domingo, 6 de dezembro de 2015

A produção de energia em Timor Leste

Sempre tivemos interesse no acompanhamento da produção de energia eléctrica em Timor Leste. Por exemplo, já em 2009 abordávamos aqui o assunto: http://economia-tl.blogspot.com/2009/11/energia-em-timor-leste.html.
Nomeadamente, sempre nos questionámos sobre a possibilidade de se escolher uma estratégia para o sector que fosse menos dependente do petróleo e maior utilizadora de energia renovável como é aa hídrica, cuja fonte é uma oferta do bom Deus e que por isso "não se paga! não se paga!".
Daí que nos tenha interessado desde sempre a possível utilização do potencial energético do rio de Iralalara, em Lautém. Nomeadamente, sempre nos interessou a possível combinação da utilização desta potencial fonte de energia (estimada em 28 MW) com a de outras fontes, nomeadamente as centrais eléctricas que vieram a ser contruídas na costa norte (Hera, 120 MW) e na costa sul (Betano, 135 MW). Ou, melhor, uma estratégia que juntasse inicialmente uma central térmica (Hera) e a hidroeléctrica (Iralalara) e, num segundo momento --- quando necessária ---, a expansão da primeira com aumento da capacidade de produção de Hera (?) e/ou a construção da de Betano --- já agora: era mesmo necessário separar geograficamente a produção em dois polos em vez de a concentrar num só? Pergunta de ignorante!.

Para reflexão sobre o tema aqui ficam algumas referências bibliográficas (quem sugere mais?):

1 - http://economia-tl.blogspot.com/2009/11/energia-em-timor-leste.html
2 - https://www.google.tl/search?q=ira+lalara&oq=ira+lalara&aqs=chrome..69i57.10307j0j4&sourceid=chrome&es_sm=93&ie=UTF-8#q=iralalara+energy
3 - http://www.dfdl.com/images/stories/Articles/Thailand/DFDL_Article_The_future_of_hydropower_development_in_Timor_Leste_Walter_Heiser.pdf
4 - http://www.adb.org/sites/default/files/publication/29761/power-sector-plan-timor-leste.pdf




sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Execução do OGE15 em 30NOV15 e dados do OGE16

Execuçãao orçamental das rubricas da categoria "Bens e serviços" e dos sub-programas  do Fundo de Infraestruturas em 30 de Novembro passado. A vermelho os dados do OGE16 para efeitos de comparação com os do OGE15 e da execução orçamental naquela data. 
Para efeitos de facilidade de leitura omitiram-se alguns dados de menor importância.



sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Fundo Petrolífero de Timor Leste: contas no final de Setembro/15

O Banco Central de Timor Leste acaba de publicar o relatório trimestral referente a Setembro de 2015 ( https://www.bancocentral.tl/Download/Publications/Quarterly-Report41_pt.pdf ) relativo à gestão do Fundo até 30 de Setembro passado.

Veja-se o documento original mas também esta síntese das contas:






Notem-se as significativas perdas registadas no 3º trimestre deste ano e as do "ano até à data SET-15". Parte delas resultam de variações nas Bolsas de Valores do preço dos títulos que compõem o Fundo e outra parte resulta da variação cambial negativa --- isto é, da perda de valor (face ao dólar americano, a moeda nacional) --- de muitas moedas em que estão representados os títulos (ex: ienes, euros).
Estas alterações do câmbio das moedas podem ser "securizadas" --- i.e., fazer um seguro contra elas --- através de mecanismos próprios ao sistema financeiro, o "hedging". Veja aqui o essencial sobre esse mecanismo (https://pt.wikipedia.org/wiki/Cobertura_(finan%C3%A7as) que, por ser essencialmente um investidor com uma perspectiva de (muito) longo e não de curto prazo, a direcção do Fundo --- no limite o Ministério das Finanças, aconselhado pelo Conselho Consultivo para o Invetimento --- decidiu não utilizar nomeadamente devido ao seu elevado custo e por, a prazo, essas variações terem tendência a anular-se.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Timor Leste: taxas de inflação em Setembro de 2015

