segunda-feira, 13 de Outubro de 2008

Nobel da Economia 2008: Paul Krugman

O prémio Nobel de Economia foi atribuído hoje ao economista americano Paul Krugman.
Um dos mais mediáticos e produtivos escritores em economia (mais de 20 livro escritos ou editados e mais de 200 papers de natureza científica, além de muitas e muitas contribuições espalhadas pelos jornais e pela internet), Krugman tem 55 anos e é professor na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. Veja aqui a notícia no "Público" e aqui a da BBC. Veja também o seu blog no New York Times.

sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

O preço do petróleo continua "despencando"!...

Pois é: basta ver o gráfico aqui ao lado (esquerdo) e abaixo sobre a evolução do preço do petróleo bruto para perceber que ele está a "despencar". Ainda há 3 meses estava "nas alturas" (mais de 140 USD/barril) e agora anda pelos cerca de 80 USD/barril.
Será que vai baixar ainda mais (um pouco)? Não me admirava por (pelo menos) duas razões fundamentais:

1 - sempre acreditei que uma parte importante do preço altíssimo a que ele esteve em meados deste ano era fruto de uma forte intervenção de especuladores no mercado do petróleo bruto. Ora, com a crise que por aí vai estes especuladores estão, aparentemente, com sérias dificuldades em reunir os volumes de dinheiro a que estavam habituados para utilizarem no mercado. E isto leva a que a componente "especulação" do preço se reduza significativamente, passando este a ser determinado fundamentalmente pelas verdadeiras forças de qualquer mercado: as da procura e da oferta;

2 - a crise financeira vai, inevitavelmente, traduzir-se em crise económica [um à parte muito a propósito: parece que foi ontem mas já foi há 11 anos, em 1997, que ouvimos o FMI, na sua reunião anual então realizada em Hong Kong, dizer que a crise que se tinha iniciado na Tailândia no início de Julho desse ano era apenas uma nuvem passageira num céu azul... Viu-se! Só a Indonésia viu o seu produto de 1998 baixar 13% em relação a 1997; a Tailândia teve uma diminuição de 8% no seu produto nacional]. E sendo assim, a procura mundial de petróleo vai baixar e uma procura mais reduzida com uma oferta mais ou menos constante --- até agora --- tem como resultado uma baixa do preço. Mas os produtores [OPEP] não dormem e qualquer dia estão a anunciar reduções da produção...

A verdadeira causa da crise (será mesmo? :-) )

Tal como todos, tenho ouvido muitos "expertos" falarem da actual crise financeira --- que vai ser também económica, sim! --- culpando, nomeadamente, a "desregularização" dos mercados e a sua "liberalização" como sendo uma das principais causas da dita cuja...
Ora, só se "desregulariza" o que está regulado e só se liberaliza o que está controlado. Os termos, quando a mim, não são os mais apropriados.
Na verdade parece-me que o que se passou foi mais ou menos semelhante ao que se passa na velha luta entre bandidos e polícias: aqueles parece estarem sempre um passo à frente destes, inventando "criativamente" métodos cada vez mais sofisticados para "gamarem" o que não lhes pertence e escaparem à prisão (porque é que me lembrei de um certo senhor, verdadeiro "olhos de águia", que anda por Londres no "bem bom"?)

No caso da banca ter-se-á passado algo de semelhante: os bancos comerciais e outros agentes financeiros foram progressivamente inventando novos métodos para fazerem mais dinheiro a partir do (quase) nada... Era como se os "papéis" (títulos) tivessem valor porque alguém se lembrava de dizer que tinham, sem grande necessidade de o demonstrar com valores reais.
Ora, a maior parte dos bancos centrais e entidades reguladoras dos sistemas financeiros não tiveram a "manha" (e a maioria também a vontade...) suficiente para irem acompanhando a "criatividade" do sistema bancário e manter sob controlo os mais "criativos", os tais que quase só se limitavam a dizer que os "papéis" eram óptimos... (A propósito disto vale a pena rir-se com este filme).

(Excessivamente) Obcecados com o que é usualmente apresentado como sendo o objectivo central de um banco central --- o controlo da taxa de inflação a níveis relativamente baixos ---, "deixaram andar" o sistema... Enquanto todos iam ganhando e não havia grandes distúrbios no seu funcionamento estava "tudo bem" e não se viam razões para intervir.
Mas no caso da famosa "D. Branca" (em Portugal) também foi assim: tudo estava bem enquanto havia dinheiro fresco a alimentar o "esquema". O "busilis" aconteceu quando alguém se lembrou de colocar o seu dinheiro a salvo e começaram os levantamentos a serem (muito) maiores que as novas entradas de dinheiro. E a "bolha" estourou! Agora é mais ou menos o mesmo...
Cada nota de banco foi "desdobrada" "criativamente" até à exaustão e quando se começou a deitar contas à vida verificou-se que não havia dinheiro suficiente para safistazer todos os compromissos que tinham sido "criativamente" assumidos em torno daquela notinha... Era quase tudo "papel", que não tinha verdadeiro suporte económico-financeiro.
E aí concluiu-se o que o já todos deveriam saber: que os lençóis não esticam... E que quando se puxa um lençol curto para tapar a cabeça descobrem-se os pés. E pés frios "dão" constipação... E depois gripe. E muita sorte temos se desta não se passar à pneumonia. Que pode ser fatal...

