Segundo comunicado de imprensa do Conselho de Ministros, este aprovou na passada quarta-feira, dia 7OUT09, o OGE/2010.
As verbas das despesas distribuem-se da seguinte forma pelas principais rubricas (em milhões de USD e %):
Salários e vencimentos: 97,7 (15,3 %) (2009: 93 milhões)
Bens e serviços: 207,7 (32,6 %) (2009) (2009: 248 milhões)
Capital menor: 28,8 (4,5 %) (2009: 38 milhões)
Capital de desenvolvimento: 216,8 (34 %) (2009: 205 milhões)
Transferências: 85,9 (13,5 %) (2009: 96 milhões)
Tudo soma 636,9 milhões de USD (681 em 2009; houve agora uma redução de 6,5%), que inclui as despesas das entidades autónomas (29 milhões).
As receitas, incluindo as do Fundo Petrolífero mas excluindo as provenientes dos doadores, serão de 1480,4 milhões de USD. Como as receitas não-petrolíferas serão de cerca de 87,3 milhões, o défice fiscal (total das receitas não-petrolíferas menos as despesas totais) será de cerca de 550 milhões de USD a financiar quase integralmente pelas transferências provenientes do Fundo Petrolífero numa verba que não é especificada no comunicado de imprensa do Conselho de Ministros.
Esperemos pelo documento final para ver esta e outras informações relevantes. Para já constatemos dois factos a assinalar (e aplaudir): primeiro, o de que a promessa feita em Junho passado de fixar o valor do OGE em 637 milhões de USD foi escrupulosamente cumprida apesar de nas previsões iniciais dos vários ministérios se ultrapassarem os 1000 milhões de USD; segundo, o facto de se ter dado mais um passo para, aparentemente, se estabilizar o valor do orçamento, o que contribuirá para aproximar cada vez mais o orçamentado do que é susceptível de ser, de facto, executado. Mas aqui parece haver ainda mais "trabalho de casa" a fazer...
Significativo é, ainda, o facto de, em relação ao OGE 2009, se terem reduzido as despesas de quase todas as rubricas excepto as de "capital de desenvolvimento" e as de salários (resultantes das alterações salariais introduzidas e, nesse sentido, dificilmente compressíveis). O aumento das despesas de "capital de desenvimento" pode estar relacionado com a construção da(s) central(-is) eléctrica(s), ficando por saber, para já, qual a percentagem destas no total das despesas de investimento e quanto vai "sobrar" para outros investimentos, nomeadamente em estradas, escolas, hospitais, etc.
domingo, 11 de outubro de 2009
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Explicando o IDH-Índice de Desenvolvimento Humano
Na 'entrada' anterior demos informações sobre o Índice de Desenvolvimento Humano para Timor Leste segundo o relatório publicado recentemente pelo PNUD (com base em dados de 2007). Mas afinal o que é "isso" do IDH e qual a sua utilidade?
Nos anos '60 do século passado tornou-se evidente para a maior parte dos observadores que o PIB-Produto Interno Bruto era um "instrumento de medida" muito limitado para medir o desenvolvimento dos países. Seria (será...) bom para medir a produção mas não para retratar, de uma forma sintética essa "coisa" muito mais complexa e multidimensional que era o desenvolvimento.
Na verdade, até aí o conceito mais usado era o de crescimento e o PIB, o PIB per capita e a evolução de ambos ao longo do tempo pareciam ser (eram...) indicadores apropriados para medir tal conceito.
Porém, quando se passa do conceito de crescimento para o de desenvolvimento para tentar juntar ao primeiro outras dimensões da vida humana (ex: saúde, educação, etc), o instrumento de medida que era o PIB deixa de ser eficaz por ser apenas unidimensional. Era necessário, pois, agora que se introduzia outro conceito (o de desenvolvimento) introduzir também um (novo) instrumento para a sua medição.
Na sequência de vários esforços para criar uma "régua" para o desenvolvimento o PNUD, pela mão de Mahmub Ul Haq e de Amartya Sen, criou (1990) o conceito de "desenvolvimento humano" e um instrumento para a sua medida, o IDH.
