sexta-feira, 24 de Outubro de 2008

Brincadeirinha...

A propósito da crise financeira internacional corre por aí a seguinte mensagem:

"Just when u thought things couldnt get any worse!

Due to recent budget cuts and the cost of electricity, gas and
oil, as well as current market conditions and the continued
decline of the U.S. economy, The Light at the End of the Tunnel
has been turned off.

We apologize for the inconvenience!"

Tradução:
"Exactamente quando pensávamos que as coisas não podiam ficar pior:

Devido a cortes orçamentais e ao custo da electricidade, do gás e do petróleo, bem como devido às condições actuais do mercado e ao contínuo declínio da economia dos Estados Unidos, A Luz ao Fundo do Túnel foi desligada.
Pedimos desculpa pelo inconveniente!"

O que vale são estes bocadinhos...

"Faço minhas as palavras do orador precedente!"

Leitor deste blog fez o favor de comentar a entrada mais abaixo em que comentava a eventualidade de Timor Leste vir a "inaugurar" a sua dívida externa --- sim, aquela a que a conhecida imaginação dos brasileiros designa como "dívida eterna"... --- com empréstimos para financiar o OGE, previsivelmente para financiar investimentos em infraestruturas.

Depois de nos dar informações sobre algumas regras de funcionamento do Fundo do Kuwait, comenta a certa altura:

"Antes de iniciarem este processo, recomendaria gastar com qualidade dentro dos limites permitidos pelas regras do Fundo. Só quando estiverem perto desses limites, então formar funcionários e sim senhor, solicitar um empréstimo. Mas estando já plenamente consciente dos vários tipos de impacto."

Como se costuma dizer, "faço minhas as palavras do orador precedente".

quinta-feira, 23 de Outubro de 2008

Parabéns, "Vô Serra"

Hoje, 24 de Outubro, vão-me desculpar uma nota pessoal: é que faz anos (78) o "Vô Serra", o decano dos portugueses residentes em Timor Leste. Chegado em 1965, nunca mais saíu! 43 anos de Timor! E em 1976-79 andou, tal como muita da restante população timorense, fugido nas montanhas entre a zona da Ribeira de Loes (onde então residia) e a zona de Maubara (onde agora reside, no suco de Vatuvou).
Parente afastado (ele e o meu avô nasceram nos arredores do Fundão), vim a "descobri-lo" por acaso através do conhecido livro da jornalista brasileira Rosely Forganes (as melhoras, Rosely!...) .
A partir daí a "voz do sangue" falou mais alto e hoje une-nos uma amizade forte e linda.
Parabéns, "Vô"!...

Financiar o OGE (também) com empréstimos?

Um comentador anónimo de uma das últimas entradas refere que adivinha que vem por aí um empréstimo (que seria o primeiro) contraído pela RDTL no quadro do financiamento do Orçamento de Estado para 2009. Essa operação, que se adicionaria à transferência a partir do Fundo Petrolífero --- agora com receitas menores --- poderia mesmo ser de elevado montante.

Confesso que não me chocaria nada se fosse essa a opção DESDE QUE --- o que não é difícil... --- se trate de empréstimos conceccionais. Recorde-se que estes --- cuja origem pode ser os bancos de desenvolvimento (Banco Mundial, Banco Asiático de Desenvolvimento) ou outras instituições similares como os fundos de desenvolvimento (Fundo do Kuwait, etc) --- costumam ser efectuados a taxas de juro muito baixas --- 0,5-1%, p.ex. ---, o que justifica que se preservem os recursos dos Fundo Petrolífero já que estes podem ter uma rendibilidade bem maior.

quarta-feira, 22 de Outubro de 2008

Taxa homóloga de inflação

Segundo dados recentes da Direcção Nacional de Estatística de Timor Leste a taxa de inflação homóloga (mês de um ano contra mesmo mês do ano anterior) foi de 12,4%, 12,3% e 12% ao ano nos passados meses de Julho, Agosto e Setembro. Esta evolução deve-se principalmente à descida das taxas de inflação dos cereais e dos combustíveis.
A evolução mais recente do preço internacional do petróleo e, mesmo, do arroz (com descidas maiores mo primeiro que no segundo) faz antever, contrariamente ao passado recente, que a taxa global de inflação possa, eventualmente, continuar a baixar lentamente. As nossas estimativas de há alguns (poucos) meses atrás de que ela poderia chegar aos cerca de 15% se as coisas decorreressem mal nos meses então à nossa frente parece não se confirmarem.
Veremos até onde irá a baixa nos três meses que faltam até ao fim do ano. Tradicionalmente, e devido ao início da época das chuvas, estes meses são propícios a uma certa escassez de alimentos e, mesmo, a uma subida dos preços.
A reconhecida pouca sensibilidade dos agentes económicos às situações que se lhes deparam pode, eventualmente, levar a uma menor taxa de inflação.




segunda-feira, 20 de Outubro de 2008

Ooooops!... Só mais uma coisinha!...

