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segunda-feira, 30 de julho de 2012

Inflação homóloga em Junho: 11%

Segundo os dados da Direcção Nacional de Estatística o Índice de Preços no Consumidor (IPC), em Dili, atingiu os 196,3, depois de no mês anterior ter sido de 195,9.
Estes valores significam que a subida de preços no mês foi de 0,2% relativamente a Maio e que a taxa homóloga (JUN12 vs JUN11) foi de 11%.
O cálculo da taxa média --- a mais usada pelos economistas e pelas organizações internacionais para medir a taxa de inflação de um país já que compara a média dos IPC dos últimos 12 meses com a dos 12 meses anteriores --- permite chegar à conclusão de que, a meio deste ano, se estava com 13,3%, apenas 0,2 pontos percentuais abaixo dos 13,5% do ano de 2011.
Cálculos que temos vindo a efectuar tentando perspectivar o que será a taxa média de inflação em 2012 e que usam médias das taxas mensais de anos anteriores permitem concluir que ela será, este ano, de cerca de 10,2-10,5%. Porém, considerando a evolução destas taxas no primeiro semestre e o seu valor em Junho passado (os já referidos 13,3%), é provável que ela seja superior às estimativas usando médias mensais de anos anteriores porque esta é "deflacionada" por se uarem nos cálculos anos em que a taxa de inflação foi muito baixa, ao contrário do que acontece agora.
Então qual será o valor da taxa média de inflação para todo o ano de 2012? Considerando que no último trimestre há uma tendência para o aumento do ritmo da inflação, não nos admiraremos se em Dezembro deste ano ela ficar dentro do intervalo 12-13%. "A ver vamos", como diz o cego... :-)

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Na "entrada" anterior apresentámos o essencial do panorama da evolução da inflação em Dili em Janeiro de 2012 (os números para o país, dada a metodologia utilizada, não são muito credíveis e são, por isso, "esquecidos" por quase todos os observadores do fenómeno).
Apresentamos abaixo alguma desagregação desses números quanto à taxa homóloga. Recordamos que esta compara a evolução dos preços entre dois meses com o mesmo nome mas de anos seguidos. Por exemplo, a evolução entre Janeiro de 2011 e Janeiro de 2012.


A "grosso" estão os diversos grupos de produtos que compõem o cabaz de compras que permite calcular o Índice de Preços no Consumidor. À frente de cada grupo de bens está o seu peso aproximado no cabaz. Por exemplo, as "carnes e derivados" representam cerca de 7,5% desse "cabaz" porque, segundo o inquérito às despesas familiares que serve de base ao IPC (realizado em 2001) as famílias farão, em média, cerca de 7,5% da sua despesa na compra de diversos tipos de carne (galinha, porco, búfalo, vaca).
Nas colunas de Dezembro/11 e de Janeiro/12 constam as taxas homólogas de cada grupo. Assim, podemos verificar que em Janeiro passado os "cereais, raízes e seus produtos" (em que a grande maioria é representado pelo arroz importado) tinham preços, em média, 21% mais altos que em Janeiro de 2011. A taxa correspondente para a "carne e seus derivados" (o grupo que terá encarecido mais) é de quase 32%!
Os "materiais de construção", em que as famílias faziam/farão (?) cerca de 5,7% do seu gasto total, aumentaram quase 20% em Jan12 comparativamente com um ano antes.

Deixemos aqui algumas preocupações quanto a estes valores, algumas delas já "ditas e reditas" nestes comentários:
a) a estrutura do consumo não é actualmente, acreditamos, a mesma de 2001, tendo havido algumas alterações que podem ser profundas;
b) a bem da comparabilidade dos dados, os preços são, no essencial, recolhidos juntos dos mesmos "informadores" de 2001, muitos deles operadores nos mercados "tradicionais" e hoje muitos consumidores usam, em Dili, alguns dos vários supermercados como fonte do seu abastecimento pelo que há que melhorar a represnetatividade destes no conjunto das fontes de recolha dos preços;
c) embora não possamos ir, aqui, muito mais longe do que vamos dizer, parece existir, nalguns casos, uma discrepância entre os preços que servem de base aos cálculos e aqueles com que nós, consumidores, nos deparamos no dia a dia: é o preço da "penca" de bananas que não bate certo com o que pagamos, é o preço médio da gasolina ou do gasóleo que está, por vezes, bem acima do que as estatísticas nos dizem; etc.

