sábado, 17 de janeiro de 2009

Ele há com cada um!...

Hoje é dia de falar de Portugal e das nossas maleitas.
Há tempos que ando a remoer esta "coisa" do banco BPN e de todo o romance à volta dele e da falha ou não falha da supervisão bancária. O "copo entornou-se" quando ouvi as declarações de Miguel Cadilhe no nosso parlamento.
Entre muitas outras coisas defendeu a tese de que o Governador do Banco de Portugal lhe devia ter dito, de forma confidencial (sic) e antes de ele tomar posse, que o BPN estava numa grande enrascada evitando-lhe a "chatice" de tomar a direcção do banco para depois ser "defenestrado".
A minha alma ficou parva! Então o Dr. Cadilhe acha que o Governador do Banco Central de um país --- qualquer que ele seja --- tinha a obrigação de não o deixar meter-se na alhada em que se meteu quebrando o sigilo bancário a que está obrigado? Endoidou? Então os accionistas e os anteriores gestores do banco não lhe disseram nada e o Governador é que tinha que dizer antes de ele tomar posse --- isto é, quando não tinha nenhuma ligação institucional ao banco? E se tivesse dito quem garantia que agora o próprio Dr. Cadilhe não estava agora de dedo estendido "dedurando-o" --- adoro esta dos brasileiros!... --- perante a comissão parlamentar que investiga o caso?
Como é possível um homem que foi ministro das Finanças dizer tal coisa? Passou-se!...

Novo blog: as aventuras de dois "malais" na terra "que o Sol, em nascendo, vê primeiro"

Pois é: não resisti a uma boa "provocação" de uma boa amiga e, com ela, criei um novo blog onde se contam, a quatro mãos (até ver...) as aventuras e desventuras de um chinês na China. Credo! Não é nada disto! São as aventuras de dois "malais" -- de facto um "malai" "branco do Tuga" e uma "malaia" "brasuka"... --- em terras de Timor ao longo dos últimos anos.
A base serão, pois, várias "estórias" da nossa experiência do dia a dia e muitas, muitas fotografias do país e das sua gentes.
Ora faça lá o favor de espreitar aqui o blog que intitulámos "O Livro das Contradisoens" por ser uma (aparente) contradição para muita gente que um paraíso, Timor Leste, não tenha grandes centros comerciais para "bater perna", estradas lisinhas como a careca do saudoso Yul Brynner --- leia-se "iul brainer"... --- e uma série de mordomias que, aparentemente, o homem moderno não dispensa.
Boas leituras. E mande as suas "estórias" e as suas fotos de Timor Leste!...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

O "famigerado" inquérito do Banco Mundial e a ainda mais "famigerada" subida da taxa de pobreza em Timor Leste

Já noutra ocasião falei do assunto mas como volta e meia, meia volta andam a invocá-lo como pedra de arremesso da luta política, volto ao assunto até porque quer no "discurso do Orçamento" quer na entrevista de Zacarias da Costa à LUSA o tema é abordado

Que fique claro que NÃO QUERO CONTESTAR OS DADOS (até porque, naturalmente, não tenho outros para lhos contrapor) mas apenas contextualizá-los.

A primeira nota --- e a mais importante --- para que quero chamar a atenção é a de que estes inquéritos são "fotografias" e não "filmes" pois comparam uma situação num momento com outra situação noutro momento, não dando indicações científicas inequívocas sobre o que se passou no intervalo entre os dois momentos (o "filme"). É como as fotografias dos bilhetes de identidade: quando o vamos renovar parece que "aquele" não somos nós.

A segunda nota é a de que estes inquéritos sobre a situação das famílias são "obrigatoriamente" (por decisão do Banco Mundial e de mais ninguém) realizados a cada 5 anos. Ora, tendo o anterior sido realizado em 2001 este deveria ter sido realizado em 2006. Aliás, começou a sê-lo mas teve de ser interrompido por razões que todos conhecemos.
Tive oportunidade de participar numa sessão de apresentação do inquérito, ainda em 2005, e logo ali chamei a atenção para o facto de, sabendo-se que a situação económica se tinha deteriorado em consequência da saída da ONU, não era necessário ser bruxo para adivinhar que a taxa de pobreza deveria ter aumentado.
Mais, chamei a a tenção para o facto de que, face a isto e sabendo-se que estavam previstas eleições para 2007, a publicação dos resultados iria ser, contrariamente ao que normalmente se pretende, um instrumento de luta política.
Como se sabe, o essencial do inquérito foi realizado já em 2007 e não me enganei quanto ao seu uso como arma política --- ainda que pós-eleições.

