"Reconhecendo, desde já, que o envolvimento de uma empresa de consultoria neste processo da construção da Central Eléctrica deveria ter sido considerado mais cedo (...)." Clap! Clap! Clap!... Mais vale tarde que nunca. Mas se a necessidade desta consultoria era uma necessidade evidente, "lapaliciana", porque não se começou logo por aí?
"As duas Centrais Eléctricas a construir [uma em Hera e outra em Betano] iriam ter uma capacidade produtiva de 180 Megawats, sendo que no plano de electrificação revisto irão passar a ter uma capacidade produtiva de 250 MW."
Trata-se de um aumento de quase 40% em relação ao anterior projecto. Recorde-se, no entanto, que este era criticado, entre outras razões, pelo facto de prever a instalação de uma capacidade produtiva muito superior às estimativas (conservadoras?) que o Banco Asiático de Desenvolvimento tinha feito há alguns anos. O que se alterou desde então que justifique este aumento tão grande da capacidade a instalar? Os projectos de investimento de que se fala no documento estão minimamente garantidos? E se não se concretizarem, nomeadamente o da instalação da fábrica de LNG na costa sul? E se ela se vier a instalar, quando será? Qual a compatibilização de calendário entre ela (e outros projectos de investimento) e o calendário da instalação das centrais (prontas dentro de dois anos)?
"A opção por um período mais longo de implementação deste projecto não significa, no entanto, que o mesmo não venha a ser concluído mais cedo". Pode repetir, sff???
"Em conclusão, quando o projecto estiver em fase de finalização de implementação, o Governo irá então apresentar ao Parlamento Nacional as várias opções de gastos em relação ao combustível a ser utilizado (...) pasando então a decisão a ser feita mediante a avaliação do quadro orçamental".
Mas esta não é uma decisão essencialmente técnica ainda que enquadrada em princípios gerais e obrigações assumidas, por exemplo, no âmbito da luta contra a poluição? A ser assim o "quadro orçamental" pode ser demasiado rígido e pouco compatível com a variabilidade dos preços nos vários mercados de tipos de energia. Mais, se a exploração das centrais for concedida a uma entidade --- mesmo que a seja a empresa pública de electricidade --- ela não deverá ter a autonomia suficiente para tomar decisões neste domínio desde que obedeça aos princípios gerais definidos pelo seu "dono", o Estado?
"Após estas alterações do projecto inicial e tendo em conta que o prazo de implementação será até final de 2011 (...)."
Mas... onde está no Orçamento de 2010 a verba para este projecto? São os 48 milhões que lá estão? Aparentemente não; esses parecem ser para as linhas de distribuição. Serão para mais alguma coisa? Ou ao dizer isto o Governo está a dizer, indirectamente, que terá de preparar um Orçamento suplementar para fazer face a este projecto?
E quanto ao seu financiamento? Nem uma linha é dita. Vai adoptar-se a mesma política do anterior projecto de pagar tudo "al contado"? Qual é o "envelope financeiro" deste projecto? E o do cancelamento do anterior?
Blog sobre Economia e Política Económica do Desenvolvimento, em particular sobre a economia de Timor Leste e aquilo que naquelas pode ser útil ao desenvolvimento económico deste país
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segunda-feira, 9 de novembro de 2009
"Que nem de propósito" ou "como íamos dizendo"?
A 'entrada' abaixo é sobre a autêntica embrulhada em que parecia estar a questão da construção das centrais a óleo pesado. "Que nem de propósito", o jornal "Tempo Semanal" acaba de publicar uma cópia da carta que o Primeiro Ministro enviou recentemente ao Parlamento Nacional explicando o que se passa com a construção das centrais de produção de electricidade. É essa carta que se reproduz abaixo.
Em síntese, informa-se que o projecto está a ser repensado de acordo com sugestões de uma empresa de consultoria italiana, a Bonifica, e que as novas centrais serão equipadas com geradores novos e não com os adquiridos à China. Estes geradores poderão usar outro combustível que não o óleo pesado.
A carta é quase "auto-explicativa" e não necessita de grandes comentários. Alguns, porém, poderão vir a ser feitos mais tarde mas chamou-nos desde já a atenção o facto de nada se dizer sobre a articulação da decisão agora tomada com a eventual aposta em energias renováveis, nomeadamente a hídrica (Iralalara e mini-hídricas), a eólica, a solar, etc. Certamente que este assunto será esclarecido posteriormente.




PS - ainda que mal pergunte: qual a relação entre estas decisões e os resultados das conversações mantidas há pouco tempo na China por uma equipa ministerial timorense de alto nível? Confirma-se o rumor de que as próprias autoridades chinesas não veriam com bons olhos o negócio da empresa chinesa com o Governo Timorense? E qual será o custo da anulação do contrato anteriormente assinado?
Em síntese, informa-se que o projecto está a ser repensado de acordo com sugestões de uma empresa de consultoria italiana, a Bonifica, e que as novas centrais serão equipadas com geradores novos e não com os adquiridos à China. Estes geradores poderão usar outro combustível que não o óleo pesado.
A carta é quase "auto-explicativa" e não necessita de grandes comentários. Alguns, porém, poderão vir a ser feitos mais tarde mas chamou-nos desde já a atenção o facto de nada se dizer sobre a articulação da decisão agora tomada com a eventual aposta em energias renováveis, nomeadamente a hídrica (Iralalara e mini-hídricas), a eólica, a solar, etc. Certamente que este assunto será esclarecido posteriormente.