Conclusão: "cuidados e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém"! Mas parece que os bancos centrais não sabiam disso e deixaram os "bandidos" à solta, exercendo a sua "criatividade" "ao Deus dará"!...
Por tudo isto é que penso que uma lição fundamental a retirar desta crise é a de que os bancos centrais (os "polícias" do sistema financeiro) têm de estar um passo à frente dos "bandidos" e não um (ou três...) passos atrás como até agora. Isto implica, provavelmente, um melhor rebalanceamento entre aqueles que são os dois verdadeiros objectivos da sua actividade: assegurar um sistema financeiro (particularmente bancário) saudável e confiável e procurar assegurar o controlo da taxa de inflação.
Parece que já aprenderam (quase) tudo sobre este último objectivo; agora é altura de se aplicarem mais na prossecução do outro e que É TÃO IMPORTANTE QUANTO O PRIMEIRO.
E isto faz-se com, finalmente, regulação da actividade dos agentes financeiros de modo a proteger os "consumidores" que somos todos nós, seja na qualidade de depositantes seja na de investidores através dos bancos.

quinta-feira, 9 de Outubro de 2008

Tente ler este número...

É o da dívida actual dos Estados Unidos... Claro que uma boa parte dela está na mão dos chineses... Ai se o Mao fosse vivo!... :-)

Para não morrer de susto antes mesmo de conseguir ler o número coloquei a imagem pequenina, pequenina!...
Já está preparado mentalmente para o que vai ver? Eu avisei para ter cuidado com o coração!
Então clique na imagem para a aumentar e ler o número.
Note um aspecto interessante: a dívida americana aumenta diariamente um montante sensivelmente igual ao saldo actual do Fundo Petrolífero de Timor Leste.
Isto é: os timorenses financiaram um dia de vida (e de dívida) dos Estados Unidos! E esta, hem? Valeu!...


PS - conseguiu ler? Vá: eu ajudo! São dez triliões, duzentos e vinte e oito biliões, quinhentos e sessenta e três milhões, setecentos e vinte e um mil, quinhentos e trinta e quatro dólares e sessenta e um cêntimos... Ou, mais correctamente em português são: dez milhões de milhões, duzentos e vinte e oito milhares de milhão, quinhentos e sessenta e três milhões, setecentos e vinte e um mil e quinhentos e trinta e quatro dólares e sessenta e um centavos... Tá certo? :-)

quarta-feira, 8 de Outubro de 2008

Adivinhem quem está cheio de dinheiro...

... e qualquer dia vai às compras de bancos europeus e americanos que têm a corda na garganta e/ou são agora, pelo menos, parcialmente, propriedade dos Estados por os terem salvo da falência...

Já adivinharam? "O rei (americano) morreu; viva o rei (chinês)"!...

Último relatório do FMI sobre a situação económica mundial

O FMI publicou hoje a edição do Outono do seu World Economic Outlook para este ano. Veja-o aqui. Justa ou injustamente é a cartilha por que se regem muitos analistas da evolução da economia mundial. E parece que a coisa 'tá preta...
Pelo menos os governos estão fartos de despejar dinheiro no sistema e parece que o mercado não reage: as bolsas de valores não param de cair!... E o pior é que, como dizia um amigo meu experiente nestas coisas, "parece que não há mais munições no arsenal"... Isto é, os Governos já fizeram quase tudo o que podiam fazer.
Pelo sim, pelo não, acenda uma velinha!... A Maromak, a NªSrª de Fátima, a Sto. António de Manatuto... O que quiser! Mas acenda! Pode ser que ajude!

Bem dito, bem feito!...

Mal tinha eu falado da possibilidade de se vir a verificar uma descida da taxa de juro nos mercados internacionais, particularmente nos Estados Unidos, e ela aí está! A taxa de juro de referência, que estava nos 2%, baixou (nos EUA) meio ponto percentual --- o que significa que baixou 0,5%, de 2% para 1,5%. Isto, naturalmente, vai repercutir-se na taxa a que serão emitidos vovos Títulos do Tesouro americano, que passarão a pagar um juro mais baixo. O que, à medida que forem sendo comprados novos títulos, fará baixar o rendimento, em juros, do Fundo Petrolífero.
Note-se que, da maneira como se têm comportado as bolsas de valores --- acções de empresas; ver o gráfico abaixo a evolução nos últimos doze meses em vários países ---, os Títulos do Tesouro são, apesar de tudo, um bom e seguro investimento... Basta ver o que aconteceu a muitos dos Sovereign Wealth Funds que apostaram na compra de acções para perceber que nos últimos tempos têm passado maus bocados, com prejuízos por vezes importantes.


