Já referi abaixo o essencial das considerações (parte delas muito críticas) em relação às recentes declarações do Jeffrey Sachs sobre a economia de Timor Leste. Um indivíduo com o nome dele não pode cair na fraqueza de, por um punhado de dólares, ir a um país de que quase nunca ouviu falar para fazer uma visita de turista --- meia dúzia de dias ... E será que saíu do hotel e dos gabinetes?!... ---, falar com "A" e "B", apanhar umas ideias no ar e "zás, trás, catrapás, pás, pás!..." "aqui têm a receita para o vosso desenvolvimento". E se o levarem a sério e as coisas correrem para o torto? É que não era a primeira vez... (vidé algumas críticas ao seu trabalho aqui e aqui).
Será que tomou consciência, por exemplo, das dificuldades de execução orçamental? E será que existe capacidade para gastar anualmente muito mais do que está a ser gasto sem desperdício significativo de recursos? E quais as consequências de uma eventual "explosão" de gastos públicos sobre o resto da economia, nomeadamente em termos de inflação e de (ainda maior) desequilíbrio na balança comercial?
Alguma moderação nas palavras teria sido (muito) bem vinda...
E a propósito: sabendo-se que o Primeiro-Ministro está a elaborar as linhas de força do plano de desenvolvimento para os próximos 20 anos, será que quem convidou Sachs (não sei quem foi) não teve como objectivo (encapotado?!...) enviar "recados" ao PM e ao governo?
Na passagem fulgurante de Jeff Sachs pelo país é curioso que nada tenho sido dito sobre um sector que considero fundamental e que, no curto-médio prazo, pode dinamizar mais a produção nacional --- e não a da Indonésia... --- do que alguns dos investimentos de que Sachs falou: o da habitação e do saneamento básico no contexto de um verdadeiro reordenamento do território --- particularmente em cidades como Dili e Baucau mas também em algumas outras capitais de distrito (Maliana, Aileu, Lospalos e Suai só para citar algumas).
É sabido que o sector da habitação --- para quando uma política habitacional "casada" com uma política de reordenamento do território e de saneamento básico naquelas duas cidades, pelo menos? --- é dos que têm uma menor componente importada e que geram mais emprego quer na fase de construção quer na de decoração (mobiliário, etc). É também um sector que pode dar trabalho a muitas pequenas e médias empresas de timorenses, assim ajudando o empresariado nacional a "crescer", melhorando tecnica e financeiramente.
Fundamental para evitar que tudo fique entregue a uma série de "patos bravos" que repliquem no país o que se fez em Portugal com as famosas "casas tipo maison com janelas tipo fenêtre" e forradas por fora com azulejos de casa de banho --- cujo equivalente em Dili é o uso do verdinho e do amarelinho nas pinturas exteriores de que nem o gradeamento do palãcio presidencial escapou... --- é que sejam organizados gabinetes de arquitectura que definam alguns tipos-padrão de habitações cujos planos deverão ser disponibilizados gratuitamente. Tais gabinetes terão, muito provavelmente, de ser inicialmente assessorados por técnicos estrangeiros.
Para garantir que a contrução segue mínimos de qualidade o Estado poderá dar alguns incentivos, nomeadamente encarregando-se do financiamento de parte das despesas de ordenamento do espaço a construir (arruamentos, esgotos, etc).
Porque esperam?
Blog sobre Economia e Política Económica do Desenvolvimento, em particular sobre a economia de Timor Leste e aquilo que naquelas pode ser útil ao desenvolvimento económico deste país
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segunda-feira, 5 de abril de 2010
sábado, 29 de novembro de 2008
À atenção de PRM
Quando comecei a ler com mais cuidado o relatório sobre a pobreza, explicitamente baseado em trabalho de campo (inquéritos) efectuado em 2007, é que me lembrei que tinha lido no seu "ensaio" qualquer coisa referente a dados de 2006. Aí fui certificar-me e lá está:
"Circulam entre diplomatas e humanitários os “transparentes” de um relatório do Banco Mundial que conclui que “a pobreza aumentou significativamente” entre 2001 e 2007 (um balanço arrasador do consulado Fretilin, porque o estudo usa indicadores até 2006)."
