sábado, 6 de dezembro de 2008

Taxas de câmbio do USD

















Apesar do título desta 'entrada' parecer sugerir um autêntico "tratado", na verdade o que queremos é apenas apresentar a evolução das taxas de câmbio do dólar americano face a três moedas muito importantes internacionalmente e/ou no comércio externo do país. Trata-se do Euro, da Rupia indonésia (IDR) e do dólar australiano (AUD).

Pode-se verificar que desde meados deste ano tem-se vindo a verificar uma valorização do USD (curvas ascendentes; a depreciação corresponde ao traçado descendente das curvas), o que torna as importações do país mais baratas e as nossas exportações mais caras.
Estes movimentos das taxas de câmbio têm também, teoricamente, um outro efeito positivo: o de reduzir a pressão externa que se sentiu até meados do ano para um aumento dos preços. Note-se, porém, que isto só é verdadeiro se os importadores nacionais passarem para os seus consumidores os preços mais baixos que agora pagam. O que nem sempre acontece.
Saliente-se, finalmente, que esta evolução das taxas de câmbio torna ainda mais fácil as importações --- já facilitadas pelas novas taxas alfandegárias introduzidas em 1 de Julho passado --- e, por isso, dificulta mais o aparecimento de alternativas internas a produções importadas --- o que é mau para a estruturação em bases mais sólidas da economia nacional.

Oops! Esse foi forte!...

Pois foi! O terramoto das 19h55m --- há 20 min atrás --- foi do grau 6,2, com epicentro a 155 km a NW de Dili, i.e, mais ou menos na vertical de Atambua e a norte da ilha de Alor.
E houve quem não sentisse! Talvez por ter sido muito profundo, a cerca de 400 km de profundidade. Mais ou menos à esquerda da porta central do inferno...

Preço médio do barril de petróleo em 2009: cada cabeça sua sentença

A evolução (para baixo) do preço do petróleo tem sido tão rápida nos últimos meses que as estimativas feitas sobre o seu valor médio em 2009 --- essencial, por exemplo, para determinar o "rendimento sustentável" a retirar do Fundo Petrolífero para financiar o Orçamento Geral do Estado --- têm-se mostrado erradas pouco tempo depois de serem feitas.
Por exemplo, no início de Outubro o FMI partia do princípio que o preço médio do barril em 2009 seria de 100 USD; um mês depois, no início de Novembro, já a sua estimativa tinha baixado para 68 USD/barril.

Por outro lado, o Congresso do México, que recebeu do Governo uma proposta de Orçamento em que se estimava que o preço seria de 80 USD/barril baixou (em 15.Out.08) esta estimativa para os 70 USD.

O Deutsch Bank, que chegou a estimar um valor de cerca de 80 USD/barril, baixou a sua estimativa para 60 USD/barril em meados de Outubro passado.

E a Agência Internacional de Energia estimava, em meados de Novembro, que o preço seria de 80 USD/barril.

Como referimos noutra 'entrada', a Bloomberg estima agora que o preço será de 50 USD/barril.

A enorme incerteza que parece rodear a evolução económica futura faz-se sentir na grande incerteza quanto ao preço do petróleo no futuro (2009).

Veremos como o OGE lida com esta situação.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Taxa de juro: um ano sempre a descer (e de que maneira!..)

Como se pode verificar pelo gráfico ao lado "roubado" do 'site' da Bloomberg, há um ano atrás, por esta altura, a taxa de juro de referência da Reserva Federal dos Estados Unidos --- que serve de base à remuneração dos Títulos do Tesouro americano em que está aplicado o capital do Fundo Petrolífero --- era de 4,5%.
Depois, devido ao agravamento da crise do sistema financeiro americano, as autoridades foram baixando a taxa --- o que afecta o rendimento em juros do FP --- e hoje, passado um ano, estamos nos 1%. Peanuts! Principalmente quando comparados com a taxa de inflação, bem superior, fazendo desta taxa de juro nominal uma taxa de juro real negativa --- o que, se não fossem as más perspectivas dos mercados, até era bom para o investimento...
Esta taxa é metade da praticada pelo banco central inglês e menos de metade da taxa hoje fixada pelo Banco Central Europeu (2,5%, depois de ter sido "cortada" em 0,75 pontos percentuais já que estava nos 3,25%).

