desenvolvimento económico deste país
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
O ADB e a economia de Timor Leste
O Banco Asiático de Desenvolvimento publicou em Julho passado o seu Pacific Economic Outlook que inclui informações sobre a economia de Timor Leste. Aqui estão elas.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Cerimónia de transformação da ABP em BCTL
Conforme previsto na Lei Orgânica do Banco Central de Timor-Leste realizou-se no dia 13 de Setembro a transformação da antiga (de 2001) Autoridade Bancária e de Pagamentos em BCTL em Banco Central de Timor-Leste.
A cerimónia, presidida pelo Predidente da RDTL, teve lugar nas instalações do BCTL, na Avª Bispo Medeiros, em Dili.
Abaixo imagens de alguns momentos da cerimónia.
Chegada do PR, recebido pelo Conselho de Administração da BP "cessante",
Drªs Nur Alkatiri e Maria José Sarmento e Dr. Abraão de Vasconselos, ex-Director Geral da ABP
Na assistência: o primeiro Director Geral da ABP, Dr. Luís Quintaneiro
O último Director Geral da ABP fazendo o seu discurso,
emocionado, de balanço de dez anos de vida da sua "casa"
O correr do pano: o "tais" que durante 10 anos identificou a ABP é retirado e guardado
"O Rei morreu!.. Viva o Rei!..."
O "logo" do Banco Central de Timor-Leste: um búfalo/karau,
um verdadeiro "banco de quatro patas" de muitas famílias timorenses
O primeiro Governador do Banco Central de Timor-Leste,
Dr Abraão de Vasconselos, lê o juramento de tomada de posse perante o empossante, o
Vice-Primeiro Ministro Dr José Luís Guterres em representação do
Primeiro Ministro Xanana Gusmão, em visita oficial ao Vanuatu
O Presidente da República mostra o cartaz anunciando a moeda comemorativa
(em prata ou ouro) da transformação da ABP em BCTL
Placa comemorativa da transformação da ABP em BCTL
eternizando os nomes dos que mais contribuíram para que tal acontecesse
O Presidente da República, Dr. Ramos Horta,
brinda ao sucesso da actividade do BCTL
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Um artigo sobre os determinantes da inflação em Timor Leste
Foram agora publicados os anais de uma conferência que decorreu na China em Julho deste ano. Um dos artigos, da autoria de Martinho Silvestre e de António Almeida Serra, debruça-se sobre a inflação em Timor Leste, procurando estabelecer um modelo, ainda que muito elementar, que permita antever as variações dos preços no país de acordo com as variações de outras variáveis, nomeadamente a oferta de moeda e os gastos públicos, determinantes fundamentais da anterior. Ver o link aqui:
http://www.springerlink.com/content/p065x341m1804338/
http://www.springerlink.com/content/p065x341m1804338/
O Rei morreu! Viva o Rei!...
Em resultado da aprovação da Lei 5/2011 e consequente criação do Banco Central de Timor-Leste (BCTL), cessa hoje a sua actividade, enquanto tal, a Autoridade Bancária e de Pagamentos do país, nascida por força de regulamento da administração da ONU (UNTAET) em 30 de Novembro de 2001, vai para 10 anos.
Das diferenças entre a "Autoridade" e o "Banco Central" talvez distinga fundamentalmente duas: por um lado, o reconhecimento da autonomia do Banco Central, particularmente na condução da política monetária; por outro, a possibilidade que agora passa a existir de, se se entender como o mais conveniente para o país, ser emitida uma moeda nacional (o "belak"? Outro nome qualquer?).
Note-se, porém, que este privilégio pode não ser usado. É, aliás e segundo as palavras do Governo no documento provisório, para divulgação pública, do Plano Estrtatégico de Desenvolvimento o que deve acontecer "no futuro previsível" --- 7-8 anos?