Para simplificar digamos que este conceito pressupõe que todo o ser humano tem direito a ter uma vida longa e saudável e com satisfação quer das suas necessidades materiais quer das suas necessidades intelectuais. Isto significa que o conceito se refere àquelas que são consideradas as três dimensões essenciais da vida humana: a vida material, a vida intelectual e a saúde.
Sendo um "triângulo" (isósceles?), a sua medição só pode ser feita por um instrumento que cubra as três dimensões. Daí que o Índice de Desenvlvimento Humano seja, no essencial, uma média aritmética simples de três indicadores parciais: o da vida material (o rendimento per capita), o da vida intelectual (para o efeito representada pela educação) e a vida prolongada e saudável (reperesentada pela chamada "esperança de vida à nascença", i.e., o número de anos que, dadas as condições de um determinado momento --- o do nascimento de cada pessoa ---, se pode esperar que essa pessoa venha a viver).
O gráfico abaixo sintetiza a estrutura de cálculo do IDH:
Note-se que o objectivo fundamental do IDH NÃO é o de medir a distância em que se encontram os países uns em relação aos outros, como se de um campeonato se tratasse. Não! O objectivo central é, isso sim, medir a distância em que cada país está, em média, desse objectivo final que é todos os seus cidadãos terem uma plena satisfação das suas necessidades naquelas três dimensões --- o que será representado por um índice igual a "1".
Nos anos '60 do século passado tornou-se evidente para a maior parte dos observadores que o PIB-Produto Interno Bruto era um "instrumento de medida" muito limitado para medir o desenvolvimento dos países. Seria (será...) bom para medir a produção mas não para retratar, de uma forma sintética essa "coisa" muito mais complexa e multidimensional que era o desenvolvimento.
Na verdade, até aí o conceito mais usado era o de crescimento e o PIB, o PIB per capita e a evolução de ambos ao longo do tempo pareciam ser (eram...) indicadores apropriados para medir tal conceito.
Porém, quando se passa do conceito de crescimento para o de desenvolvimento para tentar juntar ao primeiro outras dimensões da vida humana (ex: saúde, educação, etc), o instrumento de medida que era o PIB deixa de ser eficaz por ser apenas unidimensional. Era necessário, pois, agora que se introduzia outro conceito (o de desenvolvimento) introduzir também um (novo) instrumento para a sua medição.
Na sequência de vários esforços para criar uma "régua" para o desenvolvimento o PNUD, pela mão de Mahmub Ul Haq e de Amartya Sen, criou (1990) o conceito de "desenvolvimento humano" e um instrumento para a sua medida, o IDH.
Para simplificar digamos que este conceito pressupõe que todo o ser humano tem direito a ter uma vida longa e saudável e com satisfação quer das suas necessidades materiais quer das suas necessidades intelectuais. Isto significa que o conceito se refere àquelas que são consideradas as três dimensões essenciais da vida humana: a vida material, a vida intelectual e a saúde.
Sendo um "triângulo" (isósceles?), a sua medição só pode ser feita por um instrumento que cubra as três dimensões. Daí que o Índice de Desenvlvimento Humano seja, no essencial, uma média aritmética simples de três indicadores parciais: o da vida material (o rendimento per capita), o da vida intelectual (para o efeito representada pela educação) e a vida prolongada e saudável (reperesentada pela chamada "esperança de vida à nascença", i.e., o número de anos que, dadas as condições de um determinado momento --- o do nascimento de cada pessoa ---, se pode esperar que essa pessoa venha a viver).