Só para que conste: os dados são TODOS de 2007 porque foi nesse ano que o inquérito foi feito. No próprio documento se explica que ele começou a ser feito em 2006 mas que depois, devido às condições de (in-)segurança, teve de ser interrompido. Os dados entretanto recolhidos foram postos de parte e partiu-se da estaca zero em Janeiro de 2007 (até Janeiro deste ano).
Será que isto altera alguma coisa ao seu "balanço arrasador"? Sinceramente: quando faço balanços olho para o "activo" e para o "passivo" (e não apenas para um deles) e naquele olho particularmente para os recursos disponíveis e se foi feita uma boa ou má utilização deles. Se não há recursos disponíveis, meu caro, seja o partido "A" ou o partido "B" terá sempre um "balanço arrasador" se compararmos o realizado com os sonhos e não com o que era possível realizar. Mais ou menos objectivamente.
E, desculpe-me que lhe diga, aquela de infraestruturar uma cidade como Dili em 9 anos SEM "CHETA" diz bem o que sabe de economia... e de engenharia, claro.
É que as coisas são bem mais complexas do que as "bocas" ditas à mesa de um café! Sabe, por exemplo --- e reporto-me ao pouco que sei do plano de reordenamento da cidade de Dili elaborado pelo GERTIL há alguns anos atrás ---, que há muitas habitações em locais de onde teriam de ser retiradas por estarem demasiado perto de linhas de água ou em locais de cheia?
E que deslocar as populações exigirá, primeiro, a construção de habitações alternativas --- essas sim já completamente infraestruturadas.
E que para o fazer é necessário clarificar primeiro que terreno pertence a quem e que isso ainda não foi possível fazer?
Enfim: uma verdadeira dor de cabeça, um puzzle que não vai ser fácil de montar.
Como vê, 9 anos não dá nem para os aviamentos... Ponha aí mais uns 10 a 20 para fazer o fato completo. Aliás, desafio-o a voltarmos a falar do assunto dentro de 9 anos... Tá?
"Circulam entre diplomatas e humanitários os “transparentes” de um relatório do Banco Mundial que conclui que “a pobreza aumentou significativamente” entre 2001 e 2007 (um balanço arrasador do consulado Fretilin, porque o estudo usa indicadores até 2006)."
Só para que conste: os dados são TODOS de 2007 porque foi nesse ano que o inquérito foi feito. No próprio documento se explica que ele começou a ser feito em 2006 mas que depois, devido às condições de (in-)segurança, teve de ser interrompido. Os dados entretanto recolhidos foram postos de parte e partiu-se da estaca zero em Janeiro de 2007 (até Janeiro deste ano).
Será que isto altera alguma coisa ao seu "balanço arrasador"? Sinceramente: quando faço balanços olho para o "activo" e para o "passivo" (e não apenas para um deles) e naquele olho particularmente para os recursos disponíveis e se foi feita uma boa ou má utilização deles. Se não há recursos disponíveis, meu caro, seja o partido "A" ou o partido "B" terá sempre um "balanço arrasador" se compararmos o realizado com os sonhos e não com o que era possível realizar. Mais ou menos objectivamente.
E, desculpe-me que lhe diga, aquela de infraestruturar uma cidade como Dili em 9 anos SEM "CHETA" diz bem o que sabe de economia... e de engenharia, claro.
É que as coisas são bem mais complexas do que as "bocas" ditas à mesa de um café! Sabe, por exemplo --- e reporto-me ao pouco que sei do plano de reordenamento da cidade de Dili elaborado pelo GERTIL há alguns anos atrás ---, que há muitas habitações em locais de onde teriam de ser retiradas por estarem demasiado perto de linhas de água ou em locais de cheia?
E que deslocar as populações exigirá, primeiro, a construção de habitações alternativas --- essas sim já completamente infraestruturadas.
E que para o fazer é necessário clarificar primeiro que terreno pertence a quem e que isso ainda não foi possível fazer?
Enfim: uma verdadeira dor de cabeça, um puzzle que não vai ser fácil de montar.
Como vê, 9 anos não dá nem para os aviamentos... Ponha aí mais uns 10 a 20 para fazer o fato completo. Aliás, desafio-o a voltarmos a falar do assunto dentro de 9 anos... Tá?
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