Estimativas do preço do petróleo para 2009: para baixo, cada vez mais para baixo!

Numa outra entrada há algum tempo atrás chamámos a atenção para o facto de o Fundo Monetário Internacional, na sua revisão da economia mundial publicada em Novembro passado, ter estimado que em 2009 o preço médio do barril se situará nos 68 USD --- depois de apenas um mês antes ter dito que seria de 100,50 USD.

Agora foi a vez da conhecida firma Bloomberg publicar a sua previsão mais recente para o preço médio do barril no próximo ano: 50 USD !


Mas com a "ameaça" de que, se se continuar a agravar o panorama económico mundial e a China for arrastada para um crescimento mais lento que o habitual devido à dificuldade em escoar as suas exportações, o preço do barril pode chegar temporariamente aos... 25 USD por barril. Isto está lindo, está!...

Claro que o que se vier a passar com o preço do barril é de suma importância para Timor Leste já que a parte mais significativa do financiamento do Orçamento Geral do Estado é proveniente das receitas do Mar de Timor, i.e., está dependente dos preços do petróleo e do gás no mercado internacional.
O melhor é irem pondo as barbas de molho...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Mais sobre o mesmo...

Voltando ao relatório sobre a pobreza, veja-se como a apresentação preparada pelo Banco Mundial sintetiza as informações relativas aos níveis de pobreza em 2001 e em 2007:

Do quadro acima sobressai a conclusão de que a grande subida do valor nacional se ficou a dever, em termos regionais, principalmente ao agravamento da situação no "Centro" (Aileu, Ainaro, Dili, Ermera, Liquiçá, Manufahi e Manatuto) e no Oeste (Bobonaro, Cova Lima e Oecussi) e mais nas zonas urbanas que nas zonas rurais.
Algo à margem deste padrão de agravamento da situação ficaram os distritos mais orientais do país (Lautem, Baucau e Viqueque). Neles a percentagem de pobres aumentou menos de dois pontos percentuais: apenas de 24,7% para 26,5%. As capacidades agrícolas dos três distritos podem ser uma parte --- mas não toda --- da justificação para este comportamento bem diferente do resto do país. Que outras razões podem estar por detrás deste comportamento tão diferente? Aí está uma boa pergunta...

Mas há um outro aspecto que achei curioso. Dei-me ao trabalho de comparar os preços indicados no final do relatório como sendo médias nacionais para vários produtos em Dezembro de 2007 com os preços utilizados para o cálculo do Índice de Preços no Consumidor em Dili. A comparação não foi exaustiva mas chamaram-me a atenção as diferenças significativas que, por vezes, se registam.
Uma delas é a do preço do arroz importado. Segundo o quadro 34 ("Cabaz de bens alimentares por pessoa e por dia, zonas urbanas da região Centro" --- que inclui principalmente Dili) e os dados do IPC-Dili os preços eram então os seguintes (primeiro os do relatório; depois os do IPC; ambos em USD por unidade de medida, normalmente o quilo):
Arroz importado: 0,5035 / 0,43
Mandioca: 0,4979 / 0,35
Carne de vaca ("beef"): 3,012 / 3,50
Galinha: 2,3414 / 2,85
Espinafres: 0,6194 / 0,50
Repolho: 0,5268 / 0,27
'softdrink': 1,0071 / 0,73

