segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

Adeus, Miriam Makeba! E boa viagem até ao "país das caçadas eternas"!...


Morreu Miriam Makeba! Morreu "mama Africa"! Morreu a que será sempre recordada como a cantora de "Pata, pata"!... (ver/ouvir aqui no YouTube e ler nota biográfica aqui).
Morreu como, quase de certeza, gostaria de ter morrido: num palco cantando contra o racismo que sempre combateu.

Boa viagem e estada no país das caçadas eternas!
N'Kosi sikeleli Africa! (Que Deus abençoe África!)

domingo, 9 de Novembro de 2008

Evolução (em queda) do preço internacional do arroz

sábado, 8 de Novembro de 2008

Taxa de execução orçamental

Dados da Direcção Nacional do Tesouro do Ministério das Finanças. Notem-se particularmente as taxas de execução.
O primeiro quadro refere-se à execução do OGE em 30 de Junho de 2008 e, portanto, ao OGE tal como aprovado no final de 2007.

O segundo quadro é sobre a execução orçamental nos 9 primeiros meses do ano fiscal/civil (Jan-Set.08) e já se refere, portanto, ao OGE de 2008 depois de rectificado (e alargado para mais do dobro do inicial).

Note-se que as taxas de execução só das despesas pagas ou do total das despesas não são abissalmente diferentes de um quadro para outro. A grande discrepância é, em ambos, a que se verifica entre a execução em termos de pagamentos e a execução em termos de despesas totais (incluindo compromissos; esclareça-se que muitos destes nunca chegam a concretizar-se).

Se contarmos apenas com os pagamentos --- prática usual na maioria dos países ---, a média mensal desde o início do ano terá rondado um pouco menos de 24 milhões de contos. Se se mantiver o mesmo ritmo até ao final do ano as despesas pagas serão, em 31 de Dezembro, de cerca de 288 milhões --- com mais uns 'pózinhos' chega-se aos cerca de 300 milhões num total de 765 inicialmente previstos. Isto representa uma taxa de execução de 40% dos gastos previstos.
O panorama já será diferente, para melhor, se incluirmos os compromissos --- que, como dissemos, nem sempre se concretizam pois muitos são mais "boas intenções" do que comprometimentos "puros e duros", correspondentes a obra feita mas ainda não paga.
Neste caso e se se mantiver a média mensal dos primeiros 9 meses a despesa total chegará aos cerca de 600 milhões de USD. Só que, neste caso, o Fundo de Estabilização Económica será mais utilizado.

Huuummmmmm!...

PS - em tempo: repare-se como no segundo quadro os compromissos assumidos são bem maiores que os pagamentos efectuados. Repito: huuummmm!...

Como vamos de contas com o Orçamento e o seu financiamento pelo Fundo Petrolífero?

Na entrada anterior em que se dá conta da publicação do relatório do Fundo Petrolífero relativo ao 3º trimestre de 2008 refere-se que durante esse período foram transferidos para a conta do Governo, de onde sai o dinheiro para pagar as despesas feitas e previstas no OGE, 140 milhões de USD.
Por sua vez, sabe-se que durante o primeiro semestre foram transferidos... 0 ! Isso: zero!
Temos então que dos 688,8 milhões de USD (dos quais 291 para além do "rendimento sustentável") que estava autorizado pelo Parlamento Nacional a requisitar ao Fundo Petrolífero o Governo apenas "levantou", até agora, os referidos 140 milhões.

Por outro lado, sabemos também, pelas Estatísticas Monetárias do país determinadas pelo seu banco central (a Autoridade Bancária e de Pagamentos), que a evolução dos saldos da conta do Governo foi como ilustrado no gráfico abaixo.


Face ao que fica acima, admitimos ser provável que o Estado precise ainda de levantar mais algum dinheiro do Fundo para fazer face às suas despesas até ao final do ano.
Não sabemos, claro, quanto estará em causa mas uma coisa parece evidente: vai-se ficar (pelo menos espero que sim...) bem longe do valor legalmente autorizado e, mesmo, dos quase 400 milhões que correspondem ao "rendimento sustentável" tal como recalculado aquando da apresentação da rectificação do OGE inicial de 2008 a meio deste ano.

A não ser que --- o que não é impossível... --- o Governo decida aproveitar a autorização vigente para reforçar significativamente a sua conta bancária e fazer assim um (chorudo?) "pé de meia" que lhe permita financiar uma parte do Orçamento de 2009.

Esperamos para ver... Até porque o Governo não deixará, certamente, de ter em conta a queda de receitas do Fundo resultante da actual descida do preço do petróleo e que, segundo o FMI, se prevê traduzir-se no próximo ano num preço médio do barril próximo do seu nível actual, ligeiramente abaixo dos 70 USD/barril.