Em relação às últimas duas entradas. só falta chamar explicitamente a atenção para o facto de que a oscilação do preço do petróleo e as suas consequências sobre a instabilidade das receitas do Fundo Petrolífero e, consequentemente, do "rendimento sustentável" que financia a quase totalidade do Orçamento de Estado vem demonstrar à saciedade que NÃO se deve adoptar uma política orçamental, de gastos públicos, em que estes e a sua evolução no tempo estejam demasiado ligados à evolução de receitas que, pela sua natureza, são muito instáveis.
O "suprasumo" dos objectivos da política económica é conseguir um crescimento relativamente estável ao longo de períodos relativamente longos. Isto é incompatível com uma política que se baseie num simples olhar para a algibeira --- ainda por cima para ver não o que está nela mas sim o que se pensa que virá a estar... --- e tentar gastar o que lá está e, mesmo, o que não está e eventualmente virá a estar. Se estiver...
Há, pois, que encontrar um critério alternativo para definir a evolução dos gastos públicos que os ponha a coberto --- e à economia... --- das (excessivas) variações das receitas. Um dos critérios possíveis (mas não necessariamente o único nem em exclusivo) é o da capacidade de implementação EFICAZ de projectos pela Administração Pública e uma estimativa da sua taxa de crescimento.
Isto pode levar a, por exemplo, definir que "aconteça o que acontecer" do lado das receitas o OGE não deverá prever um aumento de despesas superior a, por exemplo, 10% ou 15% ou 20% em cada ano.
Conhecendo-se a grande dependência da evolução económica do país face às despesas do Estado a estabilidade do crescimento agradece...

domingo, 19 de Outubro de 2008

Estou curioso...

É... Face à evolução do preço do petróleo que referimos na entrada abaixo, estou curioso por saber qual vai ser o valor global do orçamento para o próximo ano. É que, a continuarem as coisas como estão, as receitas do Fundo vão ser bem menores que as deste ano. Aliás e de acordo com as estimativas existentes, já o tenderiam a ser devido ao facto de se ter (entrou-se?) na fase de diminuição do volume de petróleo extraído de Bayu-Undan.
Conjugadas as duas coisas, as receitas em 2009 serão tendencialmente muito mais baixas que neste ano. E receitas mais baixas significam menor "rendimento sustentável" transferível para financiar o Orçamento de Estado...
Se se confirmarem alguns zuns-zuns que ouvi sobre o valor global do OGE isso pode significar que o Governo se prepara para retirar do Fundo uma verba que ultrapassará, em muito, o rendimento sustentável. Talvez mesmo por uma margem ainda maior que a deste ano. Afinal basta juntar 1+1... Receitas a cair + ano fiscal definido como o da "construção de infraestuturas" = ...
Veremos... Mas acho que vai haver surpresas. E muita tinta a correr...
Conselhos? Não é preciso ir à bruxa, pois não?!...

quinta-feira, 16 de Outubro de 2008

E pur si muove... Para baixo, sempre mais para baixo!...

A frase "e pur si muove" foi, reza a tradição, a que foi dita por Galileu referindo-se ao movimento da Terra depois de o ter negado "por conveniência de serviço" perante a Inquisição, que parece que tinha outra opinião e meios muito "persuasivos" de convencer quem duvidasse...
Neste caso aplica-se ao preço de petróleo, que continua em baixa, consistentemente baixando, baixando...
Está neste momento nos cerca de 73 USD/barril, valor que tinha sido "avistado" pela última vez no Verão do ano passado e que é cerca de metade do preço máximo atingido no Verão deste ano (mais concretamente a 15 de Julho (há apenas 3 meses!), quando atingiu os 145,18 USD/barril.