Como se pode verificar não há, pelo menos nesta curta amostra, um padrão de comportamento que nos possa levar a dizer que os preços de uma fonte são mais ou menos sistematicamente superiores à de outra.
Mas as diferenças (por exemplo a do arroz) podem ser importantes para explicar porque é que a "linha de pobreza" em 2007 é de 0,88 USD/pessoa/dia. Será que se usarmos os preços do IPC chegamos a valores mais baixos? Ou a valores mais altos?
Aí está uma pista interessante de análise e reflexão... Será que os preços mais elevados --- acompanhados de uma maior inflação --- em Dili são os responsáveis pelo facto de nas zonas urbanas da região centro (maioritariamente Dili) a linha de pobreza ser de 35,03 USD/pessoa/mês, comparados com os apenas 18,66 USD/pessoa/mês das zonas rurais dos distritos mais orientais (os dois extremos em termos de valores das linhas mensais de pobreza)? Estes valores significam que é muito mais caro (quase o dobro!) obter as 2100 calorias/dia para cada pessoa em Dili que em Lautem, por exemplo.
Tudo isto nos remete para uma conclusão que nos parece lógica: o aumento da "pobreza" é, em boa parte, um fenómeno ligado ao aumento do custo de vida (nomeadamente em Dili) comparativamente com o de outras regiões. Uma "solução" para a redução da pobreza pode ser aconselhar as pessoas a regressarem aos seus locais de origem... Irão?

Questões de metodologia (não se assuste!...)

Temos estado a apresentar algumas das conclusões do relatório sobre a pobreza em Timor Leste recentemente publicado.
Já dissemos que os resultados destes inquéritos dependem bastante do momento em que são efectuados. Num país com uma evolução económica 'normal' --- whatever it means... --- podemos usar com menos preocupações os dados de vários inquéritos sequenciais para sintetizar o "filme" da evolução da situação entre dois momentos/"fotografias" mas quando essa evolução foi mais instável todos os cuidados são poucos na utilização dos números para a descrever.

Acresce que no caso dos dois inquéritos realizados em Timor (2001 e 2007) a dimensão das amostras é substancialmente diferente, podendo entender-se que o de 2001, por se ter baseado numa amostra menor, poderá ser considerado como (potencialmente) "menos bom" como "fotografia" que o de 2007.
Acompanhei de muito perto a realização do de 2001 e apesar de reconhecer o bom esforço então efectuado sempre fiquei com a sensação de que o nível de pobreza (vd abaixo sobre o conceito) era maior do que o que ele "mostrou". Quanto mais? Não sei mas eu diria que esse nível estaria, pelo menos, cerca de 6-10 pontos percentuais acima do que foi então determinado (cerca de 36%). A ser assim a divergência entre os valores de então e os actuais serão muito menores.

Mas há mais e, provavelmente, mais importante.
Um dos problemas metodológicos com estes inquéritos é o de que eles tentam determinar a "linha de pobreza" e a percentagem de pobres num país a partir do nível de consumo --- i.e., se as pessoas consomem mais ou menos que as 2100 calorias definidas (clinicamente) como limite depois de "traduzidas" em valores monetários.
Ora, quando na nossa linguagem corrente usamos as palavras "pobreza" ou "riqueza" estamos a pensar num STOCK de bens (dinheiro, terrenos, bens de vária natureza, galinhas, patos, karaus, etc) e não num FLUXO de consumo --- que é o que se mede com estes inquéritos.
Há, portanto, algum desfasamento entre a linguagem utilizada e a realidade que ela pretende descrever.
Daí que alguns possam estranhar que sejam, eventualmente, considerados como "pobres" pessoas/famílias que têm uma boa manada de karaus (obtida ou não, no todo ou em parte, no quadro das 'trocas e baldrocas' associadas aos dotes nos casamentos). Isto significa que algumas (quantas?) destas famílias podem ser consideradas como "pobres" porque consomem pouco apesar de serem "ricas" por terem um STOCK de bens, animais, etc considerável.
Coisas da metodologia dos inquéritos... Quem sugere uma melhor designação para quem está abaixo da linha de "pobreza" --- que, na verdade, é mais uma "linha de consumo mínimo para a sobrevivência com um mínimo de bem-estar físico" do que uma "linha de pobreza"?

