quinta-feira, 16 de julho de 2009

Evolução recente do preço do café no mercado internacional

A colheita de café este ano foi, como se esperava face à boa colheita do ano passado, relativamente fraca. O Ministério da Agricultura estima que seja menos cerca de 30% que no ano passado mas algumas pessoas que acompanham de perto esta cultura em Timor Leste chegam afalar em quebras de 50% ou mais.

Entretanto o mercado internacional do café tem conhecido uma evolução negativa nos últimos dias/semanas, particularmente quanto ao "arábica" (other mild arabicas), mais importante para Timor Leste, que viu o seu preço no mercado de Nova York descer de 160,25 cents/lb no início de Junho para 137,63 no fim do mesmo mês e para 133,75 cents/lb (1 kg = 2,2 lb).

Correspondendo a esta queda, terá havido uma queda de 1,5 USD/kg para cerca de 1,0 USD/kg no preço pago aos produtores em Timor Leste, uma quebra que parece ser maior que a do preço no mercado internacional.

A OIC (Organização Internacional do Café; www.ico.org) publicou recentemente o seu boletim mensal de Junho de que destacamos as duas primeiras páginas:


sábado, 11 de julho de 2009

Comunicado do FMI sobre a sua análise anual da economia de Timor



Uma nota final, quase um "Post Scriptum": a taxa de inflação para Março aqui indicada é de 2,7% mas a que resulta das estatísticas oficiais é de 4,2%, como se pode verificar na 'entrada' anterior. Explicação?

sexta-feira, 10 de julho de 2009

A taxa de inflação em Dili

Segundo números da "Estatística" de Timor Leste, a taxa de inflação homóloga de Maio passado (i.e., a variação de preços entre Maio de 2008 e Maio deste ano) foi... negativa (-0,3%)! Isto significa que, em média e em geral, os preços de todos os produtos que servem para calcular o Índice de Preços no Consumidor e, com ele, ataxa de inflação, terão diminuído cerca de 0,3% entre os meses de Maio dos dois anos referidos.

Naturalmente que esta evolução "em média e em geral" esconde variações diferenciadas de muitos produtos e grupos de produtos. Assim, por exemplo, os "transportes" terão diminuído 11,8% enquanto que a "carne e seus derivados" aumentou 13,1%. Os "cereais e seus derivados", individualmente o grupo d eprodutos com maior peso na estrutura de consumo dos timorenses (13,1% do total consumido em cada família), baixaram 9,1%.

Infelizmente não dispomos de dados suficentemente detalhados para distrinçar entre aquilo que poderemos designar como "inflação importada" (por via dos preços dos bens importados) e o que seria uma "inflação nacional" (dos produtos de origem quase exclusivamente nacional). No entanto, o facto de a taxa de inflação ter descido "acompanhando" a descida dos preços dos grupos "cereais" e "transportes" (onde preponderam o arroz e os combustíveis, respectivamente) dão uma ideia da importância que a inflação importada nem no processo da formação da inflação em Timor Leste.

Os registos da inflação verificada em cada mês ajudam a compreender melhor a tendência significativamente descendente da taxa de inflação verificada no país.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Execução orçamental do primeiro trimestre deste ano

A Direcção Geral do Tesouro divulgou os números da execução orçamental do primeiro trimestre de 2009. Veja abaixo alguns dos números publicados:

Note-se a frase final da imagem acima, em que se refere que as despesas efectivamente pagas por caixa representam 11% do total das despesas orçamentadas --- equivalentes a 76,6 milhões USD --- mas que se se adicionarem os compromissos e obrigações assumidos até agora relativos a subvenções (subsídios de vária natureza), bens e serviços e "capital menor", a taxa de execução passa a ser de 57% do orçamentado.

De notar igualmente o facto de, dos 589 milhões de USD que o governo está autorizado pelo Parlamento Nacional a levantar do Fundo Petrolífero, nenhum levantamento ter sido feito durante o primeiro trimestre.

