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sábado, 2 de junho de 2012

PIB de Timor Leste: com e sem petróleo

É sabido que Timor Leste depende muito, particularmente para financiar os Gastos do Estado, das receitas da exploração de gás e petróleo no Mar de Timor, que o separa da Austrália.
No gráfico abaixo podem ver-se representados os valores do Produto Interno Bruto do país se incluirmos ou não a produção petrolífera e que afecta pricipalmente as exportações do país.
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A coluna a amarelo representa o PIB com petróleo (e gás) e a coluna azul claro o PIB sem se contabilizar a riqueza petrolífera. Para o ano de 2010, por exemplo, os valores são, respectivamente, de 4131 milhões de USD e 875 milhões, com aquele valor a representar quase o quíntuplo deste (na realidade 4,7 vezes).

De notar ainda, no gráfico, que desde 2007 o valor dos gastos do Estado/Governo ultrapassam o valor do PIB. Estranho mas resultante da forma como é calculado este agregado, em que as importações entram "a descontar", com sinal negativo.
Estas incluem, segundo as contas nacionais, quer as importações de bens quer as de serviços, sendo as destes mais elevadas que as de bens por neles terem sido incluídos os gastos com a construção da central eléctrica de Hera (um "serviço" prestado pela empresa construtora ao Estado timorense).

domingo, 15 de janeiro de 2012

A economia de Timor Leste (e não só) segundo o ANZ

O ANZ, o Australia New Zealand Bank, um dos bancos com agências em Timor Leste, publicou já há dois meses um boletim informativo sobre a evolução das economias do Pacífico, no qual o banco integra Timor Leste. É a página relativa ao país que se reproduz abaixo (a principal fonte estatística usada pelo banco no caso de TL é o World Economic Outlook publicado no fim de Setembro pelo FMI).


No mesmo documento publicam-se alguns gráficos e quadros comparativos de algumas variáveis económicas nos vários países da região. Vejam-se abaixo os gráficos e os dados quanto ao crescimento do PIB e à taxa de inflação --- a mais elevada nos últimos tempos na região.



sexta-feira, 15 de julho de 2011

Cada cor seu paladar!...

4-instituições-4 = 4-previsões-4  para as taxas de variação do PIB e da inflação em Timor Leste em 2010 e 2011. Esclareça-se que a taxa média anual de inflação em 2010, em Dili, segundo os dados da Direcção Nacional de Estatística foi de 6,8%.

Legenda: OGE: Governo de TL através do Orçamento Geral do Estado;
ADB: Banco Asiático de Desenvolvimento;
FMI: Fundo Monetário Internacional;
ANZ: Australia NewZealand Bank, da Austrália

Como se pode verificar há diferenças, por vezes significativas, entre os vários valores.
Segundo os dados da DNE a taxa de inflação homóloga de Junho passado (Junho11 sobre Junho10) terá sido de cerca de 12%.

sábado, 6 de novembro de 2010

Índice de Desenvolvimento Humano de Timor Leste: subida de 11 lugares. Mas...

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD/UNDP) acaba de publicar o Relatório do Desenvolvimento Humano comemorativo do 20º aniversário deste importante documento anual sobre a situação social no mundo e que, de alguma forma, completa o relatório sobre a situação económica mundial publicado pelo Banco Mundial.

Na edição deste ano introduziu-se uma alteração na metodologia que é, só por si, responsável pela maior parte do melhor desempenho de Timor Leste: ao passar a adoptar como indicador do rendimento por pessoa o valor do rendimento nacional e não o do produto interno bruto, a especificidade da economia de Timor Leste, com os seus rendimentos petrolíferos (que fazem parte do primeiro mas não, enquanto tal, do segundo), fez o país subir 11 lugares na classificação até agora existente.


quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Revista a série do PIB de Timor Leste

O Fundo Monetário Internacional, em colaboração com a Divisão de Macroeconomia do Ministério das Finanças, efectuaram uma revisão da série estatística do Produto Interno Bruto de Timor Leste.
Como se pode verificar pelo quadro abaixo, cuja fonte é a base de dados estatísticos que acompanha a publicação do Fundo designada por World Economic Oulook (ver em http://www.imf.org/external/pubs/ft/weo/2010/02/weodata/index.aspx), os valores anteriores foram revistos em baixa na série publicada no início de Outubro passado, juntamente com a edição do Outonno daquela publicação.