Seja como for, às 00h de 13 de Setembro fica criada a última grande instituição prevista na Constituição da RDTL. É bem motivo para gritar "O Rei morreu! Viva o Rei", i.e., a "Autoridade" morreu, viva o BCTL! E que, como nas palavras de SEXA o Presidente da República a propósito da ABP, dele se possa dizer sempre que "confirmou a imagem de rigor e padrão profissional elevado" que daquela têm a quase totalidade dos observadores.
Que o futuro do BCTL seja tão risonho como as crianças da foto abaixo, são os meus votos para aquela que tem sido, nos últimos 9 anos (completam-se este mês), a minha segunda "casa" --- profissionalmente falando.
A todos os funcionários, particularmente à Administração da instituição e à Divisão de Economia, os meus votos de "Continuem! Felicidades!"
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Ooops! Erro meu... Sorry!...
Numa "entrada" anterior dei conta da aprovação, pelo plenário do Parlamento Nacional, das alterações à Lei do Fundo Petrolífero. Só que...
Contrariamente ao que pensei, tratou-se da aprovação final, já depois de ter sido debatida na comissão especializada.
As propostas do Governo terão sido aprovadas sem qualquer alteração.
Fica de pé aquilo que acho ser ainda uma falha da Lei, como já era da anterior: a falta de um mecanismo "de emergência" para defender o capital do Fundo em caso de forte instabilidade do sistema financeiro internacional. Punhamos umas velinhas a Santo António de Manatuto para que tal nunca aconteça...
Contrariamente ao que pensei, tratou-se da aprovação final, já depois de ter sido debatida na comissão especializada.
As propostas do Governo terão sido aprovadas sem qualquer alteração.
Fica de pé aquilo que acho ser ainda uma falha da Lei, como já era da anterior: a falta de um mecanismo "de emergência" para defender o capital do Fundo em caso de forte instabilidade do sistema financeiro internacional. Punhamos umas velinhas a Santo António de Manatuto para que tal nunca aconteça...
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fundo petrolífero,
Lei do Fundo Petrolífero
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Posso perguntar uma coisa?
O gráfico abaixo ilustra a queda significativa do preço do petróleo bruto desde há 3 meses a esta parte, principalmente no último mês.
Para quando alguém que proteja mais decididamente os interesses dos consumidores?
domingo, 28 de agosto de 2011
Revisão da Lei do Fundo Petrolífero
O Parlamento Nacional aprovou na passada terça-feira, na generalidade, um conjunto de alterações à Lei do Fundo Petrolífero vigente desde 2005.
A Lei desce agora à "Comissão C" para discussão e aprovação na especialidade antes de voltar ao plenário para ser aprovado em leitura final.
As propostas de alteração apresentadas pelo governo não são totalmente "pacíficas", caracterizando-se por dar maiores poderes ao Ministro das Finanças do momento.
Por estarmos ligados profissionalmente à ABP, gestora operacional do Fundo Petrolífero, não nos queremos pronunciar muito sobre a matéria sem esta apresentar as suas propostas.
Recordamos apenas que há 2 ou 3 pontos mais "sensíveis" nas propostas do Governo: a já referida maior concentração de poderes e liberdade de acção do Ministro das Finanças --- "contra" o regime vigente até agora e que tem mais "checks and balances" do que a actual proposta ---, a possibilidade de ser investido até 50% do capital do Fundo em títulos de rendimento variável (acções) --- contra os actuais 90% em títulos de rendimento fixo dos Estados Unidos --- e a possibilidade de o gestor operacional do Fundo ser outra entidade que não o Banco Central --- o que, reconheça-se, é uma "espada de Damocles" sobre este e, quer se queira quer não e nem que seja apenas psicologicamente, é uma condicionante à independência que deve ter o Banco Central. Quanto àquele limite de 50%, ele poderá, teoricamente, nunca vir a ser atingido e mesmo os valores para que se apontam na prática e a curto-médio prazo (35-40%) podem levar algum tempo a ser alcançados. "Poder" chegar aos 50% não significa "ter de" os atingir...