O gráfico abaixo sintetiza a estrutura de cálculo do IDH:
Note-se que o objectivo fundamental do IDH NÃO é o de medir a distância em que se encontram os países uns em relação aos outros, como se de um campeonato se tratasse. Não! O objectivo central é, isso sim, medir a distância em que cada país está, em média, desse objectivo final que é todos os seus cidadãos terem uma plena satisfação das suas necessidades naquelas três dimensões --- o que será representado por um índice igual a "1". O facto de Timor Leste ter um IDH de 0,489 significa, portanto, que os seus cidadãos estão ainda bem longe de terem um nível completo --- ou até razoável --- de satisfação das suas necessidades.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Índice de Desenvolvimento Humano de Timor Leste
O PNUD/UNDP-Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento acaba de publicar o seu Relatório do Desenvolvimento Humano de 2009 (com dados estatísticos de 2007). Pode ler aqui um sumário em português.
Quanto a Timor Leste, um quadro síntese da situação e da sua posição em relação a outros países é o seguinte (foi retirado daqui):
O país está em 162º lugar num total de 182 e encontra-se à frente de dois países de língua portuguesa: Moçambique (172º) e a Guiné-Bissau (173º).
O país com maior IDH é (como de costume desde há alguns anos) a Noruega --- a que se segue a Austrália --- e o último da lista é o Niger.
PS - a versão completa do relatório, em português, está AQUI
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Quanto a Timor Leste, um quadro síntese da situação e da sua posição em relação a outros países é o seguinte (foi retirado daqui):
O país está em 162º lugar num total de 182 e encontra-se à frente de dois países de língua portuguesa: Moçambique (172º) e a Guiné-Bissau (173º).O país com maior IDH é (como de costume desde há alguns anos) a Noruega --- a que se segue a Austrália --- e o último da lista é o Niger.
PS - a versão completa do relatório, em português, está AQUI
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Evolução do preço internacional do arroz
A FAO acaba de publicar o seu Rice Market Monitor de Setembro/09. Por ele se pode verificar que os preços do arroz no mercado internacional têm continuado a descer e que, segundo as estimativas da organização, irão continuar a baixar nos meses mais próximos.
Isto é o resultado combinado de vários factores, nomeadamente a chegada ao mercado da 2ª colheita (Verão/Outono) em vários países asiáticos (nomeadamente o Vietname) e da tendência que se tem vindo a registar para a queda de outras matérias primas alimentares (o trigo baixou 30% nos últimos 12 meses).
A título de exemplo desta tendência à queda dos preços, refira-se que o do arroz do Vietname (5% de grãos patidos) baixou de 546 USD/tonelada para 380 USD/ton entre Setembro de 2008 e Setembro de 2009, uma redução de quase 30%. Por sua vez, o arroz da mesma proveniência mas com 25% de grãos partidos viu o seu preço baixar dos 489 USD/ton para os 332 USD/ton, uma diminuição de 32%. O arroz importado do Vietname por Timor Leste tem 15% de grãos partidos, pelo que o seu preço, não especificado na documentação da FAO, se situará algures entre os valores indicados, sendo a sua taxa de variação similar (cerca de 30% nos últimos 12 meses).
Esta evolução permite colocar, mais uma vez, a questão de saber se se justifica ou não manter uma política de subsídio generalizado ao preço do arroz importado. A resposta parece ser, cada vez mais, mais de natureza política que de natureza económica.
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Isto é o resultado combinado de vários factores, nomeadamente a chegada ao mercado da 2ª colheita (Verão/Outono) em vários países asiáticos (nomeadamente o Vietname) e da tendência que se tem vindo a registar para a queda de outras matérias primas alimentares (o trigo baixou 30% nos últimos 12 meses).
A título de exemplo desta tendência à queda dos preços, refira-se que o do arroz do Vietname (5% de grãos patidos) baixou de 546 USD/tonelada para 380 USD/ton entre Setembro de 2008 e Setembro de 2009, uma redução de quase 30%. Por sua vez, o arroz da mesma proveniência mas com 25% de grãos partidos viu o seu preço baixar dos 489 USD/ton para os 332 USD/ton, uma diminuição de 32%. O arroz importado do Vietname por Timor Leste tem 15% de grãos partidos, pelo que o seu preço, não especificado na documentação da FAO, se situará algures entre os valores indicados, sendo a sua taxa de variação similar (cerca de 30% nos últimos 12 meses).