PS - claro que com isto tudo uma pergunta nos fica a bailar na cabeça: justificar-se-á a política de gestão orçamental que tem sido seguida de "ter mais olhos que barriga", de sobre-orçamentar tudo?

sexta-feira, 7 de Novembro de 2008

Se...

Como referido numa das entradas abaixo o FMI divulgou recentemente uma actualização das suas previsões para a evolução da economia mundial no resto de 2008 e em 2009.

Nessa "entrada" refere-se a evolução do preço do petróleo (passado e futuro) de acordo com o Fundo. Para 2009 a estimativa é a de que o barril será vendido, em média anual, a 68 USD, contra os quase 100 deste ano. Isto significa que o Fundo prevê uma queda de quase um terço (-31,8%) no preço do crude.

Esta é uma boa notícia para a inflação --- quer pelo seu efeito directo sobre a mesma quer pelos efeitos indirectos que pode ter sobre ela devido ao potencial "contágio", no sentido da baixa, dos preços de outras matérias primas. Mas se se confirmar esta estimativa ela é, nitidamente, uma má notícia para o Fundo Petrolífero de Timor Leste.

Num momento em que se prepara o Orçamento de Estado para 2009 veremos como o assunto é nele tratado e qual a política de financiamento dele a seguir. É que o "tempo das vacas gordas" que foi a primeira metade deste ano parece que já lá vai e isso não pode deixar de ter consequências na definição da política de poupança dos recursos do Fundo.

PS - a propósito? "Cadê" o Fundo de Estabilização Económica e seu financiamento de 250 milhões de USD "arrancados" ao FP, "obrigando" à ultrapassagem, pela primeira vez, do "rendimento sustentável"? :-) Esperemos que esteja morto e enterrado... Alguém lhe levou uma florzinha no dia de Finados?

Último relatório trimestral do Fundo Petrolífero

Foi divulgado hoje o relatório trimestral do Fundo Petrolífero referente ao terceiro trimestre de 2008 (Jul-Set 2008).
Nesse período o capital do Fundo passou de 3203 mil milhões de USD para 3738 mil milhões, um aumento de cerca de 16,7% (+535 mil milhões em 3 meses; cerca de 500 USD por cada timorense).
Durante o período foi transferida para o Orçamento de Estado uma verba de 140 milhões de USD. As entradas globais de impostos e royalties foram de quase 480 milhões USD.

Apesar da crise financeira internacional e contrariamente ao que se verificou em outros casos de "fundos soberanos" como o de Timor-Leste, foi possível obter um rendimento positivo (ainda que moderado) da carteira de títulos: 1,64%, contra os 1,71% da carteira tomada como benchmark para comparação de rendibilidade.
Este valor positivo fica a dever-se ao facto de a carteira ser constituida integralmente por títulos do Tesouro dos Estados Unidos (equivalentes a empréstimos de Timor-Leste aos EUA), de rendimento fixo, pois os "fundos soberanos" em que o peso dos títulos de rendimento variável (normalmente acções de grandes empresas multinacionais) é grande tiveram prejuízos.
Note-se, porém, que a perspectiva com que estes Fundos estão no mercado é essencialmente de médio-longo prazo e por isso eventuais perdas no curto prazo --- como as que se registaram ultimamente --- tenderão (hopefully...) a ser "absorvidas" no futuro, assegurando um rendimento positivo num horizonte de (pelo menos) 3 a 5 anos.

Realidade (económica mundial) e suas imagens

Acaba de ser publicado pelo FMI um update ao seu World Economic Outlook de Outubro passado. Por ele se pode constatar que a instituição estima agora que o crescimento económico das economias mais avançadas vai ser, em 2009, de... -0,3% (isso! um de-crescimento da produção de 0,3%!) depois de em 2007 ter sido de 2,6% e de se estimar que em 2008 será de 1,4%.
Isto é: minhas senhoras e meus senhores, "a coisa 'tá preta" MESMO!... Pelo menos é assim que o Fundo a vê/"pinta".

O que me chamou mais a atenção foi o de, em consequência das novas estimativas, se referir que elas ficam 0,8 pontos percentuais abaixo das previsões que se tinham feito... apenas há um mês atrás!... É obra!

Esta diferença entre duas estimativas publicadas com tão pouco espaço de tempo entre si é muito pouco usual. Não me lembro mesmo de alguma vez ter visto uma coisa assim...
É certo que o mundo não pára e o sentimento económico hoje é diferente (para pior...) do que era há um mês mas não é menos verdade que é, no mínimo, estranho que uma instituição como o Fundo, com todos os seus recursos (nomeadamente humanos) se veja forçada a "desdizer-se" de forma tão significativa apenas um mês depois.