Segundo as informações divulgadas pela Direcção Geral de Estatísticas, a taxa de inflação homóloga (Set14 a Set15) no país foi de 0,5%.
Utilizando os dados da mesma fonte foi possível calcular também a taxa média anual de inflação, isto é, a variação da média dos números Índices de Preços entre Outubro de 2013 e Setembro de 2014, por um lado, e a mesma média para o período de Outubro/14 até Setembro/15. Tal taxa foi de 0,6%/ano, o que faz supor que a taxa de todo o ano de 2015 dificilmente atingirá 1%, devendo, provavelmente, situar-se nos 0,6-0,7%.

Note-se que estas baixas taxas de inflação podem sempre ser lidas como no caso do copo meio cheio ou meio vazio... De facto, se por um lado são um bom indicador porque representam uma relativa estabilidade dos preços para os consumidores e, mesmo, um período em que o "cálculo económico" é mais fácil por haver essa mesma estabilidade/certeza em vez de instabilidade/incerteza (sempre má conselheira para os agentes económicos...), também pode ser vista como um sinal de alguma estagnação da economia, traduzida numa (eventual) lentidão do ritmo de crescimento económico. Seriam necessários mais indicadores para saber se este abrandamento do ritmo de crescimento se confirma ou não.

domingo, 28 de junho de 2015

Modelos de crescimento e políticas económicas que eles inspiram

Os “modelos de crescimento” mais conhecidos são, provavelmente, os de Harrod-Domar, de (Robert) Solow e de (Paul) Romer, também conhecido por “modelo AK”.
O modelo de Harrod-Domar é sintetizado pela equação g = s/k que nos diz que a taxa de crescimento máxima garantida da economia (g) tende a ser constante e igual ao rácio entre a taxa de poupança (e de investimento) “s” (proporção do produto que é poupada e investida) e o coeficiente capital-produto "k" (ou seja, a quantidade de capital necessária para produzir uma unidade de produto). Quanto maior for a taxa de poupança/investimento, dado que se considera que no curto-médio prazo este coeficiente é constante por não ter tempo para se modificar significativamente, maior será a taxa de crescimento. Esta teoria justifica políticas de elevado investimento, nomeadamente em infraestruturas e em capital diretamente produtivo (indústria, agricultura). A sua ligação ao "desenvolvimento" vem, nomeadamente, através do facto de se entender que esse investimento vai gerar emprego e que este acaba por servir os interesses dos pobres através de um efeito do tipo "cascata" (trickle down) em que um número cada vez maior destes é beneficiado pelo emprego criado. A História demonstrou que não é necessariamente assim...

O modelo de solow conclui fundamentalmente que uma economia tende a crescer de forma a que o pib, o stock de capital físico e a população tendem a crescer todos à mesma taxa. A este caminho, caraterizado por um rendimento por trabalhador e um capital físico por trabalhador constantes ao longo do tempo, chama-se "estado estacionário". Mas como a realidade é a de que as economias crescem constantemente, a explicação para isso só pode estar “fora” do modelo: no progresso técnico e no aumento da produtividade devida ao aumento do capital humano. Este modelo sugere, pois, que se invista em melhorias das tecnologias disponíveis e no aumento da educação e da formação como forma de aumentar o capital humano e fazer crescer a economia.


Finalmente, o modelo de Romer (modelo “ak”) conclui principalmente que o progresso técnico, que no modelo anterior é "exterior" ao modelo e algo dependente da vontade dos homens, é “endógeno” ao crescimento económico pois mais crescimento e mais progrsso técnico trazem consigo mais recursos para a investigação científica e sua aplicação à produção: quanto mais cresce o produto mais aumenta essa investigação que, por sua vez, se vai repercutir em mais produto e assim sucessivamente, numa como que “espiral” de crescimento que permite “romper” a tendência a se chegar a um “estado estacionário” "à Solow". A política aconselhada é de investir na investigação científica, nomeadamente na ligada à produção.