Enfim e mais uma vez: por favor, façam uma revisão urgente de todo o processo de determinação da evolução da inflação...

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Como vai a medição da inflação em Timor Leste?

A taxa de inflação de um país é medida a partir do chamado Índice de Preços no Consumidor e este, por sua vez, é construido por técnicas apropriadas a partir de um "cabaz de compras" médio da população do país determinado através de inquéritos às despesas das famílias.
O IPC de Timor Leste tem como base um inquérito feito em meados de 2001 que representa --- há quem diga que, já na altura, com deficiências --- o "cabaz de compras" médio, na altura, de uma família. Isto é, a base do IPC tem mais de 10 anos, 10 anos em que muita coisa mudou no país e, nomeadamente, a estrutura do consumo médio das famílias. Por isso o actual IPC já não é um bom instrumento para medir a inflação entre nós.
Em 2007 foi feito um inquérito semelhante mas por diversas razões nunca foi possível usá-lo como base para rever o Índice de Preços.
Quão diferente seria o IPC e, com ele, a taxa de inflação se  tivessemos um instrumento mais actualizado para medir a inflação? Será que esta seria maior ou menor que o que nos diz o actual IPC? Seria pura especulação responder num sentido ou noutro. Mas parece evidente que há grupos do "cabaz" que estão hoje sobrerepresentados e outros subrepresentados. Mais: os locais onde são recolhidas as informações sobre os preços têm de ser muito alterados, pois no inquérito de 2001 só se tiveram em consideração os "mercados tradicionais"... na época praticamente os únicos existentes, quando hoje é vulgar os consumidores usarem também os chamados "supermercados" como fonte de abastecimento.

Regressando ao caso dos grupos de produtos, vejamos o exemplo de outros países da região:
(clicar para ampliar e tornar legível)

Cada caso é um caso. I.e., cada país é um caso diferente mas vale a pena comparar os valores que aqui figuram para a parte dos produtos alimentares no peso no "cabaz" de vários países e o seu peso em Timor Leste, onde é de 56,7%.
Acreditamos que este peso está, em relação à realidade actual, muito "inflacionado". Não nos admiravamos se o peso, hoje, estivesse mais perto dos cerca de 45% --- ou mesmo um pouco menos. Por outro lado, o grupo dos "transportes" está, acreditamos, agora subavaliado.

Se o peso da "alimentação" for actualmente bastante mais baixo que em 2001 e dado que tem sido esta a principal responsável pelo aumento recente da taxa de inflação tal como medida pelo actual IPC, pode acontecer que esta nem esteja a ser, na verdade, tão alta como pensamos (13,5% em 2011). O que não quer dizer que não seja igualmente elevada... Mesmo que a alteração do IPC a fizesse baixar para cerca de 10%, por exemplo, continuaria a ser muito alta...

Tudo isto para enfatizar a URGÊNCIA de se rever o IPC, actualizando-o, de modo a termos uma ideia mais precisa do que se passa quanto à inflação. É que com um "estetoscópio" estragado, o "médico" pode enganar-se no diagnóstico da doença e isso ... "ser a morte do artista"!...

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Taxa de média anual de inflação:10,3%

A forma tecnicamente preferida pelos economistas e pelas organizações internacionais para medir a taxa de inflação é a chamada "taxa média anual". Ela consiste na variação entre a média dos Índices de Preços no Consumidor dos 12 meses de um ano relativamente aos 12 meses do ano anterior.

No caso de Timor Leste e neste momento, quando o último IPC conhecido (para Dili) é o de Junho passado, o que podemos fazer é comparar a média do IPC dos 12 meses terminados em Junho passado com a média correspondente dos 12 meses anteriores (i.e., Julho09 a Junho10).

Feitas as contas, o valor da taxa média anual de inflação referente a Junho passado é de 10,3%.