Esta evolução permite colocar, mais uma vez, a questão de saber se se justifica ou não manter uma política de subsídio generalizado ao preço do arroz importado. A resposta parece ser, cada vez mais, mais de natureza política que de natureza económica.
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sábado, 3 de outubro de 2009
Estatísticas Monetárias de Timor Leste
A ABP-Autoridade Bancária e de Pagamentos de Timor Leste, o banco central de facto do país, publica regularmente no seu 'sítio' na internet as estatísticas monetárias do país tal como calculadas pela própria instituição. Estão disponíveis agora as referentes ao mês de Agosto passado.
Um dos principais agregados económicos é a massa monetária. Trata-se de uma variável que, devidamente "controlada" pelo banco central de um país com instrumentos apropriados (ex: venda e compra de títulos da dívida pública e outros) pode ajudar a controlar a taxa de inflação, além de ajudar a controlar a taxa de juro no mercado.
Em Timor, como se sabe, não há dívida pública e por isso a ABP quase que não tem controlo sobre a massa monetária --- o que, indirectamente, não pode influenciar nem a taxa de juro (e através dela o investimento privado) nem a taxa de inflação.
Pelos dados disponíveis verifica-se que a oferta monetária em Timor Leste aumentou 14,9% entre Agosto de 2008 e Agosto de 2009, um valor muito superior ao da taxa de inflação verificada no período (que, segundo os dados publicados pela Direcção Nacional de Estatística até terá sido negativa em quase 3% em boa parte devido ao facto de em Agosto do ano passado se terem atingido níveis elevados dos preços de vários produtos fundamentais, como o arroz e os combustíveis; vidé 'entrada' mais abaixo).
Esta diferença entre as taxas de crescimento dos preços e da massa monetária pode ser interpretado com um indicador indirecto de que a taxa de inflação em Timor Leste está mais dependente de factores externos (preços de bens importados) que de factores internos, nomeadamente a variação da massa monetária.

Esclareça-se que a esmagadora maioria da massa monetária tal como calculada pela ABP é constituída pelo conjunto dos depósitos existentes no sistema bancário, particularmente na banca comercial.
Um outro agregado monetário que interessa acompanhar é o volume de crédito à economia, particularmente o crédito do sector bancário ao sector privado do país. A evolução desse agregado entre os meses de Agosto de 2008 e de 2009 figura no gráfico abaixo.
Por ele se pode verificar que, ainda que com oscilações (perfeitamente naturais) ao longo do tempo, há uma tendência crescente do volume de crédito concedido, o que é muito positivo. A taxa de variação do crédito entre os dosi meses homólogos (Agosto) de 2008 e 2009 foi de 7,2%, bem acima da taxa de inflação.

Se compararmos os valores dos depósitos no sistema bancário (a grande fonte de financiamento dos bancos e que lhes permite emprestarem dinheiro a crédito) com os do crédito concedido (cerca de 200 e de 104 milhões de USD, respectivamente, em Agosto passado) concluimos que há um alto nível de liquidez do sistema bancário que lhe permitirá financiar um volume muito maior de projectos de investimento SE APARECEREM PROJECTOS VIÁVEIS. A maior dificuldade para o aumento do crédito parece ser esta e não a escassez de recursos para emrpestar nem, tãopouco, acreditamos, a taxa de juro dos empréstimos.
Quanto a esta, assistiu-se desde o início do ano (pelo menos) a uma sua redução em resultado do facto de um dos bancos, o mais importante na concessão de empréstimos, praticar, ao contrário dos demais, uma taxa de juro variável com a evolução da taxa de juros LIBOR (taxa de juro dos empréstimos interbancários em Londres) em dólares.
Assim, a taxa média de juro para os empréstimos em Timor Leste era de 11,6% no início de 2009 e em Agosto tinha baixado para os 11%, uma redução relativamente reduzida face à verificada nas taxas internacionais que se fica a dever ao facto de na taxa de Timor haver uma componente fixa muito importante. Note-se, porém, quee sta é a taxa média; as melhores empresas/projectos conseguem taxas de juro mais baixas, eventualmente no intervalo dos 8-9%, sensivelmente.