Temos aqui, de uma forma necessariamente sucinta, algumas lições dos "modelos de crescimento" para a política económica de crescimento. Cadê a "centelha" que faz este passar a "desenvolvimento"?

sábado, 27 de junho de 2015

A dança dos preços


Os preços e, principalmente, a sua variação ao longo do tempo (por exemplo um ano) são um dos principais indicadores sobre a saúde de uma economia. 
Uma taxa de variação muito baixa (próxima de zero ou mesmo negativa = preços a descerem) é normalmente sinal de que a economia anda a "passo de caracol", virtualmente estagnada; uma taxa moderada (uns 2-3%/ano) é genericamente considerada com uma taxa "boa" porque desempenha o mesmo papel que o sal com conta-peso-e-medida desempenha num bom cozinhado: espevita o sabor, neste caso "dá um empurrãozinho" na economia e no crescimento económico porque incentiva o investimento sem desincentivar os consumidores, que conseguem "absorver" a ligeira queda do seu poder de compra; finalmente, uma taxa demasiado elevada --- lá para os lados dos 5-7% ou mais --- é sinal de que anda dinheiro a mais na economia ou de que há um qualquer desequilíbrio nela que deixa os agentes económicos desconfiados pois o cálculo económico fica mais complicado (compro hoje antes que os preços subam mais? Não invisto porque não sei se os preços vão aumentar ou diminuir no futuro próximo e assim não sei determinar a taxa de rendibilidade do meu investimento?!...). 

Há numa economia principalmente duas "taxas de inflação" --- taxas de variação dos preços --- que interessa acompanhar: a dos preços no consumidor (a "taxa de inflação" em que se pensa quando se fala dela) e a dos preços no conjunto da economia (bens de consumo, bens de investimento, etc). Esta última é a definida pelo chamado "deflator do PIB".

No quadro abaixo podem ver os dados da "taxa de inflação" (no consumidor) mensal e homóloga para o mês de Maio de 2015 (mês passado).


No gráfico abaixo pode ver-se a evolução das taxas de inflação "no consumidor" e do "deflator do PIB" entre 2006 e 2013 em Timor Leste.


Como se pode verificar, na maior parte dos anos a taxa de inflação do conjunto da economia ("deflator do PIB") foi inferior à da inflação no consumidor (que é uma parte do conjunto da economia, juntamente com a verificada nos bens de investimento, no consumo público, etc). Este é um resultado relativamente vulgar noutras economias.

"Deflator do PIB
O deflator do PIB é uma estatística simples calculada pela divisão do PIB nominal pelo PIB real multiplicados por cem. Como o PIB nominal e o PIB real serão iguais nos anos base, o deflator do PIB neste ano deve ser igual a cem. A importância do deflator do PIB é refletir as mudanças que ocorrem nos preços do mercado e, portanto, é usado para controlar o nível médio de preços em dada economia. O cálculo da taxa de inflação de um determinado ano leva em consideração, geralmente, o deflator do PIB deste ano em relação à mesma estatística referente ao ano anterior." (vdhttps://pt.wikipedia.org/wiki/Produto_interno_bruto )




terça-feira, 23 de junho de 2015

Informações sobre o mercado mundial do gás e do petróleo

Fluxos internacionais de petróleo bruto


Fluxos internacionais e gás natural (por pipeline ou sob a forma líquida (LNG) para transporte por navio


Evolução do preço médio do petróleo bruto (USD/barril); valores nominais (verde escuro) e valores reais a preços de 2014 (verde claro)


Preços médios de importação do gás natural por principais países clientes (preço no destino incluindo custo, seguro e frete --- CIF)


A produção de electricidade usa uma quota cada vez maior de energias primárias, com o petróleo a reduzir muito a sua importância, o carvão (a fonte mais importante) a diminuir lentamente, o gás estável e as energias renováveis aumentando a sua quota parte.