Quanto às receitas é de salientar a baixa percentagem de receitas fiscais cobradas do comércio internacional (importações). Tal percentagem (6%) é explicada pelas baixas taxas alfandegárias actualmente praticadas. Note-se que em muitos países em desenvolvimento esta percentagem tende a ser maior devido à estrutura do seu sistema fiscal, em que os impostos sobre o comércio internacional tendem a ser mais importantes devido à facilidade do processo da sua cobrança.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

(Quase) suspensão temporária dos trabalhos...

Encontrando-me presentemente a desempenhar funções de consultor económico do "banco central" de Timor Leste, a Autoridade Bancária e de Pagamentos (ABP), não me parece ético debruçar-me aqui sobre questões da economia do país pois corro o risco de ser (mal) interpretado como transmitindo posições oficiosas (no mínimo...) da instituição a que estou (agora) ligado. O que NUNCA seria o caso.
Assim sendo, decidi "hibernar" o mais possível, limitando-me a, de quando em vez, dar sinal de vida com informações económicas que me parecem pertinentes mas sem tecer grandes comentários sobre elas. A não ser, por exemplo, nos casos de informações que não digam directamente respeito à economia do país ou, dizendo-o, sejam relativamente "neutras".

Por exemplo, registe-se aqui a grande queda que se espera este ano para a colheita do café em Timor Leste depois de, no ano passado, se ter verificado uma colheita boa. Um cultivador disse-me que espera colher cerca de 1 ton contra as 6 do ano passado. Outro informador diz-me que a queda, que é real, se deve situar, provavelmente, nos cerca de 50%, variando de região para região do país e dependendo da idade das plantas, com as mais velhas --- a maioria? --- a sofrerem a maior queda de produção.
Trata-se de um ciclo normal de colheitas boas e más a que não são estranhas alterações do clima provocadas, nestas paragens, pela sucessão de ciclos de "El Niño" e de "La Niña".

Esta queda da produção verificou-se também num dos principais produtores mundiais de "arabicas", a Colômbia, levando o preço destes cafés a aumentar significativamente (p.ex, em Maio de 2008 o preço do arábica da Colômbia estava a cerca de 3,16 USD/Kg no mercado de Nova York e em Maio passado esteve a 4,97 USD/kg.
O café robusta, por sua vez, baixou de preço (de 2,42 USD/Kg para 1,70 USD/kg no mesmo período).

Resultado: espera-se para este ano uma queda importante das receitas de exportação de café do país, dependendo a importância da queda do valor da evolução do preço que se verificar, particularmente do "arábica", o de melhor qualidade. Muitos produtores estarão a atrasar a venda do café que produziram na esperança de o preço, face à queda da produção, aumentar.

terça-feira, 16 de junho de 2009

OGE 2010: 637 milhões USD

Segundo o jornal Diário de hoje o Primeiro-Ministro terá dito que o valor total do OGE para 2010 é de 637 milhões USD. Este valor deve ser comparado com os 681 milhões do Orçamento deste ano e com os 602 de 2008 (dos quais foram executados "por caixa" apenas 480 milhões).
Segundo a notícia e na sequência do que já constava de informações anteriormente divulgadas oficialmente, os sectores prioritários para a realização dos investimentos "de desenvolvimento" não estão ainda completamente definidos --- incluindo "quem" "fica" com o "quê".

Este valor para o OGE2010 confirma a tendência já salientada anteriormente em comunicado oficial de que ele seria inferior ao de 2009 (-6,5% que o deste ano). Os cortes, a acreditar no que já tinha sido divulgado, ter-se-ão registado principalmente nas despesas em "bens e serviços" e em "capital menor".
Note-se, porém, que as percentagens de "cortes" divulgadas anteriormente (menos 40% no "capital menor" e 30% nos "bens e serviço") representariam só por si e no conjunto uma diminuição de cerca de 75 milhões de USD em relação ao orçamento em vigor. Como o corte de 6,5% acima referido corresponde a cerca de 45 milhões de USD isto pode significar uma de duas coisas (ou uma qualquer combinação de ambas):
a) ou os "cortes" efectuados naquelas rubricas foram menores do que definido inicialmente (por "resistência" dos serviços a procederem às reduções anunciadas eventualmente "ameaçando" com perda de eficiência dos serviços? Por se ter concluído que as receitas estimadas permitirão um 'aperto' menor que o inicialmente previsto?); e/ou
b) parte das "poupanças" efectuadas com os "cortes" anunciados e efectivamente realizados vão ser canalizadas para aumentar outras rubricas, principalmente as de "capital de desenvolvimento" (o mais provável?).