Mas... e o que dizer dos resultados? Dada a metodologia utilizada é provável que estejam perto da realidade. Porém, o diferencial em relação ao inquérito anterior parece-me algo exagerado. Como é que isso é possível? É se considerarmos que no inquérito anterior a taxa estava subavaliada --- como creio que estava. Isto é, eventualmente devido a erros de metodologia, a percentagem de pobres seria então maior que a que foi "medida" pelo inquérito de 2001. Quem, já nessa altura, andava pelas montanhas do país "pressentia" isso.

Uma última nota relacionada com tudo o que está escrito acima: se o inquérito tivesse sido efectuado em 2006 --- se este ano não tivesse conhecido a balbúrdia que conheceu (para este efeito é indiferente quais os "culpados") --- e não em 2007 os resultados teriam sido diferentes? Creio que sim. E creio que sim porque em 2005 foi possível à economia atingir uma taxa de crescimento "engraçada", de 6,2% (produto não-petrolífero) depois de no ano anterior ter sido de 4,2% (dados do último relatório do FMI realizado ao abrigo do Artº IV dos seus Estatutos, publicado em Junho passado, reproduzidos abaixo).

O que se passou nos anos de 2002 a 2005 (e 2006, claro) faz parte do "filme" mas não é objecto de tratamento específico nestes inquéritos. Por isso eles são "fotografias" que, se tiradas em "dia de vendaval" como esta foi, mostra as personagens com os cabelos todos em pé! O que não quer dizer que 1 hora antes não estivessem todos penteadinhos, com risca ao meio ou à esquerda...
Apesar daquele aumento do produto/rendimento é possível que mesmo assim um inquérito feito numa época "normal" mostrasse alguma subida do nível de pobreza por dois motivos principais: melhoria da metodologia e, com ela, melhor "medição" da situação, por um lado, e um agravamento, creio que indesmentível por quase todos, da situação nas zonas rurais apesar de alguma melhoria nas cidades, particularmente em Dili.

Onde quero chegar com tudo isto? Apenas à conclusão de que nunca devemos "comprar" nada --- nomeadamente estatísticas --- pelo seu valor facial. É ESSENCIAL compreender os fenómenos e usar as estatísticas conhecendo os seus "pros and cons" para não estarmos a engolir gato por lebre... Até porque --- e já o disse--- tanto fico preocupado com uma taxa de 40% de probreza como com uma de 50%!... As políticas económicas a implementar para corrigir uma ou outra não são, no fundo, diferentes.

Assim fala Zaratrusta!... Perdão! Zacarias (da Costa)

Acabei de ler as declarações prestadas (em Lisboa) por Zacarias da Costa à agência LUSA.
Habituei-me já há alguns anos a admirá-lo e estas declarações, independentemente de concordar ou discordar do seu conteúdo e, particularmente, da(s) política(s) que fazem transparecer, são a confirmação de que estamos perante um homem equilibrado e com um "fio condutor" do raciocínio que não é fácil encontrar em muitos outros políticos do país. Um 'gentleman', parece ser "o homem certo no lugar certo".
O "tom" (e, em parte, o conteúdo) das suas palavras demonstram que o país dispõe, na geração mais nova relativamente à que está ao "leme", um conjunto de políticos e de técnicos com que há que contar no futuro.

Quanto às declarações do MNE de Timor, saliento a sinceridade da sua confissão de que "tivemos que utilizar o princípio de comprar a paz. Muitas das famílias que estavam nos campos de deslocados receberam uma boa quantia de dinheiro para poderem reintegrar-se nas suas comunidades".
Daí os muitos milhões que tiveram de, sob vários pretextos, ser transferidos para alguns milhares de famílias.

Uma das críticas que se podem fazer a esta política é o de que a ela teria sido preferível uma em que essas verbas fossem transferidas gradualmente e não todas de "uma assentada". Temo (muitos o temem) que o dinheiro transferido não venha a ter a melhor das utilizações e não ajude a resolver, de facto, os problemas existentes, nomeadamente o da inserção dos "deslocados internos" nas suas comunidades, objectivo declarado da política seguida.
Um indicador indirecto do que poderá ter sido uma das grandes utilizações do dinheiro é a evolução do número de registos de motorizadas ao longo de 2008. Depois de uma fase mais "calma" até à queda das tarifas alfandegárias, em Julho, esses registos "dispararam", tendo duplicado do segundo para o terceiro trimestre. O registo de automóveis, por sua vez, terá aumentado cerca de 50% de um trimestre para o outro. Isto não invalida que muitos tivessem usado também o dinheiro para inciar o processo de "mudar de vida" reconstruindo as suas habitações. É necessário, urgentemente, indagar do que está, de facto, a acontecer. Aí está um bom projecto de investigação para quem de direito na Universidade Nasional Timor-Lorosae ou outra entidade com qualificações para o fazer.