Face à presente instabilidade do sistema financeiro internacional chamo a atenção para o facto de nem na Lei inicial nem na actual proposta haver uma "escapatória" no caso de este sistema entrar em colapso pondo em causa parte significativa do capital do Fundo.
Pessoalmente creio que deve ser incorporada uma norma em que, rodeado dos necessários cuidados, o Governo possa suspender temporariamente as regras de afectação dos recursos do Fundo se isso for julgado, em situação de emergência grave, necessário para a salvaguarda do capital do Fundo Petrolífero. Caso contrário a gestão deste pode ver-se de mãos atadas ao assistir ao colapso do sistema financeiro internacional e a alterações significativas das taxas de câmbio, nomeadamente do USD.
Esperemos para ver quais são as decisões dos deputados do Parlamento Nacional.
A Lei desce agora à "Comissão C" para discussão e aprovação na especialidade antes de voltar ao plenário para ser aprovado em leitura final.
As propostas de alteração apresentadas pelo governo não são totalmente "pacíficas", caracterizando-se por dar maiores poderes ao Ministro das Finanças do momento.
Por estarmos ligados profissionalmente à ABP, gestora operacional do Fundo Petrolífero, não nos queremos pronunciar muito sobre a matéria sem esta apresentar as suas propostas.
Recordamos apenas que há 2 ou 3 pontos mais "sensíveis" nas propostas do Governo: a já referida maior concentração de poderes e liberdade de acção do Ministro das Finanças --- "contra" o regime vigente até agora e que tem mais "checks and balances" do que a actual proposta ---, a possibilidade de ser investido até 50% do capital do Fundo em títulos de rendimento variável (acções) --- contra os actuais 90% em títulos de rendimento fixo dos Estados Unidos --- e a possibilidade de o gestor operacional do Fundo ser outra entidade que não o Banco Central --- o que, reconheça-se, é uma "espada de Damocles" sobre este e, quer se queira quer não e nem que seja apenas psicologicamente, é uma condicionante à independência que deve ter o Banco Central. Quanto àquele limite de 50%, ele poderá, teoricamente, nunca vir a ser atingido e mesmo os valores para que se apontam na prática e a curto-médio prazo (35-40%) podem levar algum tempo a ser alcançados. "Poder" chegar aos 50% não significa "ter de" os atingir...
Face à presente instabilidade do sistema financeiro internacional chamo a atenção para o facto de nem na Lei inicial nem na actual proposta haver uma "escapatória" no caso de este sistema entrar em colapso pondo em causa parte significativa do capital do Fundo.
Pessoalmente creio que deve ser incorporada uma norma em que, rodeado dos necessários cuidados, o Governo possa suspender temporariamente as regras de afectação dos recursos do Fundo se isso for julgado, em situação de emergência grave, necessário para a salvaguarda do capital do Fundo Petrolífero. Caso contrário a gestão deste pode ver-se de mãos atadas ao assistir ao colapso do sistema financeiro internacional e a alterações significativas das taxas de câmbio, nomeadamente do USD.
Esperemos para ver quais são as decisões dos deputados do Parlamento Nacional.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Taxa de média anual de inflação:10,3%
A forma tecnicamente preferida pelos economistas e pelas organizações internacionais para medir a taxa de inflação é a chamada "taxa média anual". Ela consiste na variação entre a média dos Índices de Preços no Consumidor dos 12 meses de um ano relativamente aos 12 meses do ano anterior.
No caso de Timor Leste e neste momento, quando o último IPC conhecido (para Dili) é o de Junho passado, o que podemos fazer é comparar a média do IPC dos 12 meses terminados em Junho passado com a média correspondente dos 12 meses anteriores (i.e., Julho09 a Junho10).
Feitas as contas, o valor da taxa média anual de inflação referente a Junho passado é de 10,3%.