Como a taxa de juros LIBOR tem tendência a estabilizar-se antes de começar a subir proximamente em resultado da reanimação da actividade económica nos países economicamente mais avançados, é provavel que ela só comece a subir mais nitidamente dentro de alguns (poucos...) meses.
Um dos principais agregados económicos é a massa monetária. Trata-se de uma variável que, devidamente "controlada" pelo banco central de um país com instrumentos apropriados (ex: venda e compra de títulos da dívida pública e outros) pode ajudar a controlar a taxa de inflação, além de ajudar a controlar a taxa de juro no mercado.
Em Timor, como se sabe, não há dívida pública e por isso a ABP quase que não tem controlo sobre a massa monetária --- o que, indirectamente, não pode influenciar nem a taxa de juro (e através dela o investimento privado) nem a taxa de inflação.
Pelos dados disponíveis verifica-se que a oferta monetária em Timor Leste aumentou 14,9% entre Agosto de 2008 e Agosto de 2009, um valor muito superior ao da taxa de inflação verificada no período (que, segundo os dados publicados pela Direcção Nacional de Estatística até terá sido negativa em quase 3% em boa parte devido ao facto de em Agosto do ano passado se terem atingido níveis elevados dos preços de vários produtos fundamentais, como o arroz e os combustíveis; vidé 'entrada' mais abaixo).
Esta diferença entre as taxas de crescimento dos preços e da massa monetária pode ser interpretado com um indicador indirecto de que a taxa de inflação em Timor Leste está mais dependente de factores externos (preços de bens importados) que de factores internos, nomeadamente a variação da massa monetária.

Esclareça-se que a esmagadora maioria da massa monetária tal como calculada pela ABP é constituída pelo conjunto dos depósitos existentes no sistema bancário, particularmente na banca comercial.
Um outro agregado monetário que interessa acompanhar é o volume de crédito à economia, particularmente o crédito do sector bancário ao sector privado do país. A evolução desse agregado entre os meses de Agosto de 2008 e de 2009 figura no gráfico abaixo.
Por ele se pode verificar que, ainda que com oscilações (perfeitamente naturais) ao longo do tempo, há uma tendência crescente do volume de crédito concedido, o que é muito positivo. A taxa de variação do crédito entre os dosi meses homólogos (Agosto) de 2008 e 2009 foi de 7,2%, bem acima da taxa de inflação.

Se compararmos os valores dos depósitos no sistema bancário (a grande fonte de financiamento dos bancos e que lhes permite emprestarem dinheiro a crédito) com os do crédito concedido (cerca de 200 e de 104 milhões de USD, respectivamente, em Agosto passado) concluimos que há um alto nível de liquidez do sistema bancário que lhe permitirá financiar um volume muito maior de projectos de investimento SE APARECEREM PROJECTOS VIÁVEIS. A maior dificuldade para o aumento do crédito parece ser esta e não a escassez de recursos para emrpestar nem, tãopouco, acreditamos, a taxa de juro dos empréstimos.
Quanto a esta, assistiu-se desde o início do ano (pelo menos) a uma sua redução em resultado do facto de um dos bancos, o mais importante na concessão de empréstimos, praticar, ao contrário dos demais, uma taxa de juro variável com a evolução da taxa de juros LIBOR (taxa de juro dos empréstimos interbancários em Londres) em dólares.
Assim, a taxa média de juro para os empréstimos em Timor Leste era de 11,6% no início de 2009 e em Agosto tinha baixado para os 11%, uma redução relativamente reduzida face à verificada nas taxas internacionais que se fica a dever ao facto de na taxa de Timor haver uma componente fixa muito importante. Note-se, porém, quee sta é a taxa média; as melhores empresas/projectos conseguem taxas de juro mais baixas, eventualmente no intervalo dos 8-9%, sensivelmente.