PS - ainda que mal pergunte: qual a relação entre estas decisões e os resultados das conversações mantidas há pouco tempo na China por uma equipa ministerial timorense de alto nível? Confirma-se o rumor de que as próprias autoridades chinesas não veriam com bons olhos o negócio da empresa chinesa com o Governo Timorense? E qual será o custo da anulação do contrato anteriormente assinado?
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sábado, 7 de novembro de 2009
Que embrulhada!... Ainda a propósito da energia em Timor Leste
Lembram-se que o Orçamento de 2009 se previa que em 2010 fosse gasta uma verba de 160 milhões de USD para as centrais a óleo pesado a instalar e para as linhas de distribuição de electricidade?
Por outro lado, sabe-se já que a verba prevista para ser gasta em 2009 não foi atingida, nem de perto nem de longe, tendo parte dela sido "deslocada" para o "pacote do referendo" de reconstrução de estradas.
Ora, agora há sinais dispersos de que alguma coisa não vai bem no reino da Dinamarca... As obras da central de Hera estarão paradas, a verba orçamentada para 2010 é de apenas 48 milhões. Em que ficamos? A central vai para a frente ou não? Ainda por cima há rumores sobre o próprio posicionamento dos chineses em relação a esta obra.
Será que não se está a tempo de repensar todo o programa e avançar (já?) com a construção de Iraralara?
Repare-se que no relatório sobre a energia em Timor Leste que fica abaixo se incentiva esta solução e se abrem as portas para o aproveitamento de outros recursos, nomeadamente as chamadas "mini-hídricas", das quais uma já está em funcionamento e a abastecer Baucau.
Repare-se que no relatório sobre a energia em Timor Leste que fica abaixo se incentiva esta solução e se abrem as portas para o aproveitamento de outros recursos, nomeadamente as chamadas "mini-hídricas", das quais uma já está em funcionamento e a abastecer Baucau.
Há outras, também referidas no relatório do Banco Asiático de Desenvolvimento, que poderão avançar a curto-médio prazo.
A essas acrescentaria (pelo menos) o caso do lago de Eraulo, em Ermera. Sabe-se que tem passado "maus momentos" mas que está prevista uma intervenção para o recuperar de forma mais definitiva. Ao que fui informado, o lago tem capacidades para ser aproveitado para a produção de energia eléctrica a fim de abastecer as comunidades locais (ver abaixo foto do lago quase vazio mas já o vi com muita água, algures em 2003).

sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Energia em Timor Leste
O Banco Asiático de Desenvolvimento (mais conhecido pelo seu acrónimo em inglês "ADB") acaba de publicar uma longa análise do sector energético na Ásia em Energy Outlook for Asia and the Pacific.
Além de aspectos genéricos há também fichas por país no Cap. VI. Abaixo pode ver em imagens a ficha de Timor Leste.
Repare-se em alguns aspectos do texto que são de salientar:
a) assume-se como não concretizável a instalação do terminal do pipeline do Greater Sunrise devido a dificuldades "geológicas", de atravessar a "fossa de Timor" junto às costas do "taci mane";
b) adopta-se uma mal disfarçada posição a favor da construção do aproveitamento de Iralalara, referindo-se que ele, só por si, seria suficiente para produzir cerca de 60% da electricidade produzida em 2005;
c) esta referência deve ser enquadrada também na menção que é feita à poupança em petróleo que a central hidroeléctrica que agora abastece Baucau (Gariuai) e que é estimada em 300 mil USD/ano para uma central de 0,3 megawatts --- a de Iralalara será de 28 MW, 90 vezes mais potente, pelo que a poupança de petróleo será enorme;
d) esta defesa de Iralalara surge ainda enquadrada numa recomendação de diversificação das fontes de energia de Timor Leste, com aproveitamento de todos os recursos em energias renováveis disponíveis, de modo a não deixar o país demasiado dependente do petróleo --- como resulta de centrar a estratégia de produção de energia nas centrais a óleo pesado anunciadas.


Além de aspectos genéricos há também fichas por país no Cap. VI. Abaixo pode ver em imagens a ficha de Timor Leste.
Repare-se em alguns aspectos do texto que são de salientar:
a) assume-se como não concretizável a instalação do terminal do pipeline do Greater Sunrise devido a dificuldades "geológicas", de atravessar a "fossa de Timor" junto às costas do "taci mane";
b) adopta-se uma mal disfarçada posição a favor da construção do aproveitamento de Iralalara, referindo-se que ele, só por si, seria suficiente para produzir cerca de 60% da electricidade produzida em 2005;
c) esta referência deve ser enquadrada também na menção que é feita à poupança em petróleo que a central hidroeléctrica que agora abastece Baucau (Gariuai) e que é estimada em 300 mil USD/ano para uma central de 0,3 megawatts --- a de Iralalara será de 28 MW, 90 vezes mais potente, pelo que a poupança de petróleo será enorme;
d) esta defesa de Iralalara surge ainda enquadrada numa recomendação de diversificação das fontes de energia de Timor Leste, com aproveitamento de todos os recursos em energias renováveis disponíveis, de modo a não deixar o país demasiado dependente do petróleo --- como resulta de centrar a estratégia de produção de energia nas centrais a óleo pesado anunciadas.


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