Para terminar (por agora...): o conceito de "pobre" tem uma componente sociológica e até psico-social importante. Quer isto dizer que aqueles a quem chamamos "pobres" em resultado deste tipo de inquéritos podem não se ver a si próprios como tal. E, principalmente, podem não ser vistos como tal no seio das suas comunidades.
Por isso vejam lá se não se põem a chamar "pobre" a todo o cidadão que passe na estrada!... É que caras não vêm algibeiras...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Estava na cara, né?!...

Da apresentação oficial --- em inglês... --- do relatório sobre a pobreza respigamos dois 'slides' com comentário ao subsídio ao arroz:

Tradução do comentário: "os que vivem melhor são os que mais poderão beneficiar do subsídio ao arroz". E não foi nenhum "génio" nem "Einstein" que o disse: foi o Banco Mundial...

Alguns esclarecimentos complementares aos gráficos.
O "decile" é o "decil" em português e significa cada um dos grupos de 10% do rendimento (ou do consumo) desde os 10% mais pobres aos 10% mais ricos. Se fossem (cinco) grupos de 20% seriam "quintis". Quatro grupos de 25% seriam... quartis.
Estes --- e nomeadamente a proporção entre o grupo dos mais ricos e o grupo dos mais pobres --- são indicadores muito utilizados neste tipo de análises, de distribuição do consumo ou do rendimento.
No gráfico superior, por exemplo, indicam-se as quantidades (quilos por pessoa e por mês) consumidas pelos diferentes grupos de 10%. Os 10% mais ricos consomem 2,6 mais que os 10% mais pobres: 7,4 quilos por pessoa e por mês contra 2,8 kgs.
Esta diferença está influenciada pelo facto de uma proporção importante dos mais ricos serem urbanos --- e com uma dieta mais rica em arroz --- enquanto que muitos dos mais pobres são rurais, em que a preponderância do milho na alimentação é maior. Neste sentido, o subsídio não beneficia só os mais desafogados economicamente; ele beneficia também proporcionalmente mais as populações urbanas que as populações rurais. Que é quem precisa mais de ser ajudada... Se o subsídio fosse ao produtor quem beneficiava eram maioritariamente estas populações --- pelo menos das zonas produtoras de arroz.
Note-se que estes dados dão alguma "razão" à tendência dos timorenses, incentivada pelos indonésios, de que comer arroz é sinal de "riqueza". "Quem come milho são os pobres!..."

Este resultado --- os mais "desafogados" são quem mais beneficia dos subsídios universais ao consumo --- é natural: consumindo mais beneficiam mais do subsídio... Elementar, meu caro Watson!
É por isso que os "génios" e os "Einsteins" são contra os subsídios universais, a todos os consumidores, preferindo subsídios mais "targeted" (direccionados aos efectivamente mais pobres) ou, melhor ainda, subsídios à produção e não ao consumo. Porque quem tem mais dinheiro para comprar arroz acaba por ser beneficiado. E não era esse o objectivo, pois não?!...
Será do interesse de Timor Leste, no longo prazo, a concessão dos subsídios ao consumo?

Balança de Pagamentos de Tmor Leste, 2006 e 2007

Acaba de ser divulgada pela ABP-Autoridade Bancária e de Pagamentos de Timor-Leste a Balança de Pagamentos do país nos anos de 2006 e 2007. Clique na imagem abaixo para a tornar legível.
O cálculo da BP --- que, recorde-se, regista todos os pagamentos e recebimentos ao estrangeiro como contrapartida de fluxos de bens (exportações, importações) ou serviços, etc --- foi apoiado tecnicamente pelo FMI mas resulta essencialmente do bom trabalho que tem vindo a ser desenvolvido na "Autoridade".