Como a taxa de juros LIBOR tem tendência a estabilizar-se antes de começar a subir proximamente em resultado da reanimação da actividade económica nos países economicamente mais avançados, é provavel que ela só comece a subir mais nitidamente dentro de alguns (poucos...) meses.
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sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Post Scriptum da 'entrada' anterior
"Voz" amiga chamou-me a atenção para o facto de os 20% de importações com origem em Singapura não serem, na verdade e na sua maioria... de Singapura.
De facto, a cidade-Estado é um entreposto comercial para toda a região do Sudeste Asiático e ali afluem mercadorias oriundas de outros países que depois são comercializadas na região por empresas singaporeanas.
É o caso também de Timor Leste. Mais, diz a minha fonte/leitor que uma parte significativa dos produtos oriundos daquela cidade são, na verdade, provenientes da China, o que faz aumentar a parte deste país nas importações de Timor Leste bem para além dos 3,3% com que ela aparece nas estatísticas.
Relembre-se que estes dados dizem respeito aos primeiros 8 meses de 2009. A construção da central eléctrica de Hera não deixará de se repercutir no aumento significativo do valor das importações vindas da China. O que em si mesmo, não tem que ser objecto de um juízo de valor.
De facto, a cidade-Estado é um entreposto comercial para toda a região do Sudeste Asiático e ali afluem mercadorias oriundas de outros países que depois são comercializadas na região por empresas singaporeanas.
É o caso também de Timor Leste. Mais, diz a minha fonte/leitor que uma parte significativa dos produtos oriundos daquela cidade são, na verdade, provenientes da China, o que faz aumentar a parte deste país nas importações de Timor Leste bem para além dos 3,3% com que ela aparece nas estatísticas.
Relembre-se que estes dados dizem respeito aos primeiros 8 meses de 2009. A construção da central eléctrica de Hera não deixará de se repercutir no aumento significativo do valor das importações vindas da China. O que em si mesmo, não tem que ser objecto de um juízo de valor.
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Informações sobre as importações de Timor Leste
Nos gráficos abaixo estão informações sobre o valor pago pelas importações de veículos e de arroz nos últimos anos. Note-se que os valores de 2006 e 2007 estão (muito?) subavaliados porque, por causa da instabilidade política do país em 2006 e da queima do edifício das Alfândegas de Timor Leste em 2007, os dados desses anos estão muito incompletos.

Os valores das importações de cereais (essencialmente arroz) em 2008 e 2009 reflectem, principalmente os de 2008, os preços mais elevados do arroz no mercado internacional mas houve também, certamente, um aumento da quantidade importada.

Em ambos os gráficos acima os valores de 2009 correspondem apenas ao período entre Janeiro e Agosto deste ano.
A importação de arroz em 2009 concentrou-se essencialmente nos dois primeiros meses, quando foi importado um valor superior ao de todo o ano de 2008 apesar da tendência à baixa dos preços no mercado internacional.
No gráfico abaixo apresenta-se a estrutura das importações de Timor Leste durante os primeiros oito meses de 2009.

Os valores das importações de cereais (essencialmente arroz) em 2008 e 2009 reflectem, principalmente os de 2008, os preços mais elevados do arroz no mercado internacional mas houve também, certamente, um aumento da quantidade importada.
Em ambos os gráficos acima os valores de 2009 correspondem apenas ao período entre Janeiro e Agosto deste ano.
A importação de arroz em 2009 concentrou-se essencialmente nos dois primeiros meses, quando foi importado um valor superior ao de todo o ano de 2008 apesar da tendência à baixa dos preços no mercado internacional.
No gráfico abaixo apresenta-se a estrutura das importações de Timor Leste durante os primeiros oito meses de 2009.
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quinta-feira, 1 de outubro de 2009
World Economic Outlook do FMI, edição de Outubro
Foi hoje disponibilizada a edição do Outono do World Economic Outlook editado pelo Fundo Monetário Internacional.
A previsão do relatório em relação ao preço médio do petróleo em 2009 e em 2010 é a de que será de 61,53 USD por barril em 2009 e de 76,50 USD/barril em 2010, mantendo-se (em termos reais) este valor para os anos seguintes (médio prazo).