A esta política de tudo pagar "à cabeça", de uma vez só, teria sido preferível uma política de transferências mais espaçadas no tempo ou, por exemplo, uma que incluísse uma transferência inicial de, por exemplo, 50% do total e o restante distribuído ao longo de vários meses, senão mesmo um ano, por exemplo? Creio que, em princípio, teria sido uma alternativa mais aconselhável, nomeadamente se estivesse ligada a uma política de concessão de crédito bonificado para a reconstrução de habitações. Além disso permitiria alguma monitorização da evolução da situação, eventualmente condicionando o pagamento da totalidade da verba ao cumprimento de algumas condições.
Ao que me foi possível apurar a possibilidade de distribuir no tempo o pagamento dos subsídios --- coisa que seria mais aconselhável também para reduzir o impacto sobre a inflação --- chegou a ser equacionada e proposta aos "deslocados internos" mas estes não a aceitaram, não tendo havido, pelos vistos, a força política suficiente para impor outra solução que não a que veio a ser adoptada. Foi o preço da paz... E de tirar os deslocados das três principais "salas de visita" do país/Dili: o aeroporto, o jardim frente ao Hotel Timor e o espaço frente às "Obrigado Barracks"!...

Assim falou Zacarias!...

O "discurso do Orçamento"

O Primeiro Ministro discursou ontem no Parlamento Nacional apresentando o OGE2009. Na verdade não adiantou grande coisa ao que já se sabia pela leitura do documento, o qual já foi aqui comentado quanto aos seus principais aspectos. Por isso nos dispensamos de voltar ao assunto, remetendo o leitor para as "entradas" abaixo em que abordamos o OGE2009.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Produção de energia eléctrica por tipo de combustível

As Key World Energy Statistics para 2008 da Agência Internacional de Energia são um repositório importante de informações sobre a produção e consumo de energia a nível mundial.
Um dos quadros é reproduzido abaixo e dá informação sobre a evolução entre 1973 e 2006 da importância relativa de cada tipo de combustível na produção mundial de electricidade.

De notar particularmente
a) a enorme queda da importância relativa (de cerca de 25% para cerca de 6%) do petróleo ("oil"); e
b) o significativo aumento da importância relativa quer do gás quer da energia nuclear.

Note-se que em relação ao petróleo a descida de percentagem se deve não apenas ao aumento da produção global e da parte de outras fontes mas também à descida do seu próprio nível de produção em termos absolutos: de cerca de 1500 TWh para 1100 TWh (-26%).

"2008: o ano do escangalhamento das instituições do Estado"

Com o título "2008: O ANO DO ESCANGALHAMENTO DAS INSTITUIÇÕES DO ESTADO [1] foi divulgado há dias um texto da autoria do antigo Primeiro-Ministro Mari Alkatiri reunindo um conjunto de críticas às políticas que têm vindo a ser implementadas em diversos domínios pelo actual Governo.
Trata-se de uma peça de luta política e, como tal, entendo que, por princípio, não a devia comentar aqui. Além disso, como se anunciava como sendo um primeiro texto de um conjunto (de quantos?) não faria sentido estar a analisar a "parte" sem ter conhecimento do "todo".
Fico, por isso, à espera de mais.
Porém, deixo aqui apenas uma nota: sendo minha preocupação central a análise e a "tradução por miúdos" de medidas concretas de política económica , tenho tido sempre alguma preocupação em deixar igualmente sugestões do que poderiam ser alternativas concretas de política económica --- também elas susceptíveis de análise crítica, evidentemente --- baseadas naquilo que creio serem "são princípios de Economia e de Política Económica".
Ora, no texto de Mari Alkatiri há mais crítica do que sugestão de alternativas e por isso qualquer análise que se possa fazer do texto não poderá ter o mesmo "registo" que o que se tem feito até agora. Essa é uma das razões porque não comentei o texto referido no que de mais "económico" ele tem.
Sei que não é prática corrente em quase nenhum país do mundo que os partidos de oposição façam sugestões concretas, antes ficando-se muitas vezes pelo simples "bota abaixo" que só serve, muitas vezes, para confirmar o velho dito de que "não mata mas desmoraliza muito". As oposições em Portugal, por exemplo, são exímias nisto: só dizem mal mas não se lhes ouve uma só proposta concreta, o que contribui em boa parte para um certo ambiente de descrença que se vive entre nós. Parece só conhecerem o "pensamento negativo", não ajudando em nada a levantar a moral das hostes...
Era bom que em relação a determinados problemas concretos as oposições, em Timor ou noutro país qualquer, fossem mais "directas ao assunto" e dissessem que criticam esta medida ou aquela por "isto" e/ou por "aquilo" e que se fossem elas fariam "assim" ou "assado"...