A redução, para todos os anos desde 2002, foi de cerca de 9% em relação aos valores anteriores e que constavam ainda da base de dados publicada em Abril passado.
A causa principal desta revisão em baixa foi a revisão efectuada aos valores da produção dos sectores primário (agricultura, etc) e secundário e terciário (indústria e serviços).
A primeira viu os seus valores baixarem, em geral, cerca de 9-10% enquanto que a indústria e serviços viu a sua produção reavaliada em cerca de -15% em cada ano.

Estas diferenças devem-se ao uso, agora, de metodologia mais apropriada ao cálculo das Contas Nacionais, procurando usar o mais possível o valor acrescentado em cada sector ou, pelo menos, estimativas mais correctas do mesmo.

A preços constantes de 2000 o valor do PIB global era, em 2009, de cerca de 364 milhões de USD. Como a população deveria rondar o milhão de habitantes, o PIB per capita deveria ser de cerca de 365 USD,

quinta-feira, 11 de março de 2010

"Sera t'il?!..." como dizem os franciús?!...

Surgiu há dias nos jornais (Suara Timor Lorosa'e) a notícia abaixo em que se dá conta de que, segundo a Direcção de Macroeconomia do Ministério das Finanças (o verdadeiro gabinete de estudos e de apoio à Ministra) a taxa de crescimento do país terá sido de cerca de 16% em 2009.



A metodologia indicada parece-nos demasiado simplista e susceptível de criar erros consideráveis quando confrontados com as estimativas feitas por outras vias, com um tratamento mais cuidadoso dos dados. Por isso vemos com algumas reservas esta informação --- que será provisória, anunciando-se a publicação em Abril de dados mais rigorosos. Pena é, no entanto, que não seja dada desde logo informação sobre se os valores encontrados são a preços correntes ou a preços constantes.

Os "preços correntes" são aqueles que pagamos no dia a dia --- no caso em 2009 --- e a fórmula de cálculo que terá sido utilizada (a "velhinha" igualdade base da Contabilidade Nacional PIB= C + G + I + X - M , isto é, o Produto Interno Bruto é igual à soma algébrica dos valores do Consumo, dos Gastos Públicos, do Investimento, das eXportações e (a descontar...) as iMportações) faz suspeitar --- "suspeitar" apenas, sublinhe-se --- que poderão ter sido usados nos cálculos esses preços. A verdade, porém, é que os cálculos devem ser efectuados a "preços constantes" --- por exemplo, calcular o valor da produção de 2007, 2008 ou 2009 com os preços de um ano-base (ex: 2000) --- para eliminar o efeito da taxa de inflação.

Aguarda-se, portanto, um esclarecimento sobre os valores efectivamente utilizados. É que se foram os preços correntes então há que descontar a taxa de inflação. Que noutra notícia recente se diz ter sido de 7% (método de cálculo também a esclarecer já que muito diferente dos 3,6% referidos pela Direcção Nacional de Estatística do Ministério das Finanças). Isto é: 16% - 7% = 9%.

Não estamos a dizer que as contas FORAM mal feitas e que a taxa real de crescimento foi de 9% e não de 16% como anunciado. Seria um erro demasiado crasso que economista nenhum cometeria.

O nosso "ponto" é apenas o de que quando se dão estas informações elas devem ser acompanhadas desde logo dos elementos necessários para o leitor/observador/comentarista aquilatar da qualidade da informação disponibilizada. Caso contrário alimentam-se dúvidas, incertezas, absolutamente desnecessárias e que "se viram contra o feiticeiro".