Isto remete para especiais cuidados na gestão dos recursos do Fundo Petrolífero já que o tempo das "vacas gordas" parece, para já, ter terminado. Por isso, numa altura em que toda a gente está já a pensar no próximo Orçamento, é bom que se pense também na política de poupança/gastos a partir do Fundo. E talvez, mesmo, de "deixar cair" a ideia de retirar do Fundo, este ano, mais que o rendimento sustentável. Até porque a evolução posterior ao seu último cálculo veio dizer que se estava a contar com o ovo ainda no local de onde ele sai das "manu hina" ou, em português "adaptado" por um amigo meu, das "galas" (que são, como se sabe, as mulheres dos galos...
Isto é: afinal aquele rendimento sustentável não era lá muito sustentável, pois não?!...

Isto veio trazer ao de cima uma outra questão mais profunda: a de que está na altura de pensar numa outra forma de determinar o que se poderá retirar do Fundo Petrolífero. Se as estimativas quanto à evolução futura do preço do petróleo, as quais servem de base à determinação desse rendimento, são tão falíveis (para cima e para baixo...), porquê insistir em utilizá-las como ÚNICA base do cálculo?
Vamos puxar pela cabeça?

quarta-feira, 15 de Outubro de 2008

A competitividade externa de Timor Leste, 2008-09

O World Economic Forum publica anualmente um relatório sobre a competitividade externa dos países no quadro da economia Mundial (veja na imagem abaixo o endereço do relatório na net ou clique aqui).


Os quadros relativos a Timor Leste são os que seguem abaixo (clique para aumentar a imagem) e colocam o país em 129º lugar num total de 134 países. Leia as instruções para ler os quadros.



A quem possa interessar...

terça-feira, 14 de Outubro de 2008

O Nobel de Economia e... Timor Leste

Não, não houve nenhuma declaração no passado --- muito "passado" ou pouco "passado"... --- de Paul Krugman sobre Timor Leste. Mas confesso que ao ler um artigo de jornal sobre a sua obra não pude deixar de pensar em algumas medidas que foram tomadas não há muito tempo pelo actual Governo.
Refiro-me, em particular, à decisão de baixar significativamente as tarifas alfandegárias a partir de 1 de Julho passado. É sabido, aliás e por declarações do próprio, que o actual PR desejava mesmo acabar com elas...

Atrevo-me a sugerir que o leitor dê uma olhadela no referido artigo aqui, da autoria de Kevin Gallagher, antes de continuar a ler a minha prosa. Atenção: está em inglês porque foi publicado hoje no jornal inglês The Guardian e não deu para traduzir.

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Já está? Então vejamos.

No essencial o autor salienta que Krugman desconfia da globalização tal como está a decorrer --- com (excessivo?) liberalismo nas trocas comeciais internacionais --- e afirma a necessidade de, particularmente os países em desenvolvimento, adoptarem uma atitude mais cautelosa através, nomeadamente, da adopção de uma "política estratégica de comércio [internacional]". Citando (mesmo em inglês):

"Among Krugman's achievements in the field of international trade is "strategic trade policy". In this work Krugman (and others) showed that tariffs and subsidies to domestic industries can divert profits away from highly concentrated foreign firms and increase a nation's income. "

E mais adiante:
"In another classic book, Development, Geography, and Economic Theory, Krugman argued that the government should also play a role in connecting beneficiaries of strategic trade policy to the overall economy. Evoking the work of economists such as Albert O Hirschman and Paul Rosenstein Rodan, Krugman argued that developing countries often needed a "big push" of coordinated government investments to help strategic industries get off the ground and to link the growth of such industry to the economy as a whole."

Isto é: Krugman, insuspeito de tendências socialistas e menos ainda "comunistas", reconhece que o mercado não é perfeito e que cabe ao Estado um papel de controlo que evite os seus desvarios e, mesmo, alguns dos seus efeitos negativos. De entre eles refira-se a dificuldade em criar uma indústria nacional sem algum tipo de protecção --- como no caso das "indústrias nascentes".

Significará que a atribuição do Prémio Nobel a um autor que defende estas ideias é o último prego no "caixão" de um certo liberalismo que a actual crise veio condenar? É possível que sim mas não é isso que me preocupa aqui.
O que me preocupa é que a já mencionada reforma aduaneira introduzida há meses atrás veio, como já referi noutras ocasiões, limitar a possibilidade de desenvolver uma indústria nacional em vez de, como pretendiam alguns dos seus mentores, a incentivar. "O que faz falta" é... "animar a malta" com uma política industrial e de comércio internacional que ajude ao desenvolvimento industrial --- sempre relativamente limitado, quase de certeza --- em vez de ajudar ao aumento da dependência das importações vindas dos vizinhos (uns mais próximos que outros).

Tá?