Recorde-se que no Orçamento de 2009 se previu que o preço médio seria de 60 USD/barril e que foi esse o valor utilizado para calcular o valor do "rendimento sustentável" transferível para financiar o OGE. Aguardemos o OGE de 2010 para ver qual a estimativa do preço do petróleo que vai ser utilizada.
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A previsão do relatório em relação ao preço médio do petróleo em 2009 e em 2010 é a de que será de 61,53 USD por barril em 2009 e de 76,50 USD/barril em 2010, mantendo-se (em termos reais) este valor para os anos seguintes (médio prazo).

Recorde-se que no Orçamento de 2009 se previu que o preço médio seria de 60 USD/barril e que foi esse o valor utilizado para calcular o valor do "rendimento sustentável" transferível para financiar o OGE. Aguardemos o OGE de 2010 para ver qual a estimativa do preço do petróleo que vai ser utilizada.
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Índice de Preços no Consumidor (IPC) e taxa de inflação em Dili
A Direcção Nacional de Estatística do Ministério das Finanças divulgou os valores do IPC em Agosto. Com base nele é possível determinar a taxa de inflação (mensal, homóloga e média).
No gráfico abaixo representa-se a evolução do IPC desde Janeiro de 2008 até Agosto passado.
Nele figuram os dados para o IPC de todos os grupos de produtos, o mesmo mas sem as despesas coma habitação e, finalmente, o grupo dos bens alimentares. Estes, lembra-se, representam 56,7% do total dos produtos do "cabaz de compras" utilizado para o cálculo Índice.
A representação gráfica sugere que, nomeadamente devido à subida dos preços alimentares --- na verdade, o preço do arroz --- mas também à dos combustíveis (embora estes representem uma fracção reduzida do "cabaz", pouco mais de 1,4%), os preços subiram rapidamente entre Janeiro de 2008 e Agosto desse ano e depois abrandaram o seu crescimento, tendo mesmo, em alguns meses, diminuído de valor.
Para tal abrandamento contribuiram quer a venda de arroz a preço subsidiado quer a queda do preço dos combustíveis.
Desde o primeiro trimestre deste ano os preços, no seu conjunto, têm-se mantido relativamente estáveis, traduzindo-se isso numa taxa mensal de inflação muito perto do zero (ver gráfico abaixo).

Se utilizarmos os valores divulgados para calcular a taxa homóloga de inflação (i.e., a variação total de preços entre os meses de Agosto de 2008 e Agosto de 2009) concluimos que nesse período os preços terão baixado, no total, cerca de 2,5%, o que é justificável pelo facto de o valor de Agosto do ano passado ter sido o mais elevado de todo o período aqui ilustrado (IPC=149,7) e pela refrida política de venda de arroz subsidiado.
Se calcularmos a média do IPC dos primeiros 8 meses deste ano e a compararmos com a média do mesmo período do ano passado (i.e., a variação da média de Jan-Ago/2009 relativamente à média do IPC de Jan-Ago/2008) o valor obtido para a taxa média de inflação no período é de 1,3%. Recorde-se que a estimativa do FMI para a taxa média de 2009 (os 12 meses de 2009 relativamente aos 12 de 2008; a taxa calculada acima usa apenas 8 meses e não 12) é de 2%.
Finalmente, uma nota que é, afinal, repetir o que se tem dito tantas e tantas vezes: a necessidade de rever urgentemente a base de cálculo do IPC e, principalmente, o cabaz de compras (e o peso relativo de cada produto) utilizado actualmente pois há a sensação de que os valores actuais não correspondem à taxa de inflação que as pessoas defrontam efectivamente no seu dia-a-dia.
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No gráfico abaixo representa-se a evolução do IPC desde Janeiro de 2008 até Agosto passado.
Nele figuram os dados para o IPC de todos os grupos de produtos, o mesmo mas sem as despesas coma habitação e, finalmente, o grupo dos bens alimentares. Estes, lembra-se, representam 56,7% do total dos produtos do "cabaz de compras" utilizado para o cálculo Índice.