No caso de Timor Leste e neste momento, quando o último IPC conhecido (para Dili) é o de Junho passado, o que podemos fazer é comparar a média do IPC dos 12 meses terminados em Junho passado com a média correspondente dos 12 meses anteriores (i.e., Julho09 a Junho10).
Feitas as contas, o valor da taxa média anual de inflação referente a Junho passado é de 10,3%.
domingo, 7 de agosto de 2011
Ainda que mal pergunte...
A questão foi-me suscitada por uma vigem recente a Com em que verifiquei que "em troca" das palmeiras que bordejam a estrada Lautem-Com estão a ser "plantados" centenas e centenas de postes de cimento que sustentarão os cabos que levarão a electricidade até Com.
Ora bem: em contratos de elevado montante é usual pedir ao fornecedor contrapartidas que beneficiem directamente a economia nacional. A pergunta é: em todo este conjunto de contratos que levarão a electricidade a quase todos os principais pontos do território nacional foi negociada alguma contrapartida? Por exemplo: quanto aos postes em causa, devia ter sido relativamente fácil, sob o ponto de vista técnico e de capital humano, produzir todos ou uma boa parte deles em Timor-Leste. Foi feita alguma tentativa nesse sentido? Seria interessante que tivesse sido pois "grão a grão enche a galinha o papo" e é com pequenos passos como este que, progressivamente, se pode ir instalando alguma capacidade de produção (industrial) interna que agora é quase inexistente.
E se não foi feito nenhum esforço nesse sentido (que pena!...) há vontade política para o fazer no futuro? Agora que se fala em outras grandes obras, desde a transferência do porto para outro local (Tíbar? Liquiçá?) à expansão do aeroporto, vão-se fazer tentativas para obter contrapartidas? "À consideração superior"...
POSTSCRIPT:
Como comentário a esta 'entrada' recebi a seguinte informação:
"Bem curiosamente estes postes são localmente produzidos ou feitos em Timor Leste. É de facto um passo positivo no que concerne ao desenvolvimento económico de Timor. Pode ver-se neste website algumas fotos e noticia: http://buildingmarkets.org/blogs/timor/2011/08/01/made-in-timor-leste-manufacturing-in-timor-leste/ "
Ainda bem! A notícia foi motivada pelo facto de, há alguns meses, ter visto postes destes, em grande quantidade, depositados no porto de Dili após a sua importação.
Ora bem: em contratos de elevado montante é usual pedir ao fornecedor contrapartidas que beneficiem directamente a economia nacional. A pergunta é: em todo este conjunto de contratos que levarão a electricidade a quase todos os principais pontos do território nacional foi negociada alguma contrapartida? Por exemplo: quanto aos postes em causa, devia ter sido relativamente fácil, sob o ponto de vista técnico e de capital humano, produzir todos ou uma boa parte deles em Timor-Leste. Foi feita alguma tentativa nesse sentido? Seria interessante que tivesse sido pois "grão a grão enche a galinha o papo" e é com pequenos passos como este que, progressivamente, se pode ir instalando alguma capacidade de produção (industrial) interna que agora é quase inexistente.
E se não foi feito nenhum esforço nesse sentido (que pena!...) há vontade política para o fazer no futuro? Agora que se fala em outras grandes obras, desde a transferência do porto para outro local (Tíbar? Liquiçá?) à expansão do aeroporto, vão-se fazer tentativas para obter contrapartidas? "À consideração superior"...
POSTSCRIPT:
Como comentário a esta 'entrada' recebi a seguinte informação:
"Bem curiosamente estes postes são localmente produzidos ou feitos em Timor Leste. É de facto um passo positivo no que concerne ao desenvolvimento económico de Timor. Pode ver-se neste website algumas fotos e noticia: http://buildingmarkets.org/blogs/timor/2011/08/01/made-in-timor-leste-manufacturing-in-timor-leste/ "
Ainda bem! A notícia foi motivada pelo facto de, há alguns meses, ter visto postes destes, em grande quantidade, depositados no porto de Dili após a sua importação.
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