Teremos de esperar mais para saber "as linhas com que se cose" o OGE2010. Isto pressupondo que ele está a ser "cosido" e não "cozido"...

quinta-feira, 11 de junho de 2009

... e de volta ao preço do petróleo!

Os leitores mais interessados no assunto aproveitam a visita a este blog para espreitarem a cotação do petróleo aqui ao lado (esquerdo).
Notarão, nomeadamente, que depois de uma fase descendente do preço voltámos a assistir a uma subida que levou o crude a passar a barreira dos 70 USD/barril.
O gráfico abaixo dá uma visão do que são as perspectivas actuais sobre a evolução desse preço nos próximos meses.


Pelo quadro pode verificar-se que as expectativas (pelo menos as da empresa que divulga estes dados) vão no sentido de tal preço médio atingir o pico durante este mês e depois entrar numa fase de progressiva diminuição que o fará baixar até à média de 32 USD/barril em Dezembro deste ano.
Confesso que acho muita "fartura". Na verdade, a confirmarem-se os sinais de alguma retoma económica nos Estados Unidos (e, devagarinho, na UE), a tendência será para que haja um aumento da procura que poderá "amortecer" a baixa aqui prevista para o preço do petróleo, fazendo com que ele diminua menos que o que aqui estimado.
Já estou como o outro: "Prognósticos só no fim do jogo!..."

quarta-feira, 10 de junho de 2009

... e de preços do arroz?

A FAO, a agência especializada da ONU para a alimentação e agricultura, acaba de publicar mais um boletim sobre o mercado mundial do arroz e seus preços.
Por ele se pode verificar que estes, depois de terem atingido o "pico" do seu preço médio em Maio de 2008, não têm parado de baixar e encontram-se hoje a um nível que é, em geral, menos de metade do de há um ano atrás.
Por exemplo, o "Viet 5%" estava há um ano nos quase 1000 USD por tonelada e hoje (média de Maio/09) está nos cerca de 426 USD/ton.
Por sua vez, o "Thai A1 Super" uma das referências do mercado mundial, está a 316 USD/Ton quando há um ano estava a 772 USD/Ton.



Isto significa, na prática, que a saca de 35 kg de arroz tailandês custava, no porto de Bangkok, cera de 27 USD e hoje custa apenas 11 USD. Claro que para determinar o preço em Dili há que adicionar outros custos, desde o do transporte até ao do seguro. E, claro, o lucro do(s) comerciante(s) envolvidos no processo.
Estes preços devem ser comparados com os praticados actualmente pelo Governo (10 USD/saca) e os importadores normais (12 USD/saca).
O preço praticado pelo Governo é cerca de 17% mais baixo do que o do mercado livre (2 USD/saca). Este, por sua vez, está hoje a um nível que não difere muito do que foi praticado durante boa parte do tempo nos últimos anos. E isto num contexto em que os níveis de rendimento eram bem mais baixos do que actualmente. Isto é: em termos "reais", de "horas de trabalho", uma saca de arroz custa hoje muito menos do que custou no passado (com excepção do período, recente, em que o seu preço "disparou" no mercado internacional). Se tomarmos em consideração também a evolução da inflação, este preço é também, "realmente", bem mais baixo do que anteriormente.
Isto pode levar-nos a perguntar se se justificará manter a política de venda de arroz a preço subsidiado --- pelo menos na versão "urbi et orbi" (i.e., "a todos!, a todos!") hoje praticada. Ainda por cima sabendo-se que estes preços estão a fazer pressão sobre os da produção nacional.
Será que a justificação para a manutenção da política de "arroz subsidiado" é agora mais política do que económica? A cada um a sua resposta.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Como vamos de preços do petróleo?