A baixa da taxa de juro americana foi acompanhada por quase todo o mundo, com descidas igualmente de 0,5 pontos percentuais: para 3,75% no caso do Banco Central Europeu e de 5% para 4,5% no do Banco de Inglaterra.

Fundo Petrolífero e evolução do preço do petróleo

Segundo notícias dos jornais, em reunião dos bancos centrais dos países de língua portuguesa da África e da Ásia (Timor Leste...) organizada pelo Banco de Portugal nas vésperas e para preparar a reunião do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial da próxima semana, a ABP estima que o capital do Fundo Petrolífero atinja os cerca de 4 mil milhões de dólares americanos no final do ano. Recorde-se que de acordo com as estatísticas monetárias do país no final de Agosto o saldo era de 3,5 mil milhões USD.
As principais condicionantes da evolução do saldo são duas: a dos preços do petróleo e do gás e as transferências do Fundo para o Governo de acordo com as autorizações parlamentares concedidas.
Numa entrada anterior já referimos que nos últimos tempos não tem havido transferências, nomeadamente para a constituição do chamado Fundo de Estabilização Económica (240 milhões USD).
Quanto à evolução do preço médio mensal do petróleo, foi a seguinte nos últimos meses: 125 usd/barril em Maio, 133,3 em Junho, 134,6 em Julho (a média mais alta), 117,2 em Agosto e 105,2 em Setembro passado. As cotações nos dias mais recentes têm ficado ligeiramente abaixo dos 90 USD.
Esta evolução não deixará de ter repercussões nas receitas do Fundo Petrolífero e é possível que a média mensal de acréscimo do capital que se verificou nos primeiros 8 meses (um 181 milhões USD/mês) venha a conhecer uma redução.
É esta, bem como a quase certa retirada de parte do capital para transferência para o Orçamento de Estado, que justifica a estimativa de o Fundo vir a ter um capital de cerca de 4 mil milhões (mais uns pózinhos?) no final do ano.

Uma última palavra para as principais consequências da actual crise financeira mundial no Fundo. A primeira decorre da já ilustrada queda (significativa...) do preço do petróleo no mercado internacional. A segunda é a que irá decorrer de uma mais que provável quedas das taxas de juro, nomeadamente dos títulos que constituem a carteira do Fundo Petrolífero (títulos do Tesouro americano). Esta queda, no entanto, só dentro de alguns meses começará a fazer-se sentir no Fundo, quando os actuais títulos, a taxas mais altas, começarem a ser amortizados e ser substituidos por títulos cuja taxa de juro é mais baixa. Mas isso são os ossos do ofício...

segunda-feira, 6 de Outubro de 2008

Evolução do preço internacional do arroz

A FAO, a organização das Nações Unidas para a agricultura e a alimentação, acaba de divulgar a última informação disponível sobre a evolução do preço internacional do arroz. Veja as imagens abaixo, sff.

Evolução do capital do Fundo Petrolífero

De acordo com as últimas Estatísticas Monetárias de Timor Leste, o capital do Fundo era, no fim de Agosto passado, de cerca de 3,5 mil milhões de USD.

Algumas curiosidades:
1 - tendo começado em Setembro de 2005 com cerca de 250 mil USD, o primeiro "bilião" (mil milhões de USD) foi alcançado em Dezembro de 2006 e o segundo em Novembro de 2007 (11 meses depois). A "entrada" no terceiro bilião deu-se em Junho passado (sete meses depois).
2 - enquanto que até Dezembro de 2006 a média mensal de acréscimo do capital foi de cerca de 53,5 milhões, durante o ano de 2007 foi de 90 milhões. Nos primeiros oito meses deste ano (2008) foi de... 181 milhões. O que dá a bonita quantia média de 6 milhões por dia, 250 mil USD/hora e um pouco mais de 4 mil/USD por minuto... Boa!...
3 - Veremos como se irá reflectir nas receitas do Fundo e no seu capital a instabilidade --- com forte descida --- do preço do petróleo no mercado internacional: depois dos mais de 140 USD/barril de Junho passado passou para os actuais cerca de 100... (89 usd/barril hoje)
4 - aparentemente não foi ainda solicitado pelo Governo nenhum dos 240 milhões USD solicitados para constituir o Fundo Estabilização Económica. Boa!...