A representação gráfica sugere que, nomeadamente devido à subida dos preços alimentares --- na verdade, o preço do arroz --- mas também à dos combustíveis (embora estes representem uma fracção reduzida do "cabaz", pouco mais de 1,4%), os preços subiram rapidamente entre Janeiro de 2008 e Agosto desse ano e depois abrandaram o seu crescimento, tendo mesmo, em alguns meses, diminuído de valor.Para tal abrandamento contribuiram quer a venda de arroz a preço subsidiado quer a queda do preço dos combustíveis.
Desde o primeiro trimestre deste ano os preços, no seu conjunto, têm-se mantido relativamente estáveis, traduzindo-se isso numa taxa mensal de inflação muito perto do zero (ver gráfico abaixo).

Se utilizarmos os valores divulgados para calcular a taxa homóloga de inflação (i.e., a variação total de preços entre os meses de Agosto de 2008 e Agosto de 2009) concluimos que nesse período os preços terão baixado, no total, cerca de 2,5%, o que é justificável pelo facto de o valor de Agosto do ano passado ter sido o mais elevado de todo o período aqui ilustrado (IPC=149,7) e pela refrida política de venda de arroz subsidiado.
Se calcularmos a média do IPC dos primeiros 8 meses deste ano e a compararmos com a média do mesmo período do ano passado (i.e., a variação da média de Jan-Ago/2009 relativamente à média do IPC de Jan-Ago/2008) o valor obtido para a taxa média de inflação no período é de 1,3%. Recorde-se que a estimativa do FMI para a taxa média de 2009 (os 12 meses de 2009 relativamente aos 12 de 2008; a taxa calculada acima usa apenas 8 meses e não 12) é de 2%.
Finalmente, uma nota que é, afinal, repetir o que se tem dito tantas e tantas vezes: a necessidade de rever urgentemente a base de cálculo do IPC e, principalmente, o cabaz de compras (e o peso relativo de cada produto) utilizado actualmente pois há a sensação de que os valores actuais não correspondem à taxa de inflação que as pessoas defrontam efectivamente no seu dia-a-dia.
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República Popular da China: 60 anos bem vividos...
A RPChina faz hoje 60 anos! Parabéns!...
Ao longo destas seis décadas decorridas desde que Mao Tse Tung, em 1 de Outubro de 1949, proclamou a vitória dos comunistas na guerra civil contra os nacionalistas e a criação da República Popular da China, o país conheceu uma grande evolução. Nos primeiros anos e até 1976, data da morte de Mao, essa evolução conheceu muitos anos de "involução" mas a partir das reformas económicas introduzidas no final de 1978 tudo começou a mudar e o país é hoje uma sombra (grande...) do que era até então.
A China está, aparentemente, a retomar o papel central na cena mundial que desempenhou até ao momento em que, no século XVI e em consequência directa dos descobrimentos portugueses, o mundo começou a mudar e a "recentrar-se" da Ásia Oriental (China) e do Sul (Índia) para o Atlântico (Europa, primeiro, Estados Unidos, depois).


Ao longo destas seis décadas decorridas desde que Mao Tse Tung, em 1 de Outubro de 1949, proclamou a vitória dos comunistas na guerra civil contra os nacionalistas e a criação da República Popular da China, o país conheceu uma grande evolução. Nos primeiros anos e até 1976, data da morte de Mao, essa evolução conheceu muitos anos de "involução" mas a partir das reformas económicas introduzidas no final de 1978 tudo começou a mudar e o país é hoje uma sombra (grande...) do que era até então.
A China está, aparentemente, a retomar o papel central na cena mundial que desempenhou até ao momento em que, no século XVI e em consequência directa dos descobrimentos portugueses, o mundo começou a mudar e a "recentrar-se" da Ásia Oriental (China) e do Sul (Índia) para o Atlântico (Europa, primeiro, Estados Unidos, depois).


(in 'sítio' da BBC)
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