Estamos quase a meio do ano e é altura de começar a deitar contas à vida, nomeadamente quanto às expectativas de receitas do petróleo para o resto do ano.
Estas estão dependentes do que virão a ser os preços do "ouro negro" até ao fim do ano.
A Energy Information Administration, dos Estados Unidos, publicou em 12 de Maio passado a sua análise sobre a evolução dos preços no curto prazo.
Segundo ela:

"The price of West Texas Intermediate (WTI) crude oil is expected to remain relatively flat for the remainder of 2009, averaging about $55 per barrel over the second half of 2009. Assuming a modest economic improvement next year, WTI prices are expected to average about $58 in 2010."

Traduzindo o essencial: as expectativas são de que o preço do petróleo WTI (o dos EUA e de Timor) tenha um preço médio de 55 USD/barril durante a segunda metade de 2009. A confirmar-se a esperada recuperação económica das pricipais economias mundiais em 2010, o preço subirá, nesse ano, para uma média de 58 USD/barril.

Recorde-se que o OGE2009 foi elaborado tendo por base uma expectativa de que o preço médio de 2009 seria de 60 USD/barril, o que não se confirmará. Isto significa que o "rendimento sustentável" será menor que o esperado: a confirmarem-se as referências de que cada variação de 10 USD no preço médio do barril implica uma variação de 85 milhões USD nas receitas a baixa de receitas poderá ser de cerca de 40-50 milhões no ano.
Isto obrigará, em princípio, à redução das despesas previstas para este ano num montante próximo deste.
Resta saber quais os cortes que irão ser feitos.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Pois... Eu bem me pareceu muita fartura!...

Pois é: acabo de saber que afinal o que foi aprovado em Conselho de Ministros não foi o Orçamento mas sim o "processo"/calendarização de organização do dito cujo, bem como uma ou outra orientação geral para a sua elaboração.
Assim, por exemplo, está previsto que o draft do OGE2010 seja aprovado pelo CM em meados de Agosto e que a proposta final o seja em fins de Setembro próximo, seguindo depois para o Parlamento Nacional a fim de ser discutido e aprovado.

Quanto a orientações relativas às despesas salientem-se, quando comparadas com o OGE2009:
a) a manutenção dos níveis salariais --- absolutamente natural depois de o "envelope salarial" do ano passado ter crescido cerca de 80% este ano face ao anterior. Isto significa que a componente "salários" do OGE2010 não vai ser muito diferente da deste ano;
b) a descida em cerca de 30% dos gastos em bens e serviços; e
c) a descida em 40% da despesa prevista para "capital menor".

Decisões sobre as "despesas de capital de desenvolvimento" ficam para mais tarde.

Estes valores, mesmo que não atinjam igualmente todos os Ministérios, confirmam as minhas suspeitas de que vai ser introduzida uma forte redução das despesas do Estado no ano de 2010.
O que, numa lógica de "copo meio cheio ou meio vazio", nos pode levar a colocar a questão de saber se o "mal" não esteve mais no OGE09 do que no que se antevê para 2010... Pessoalmente creio que sim... Esta coisa de orçamentos iô-iô nunca fizeram bem à saúde (macroeconómica de um país)...
Mais: levanta a questão de saber se não valerá a pena ir começando a apertar o cinto desde já, aproveintando para tal a tradicional revisão a meio do ano dos orçamentos anuais. Também creio que sim... Até para evitar os "picos" demasiado acentuados na evolução dos gastos ao longo dos anos.

Mas há outro facto curioso: parece que a previsão é de que haja uma significativa queda da taxa de inflação --- para cerca de 4%. O que nos pode levar a pensar se aqueles que defendiam a criação de uma moeda timorense para que o Banco Central pudesse dispor de instrumentos de política monetária --- e consequente aumento da capacidade de controlo da variação de preços --- têm razão. Se sem a referida criação da moeda nacional a inflação vai descer tanto será que se justifica a criação de moeda com base no argumento do aumento da capacidade de luta contra a inflação? Afinal esta é determinada (em Timor Leste) por razões essencialmente internas ou externas/internacionais? Cremos que as causas internacionais são mais importantes que as internas e nesse sentido e porque o banco central é impotente para travar inflações "importadas" parece-me algo "forçada" a criação da moeda nacional. Esta poderá eventualmente ser justificada mas por outras razões. É assunto demasiado complexo para ser abordado aqui.