O comum dos mortais pode colocar-se --- legitimamente, "penso eu de que"... --- a dúvida sobre a qualidade do "trabalho de casa" que o FMI faz e sobre se a imagem que ele cria da realidade ao divulgar as suas estimativas é realista.
Eu sei que esta coisa de fazer estimativas, principalmente em situações como a actual, é um pouco como ir à bruxa (boa, Dr. Palma Carlos!...) mas... há bruxas mais competentes e outras menos competentes. Daqui por uns (largos) meses veremos se o Fundo acerta nas suas previsões. Deus queira que (mais uma vez...) não!

PS - Já agora recordem-se aqui as estimativas feitas peloFundo para o preço do petróleo desde o início do ano ou, melhor, desde Abril (preço médio anual do barril de petróleo):

...................................................Abr2008........Jul2008........Out2008...... Nov2008
preço médio em 2008...................95,5........... 116,5..............107,25......... 99,75
preço médio em 2009...................94,5............125,0.............100,50......... 68,00 (!)

quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

Hoje, como evitar um pensamento para ele?

Martin Luther King


Veja e ouça o discurso dele "I have a dream" (1963)! Leia-o aqui.
Salvé!

We had a dream!

domingo, 2 de Novembro de 2008

Estará a inflação a ser medida com um "metro" de 100, de 97 ou de 104 cms?

São conhecidos de todos as dificuldades com que se debatem os sistemas estatísticos de muitos dos países em desenvolvimento, particularmente nos primeiros anos da sua própria "infância". Timor Leste não é excepção.
Não foi ainda possível, por exemplo, calcular as chamadas Contas Nacionais pela entidade timorense com responsabilidades no sector estatístico, a Direcção Nacional de Estatísticas. A culpa é provavelmente mais dos "parceiros de desenvolvimento", que não conseguiram ainda responder satisfatoriamente aos esforços da DNE para resolver o problema, do que da própria "Estatística".
Esta tem-se esforçado para "atender a todos os fogos" mas, manifestamente, sem ajuda mais substancial não é possível "apagá-los".
Costumo dizer que as estatísticas são para um país --- e para as autoridades responsáveis pela sua gestão --- mais ou menos a mesma coisa que o estetoscópio para os médicos: sem elas não há como "auscultar" o "doente" e sem isso não é possível fazer um bom "diagnóstico" da situação do país e sem este, por sua vez, é impossível definir com precisão a "doença" e o "tratamento". Será constipação? Será gripe? Será malária? E se for dengue ou pneumonia?
Se há bom investimento a fazer num país é, pois, o da construção de um sistema estatístico de qualidade. Claro que a escassez de recursos humanos qualificados complica tudo --- como em tantos outros domínios --- mas é aqui que entra o recurso aos referidos "parceiros". Que têm de ser verdadeiros "parceiros", até mesmo "compinchas" para vários anos e não apenas para o curto prazo. É que hoje em dia a actividade estatística é tão complexa e sujeita a normas internacionais que dificilmente um país sózinho, com poucos recursos humanos, pode ter bons "estetoscópios" --- i.e., boas estatísticas.

Vem isto a propósito dos números que têm sido divulgados oficialmente sobre a evolução do Índice de Preços no Consumidor (IPC) de que deriva o cálculo da taxa de inflação.
Sabe-se que o actual IPC tem por base os valores (preços e quantidades médias consumidas por família) de Dezembro de 2001.
Ora, dizem as boas regras de cálculo do IPC que a quantidade média consumida por família --- que dá origem aos "pesos"/percentagens de consumo de cada produto ou grupo de produtos como, p.ex., a alimentação --- deve ser recalculada a cada 5 anos, nomeadamente através de inquéritos à estrutura das despesas familiares. Há mesmo técnicas que permitem fazer essa actualização uma vez por ano, procurando acompanhar de perto as (eventuais) alterações dos gostos (e possibilidades financeiras) de consumo das famílias.
Ora, no caso de Timor Leste isso não foi feito ainda. Deveria ter havido um inquérito em 2006 --- huummm! ano mau para estas coisas... --- ou pouco depois e não houve ou, pelo menos, se houve não foi ainda reflectido no cálculo do IPC.
Ora, sabe-se que desde o já "longínquo" ano de 2001 muita coisa mudou. Basta passar algum tempo à porta dos grandes supermercados que vendem produtos de melhor qualidade, normalmente oriundos da Austrália ou de Singapura, para perceber que os seus clientes não são já apenas, como eram naquela ocasião, os cidadãos "internacionais" trabalhando em Timor Leste.
Há, pois, que introduzir alterações nos "pesos" dos produtos consumidos e ela só pode ser feita após um inquérito apropriado e a definição de novos pontos de recolha de informação de preços para além dos mercados tradicionais de Dili (Bécora, Taibessi, Comoro) e mais alguns locais.
Isto é: é muito provável que a inflação esteja neste momento a ser medida com um "metro" que não tem necessariamente os habituais 100 centímetros. O pior é que não temos a certeza se ele tem 97 ou 104 (ou outros) centímetros.