Veremos se assim é nos próximos escritos de Mari Alkatiri. Nessa altura voltaremos ao assunto.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Economia do petróleo (e do gás natural)

Alguns pensarão que uso e abuso de referências à evolução dos preços internacionais de bens como o petróleo e o arroz --- além do "preço" do dinheiro, a taxa de juro. É, porém, fácil de entender que se o faço é porque entendo que se trata de preços determinantes para a economia de Timor Leste.
Como me interessa mais "dar uma cana de pesca e ensinar a pescar" que "dar 2 ou 3 peixes", aqui fica a referência a um 'sítio' da internet onde, em português (mas também em inglês) se pode aprender muito sobre a "economia do petróleo" nos nossos dias e no futuro.
Trata-se do 'sítio' da ASPO-Portugal, a Associação para o Estudo do Pico do Petróleo e do Gás.
Nome um bocado 'esquisito', não é? O que é isso do "pico do petróleo e do gás"?
O próprio 'sitio' esclarece do que se trata. Adiantemos apenas que se trata de uma "teoria" que considera que as reservas de petróleo e de gás conhecidas e a conhecer estão quase a atingir o pico máximo da capacidade da sua exploração, o "pico de Hubbert".
Alguns situam esse 'pico' já em 2010, o próximo ano. A partir daí as reservas vão começar a entrar em declínio mais ou menos rápido, sendo provável que o petróleo se venha a esgotar completamente dentro de cerca de 40-50 anos --- a não ser que o ritmo da sua exploração diminua drasticamente por o petróleo ser substituído por energias renováveis, entre outras, em muitas das suas actuais utilizações.
Mas o melhor é mesmo ir dar uma espreitadela. A partir do 'sítio' pode entrar em muitos outros onde se fala de petróleo e gás para todos os gostos...

Para os que são mais dados à consulta e tratamento de informação estatística sobre o assunto veja-se o imprescindível relatório (anual) Statistical Review of World Energy 2008, publicado pela companhia petrolífera inglesa BP.
Para completar vejam-se os 'sítios' da Energy Information Administration do governo americano e da International Energy Agency.
Mãos à obra.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O preço do arroz continua a baixar

A FAO acaba de publicar os dados sobre a evolução do preço do arroz no mercado internacional até Dezembro passado.
No gráfico abaixo representa-se a evolução de três tipos de arroz: o Thai (que serve de 'guia' para o mercado), o Viet(name) 5% e o Viet(name) 25%; os números significam a percentagem de grãos partidos. Escolhemos estes dois tipos de arroz por ser o Vietname o principal fornecedor de arroz a Timor Leste.


De notar nestes valores que os preços voltaram quase ao nível dos que existiam antes da subida rápida que se verificou no início do ano. O arroz Viet 25% tem mesmo um preço mais baixo que anteriormente.
Se convertermos os valores apresentados para Dezembro/2008 (que são valores F.O.B, isto é, no porto de origem) em valores de sacas de 35 kg chegamos aos 14,5 usd/saca e 11,3/saca, respectivamente, para as duas qualidades de arroz do Vietname.
Note-se que, para se chegar ao valor no consumidor (em Timor), há que adicionar a estes valores os custos de transporte e o o seguro bem como as margens de comercialização quer do importador quer dos comerciantes encarregues da sua distribuição e venda a retalho.

Estes valores podem ser comparados com os 12 usd/saca a que está a ser vendido aos consumidores o arroz importado pelo Governo.
Curioso era saber o preço dos contratos deste com o(s) importador(es) e o preço que estes pagaram efectivamente pelo arroz importado (à saída do porto de Dili).

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O preço internacional do petróleo em 2009 segundo o Banco de Portugal

No seu Boletim Económico de inverno que acaba de publicar o Banco de Portugal diz o seguinte sobre a previsível evolução do preço médio internacional do barril do petróleo em 2009 e em 2010: