segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Evolução do preço internacional do arroz

A FAO, a organização das Nações Unidas para a agricultura e a alimentação, acaba de divulgar a última informação disponível sobre a evolução do preço internacional do arroz. Veja as imagens abaixo, sff.

Evolução do capital do Fundo Petrolífero

De acordo com as últimas Estatísticas Monetárias de Timor Leste, o capital do Fundo era, no fim de Agosto passado, de cerca de 3,5 mil milhões de USD.

Algumas curiosidades:
1 - tendo começado em Setembro de 2005 com cerca de 250 mil USD, o primeiro "bilião" (mil milhões de USD) foi alcançado em Dezembro de 2006 e o segundo em Novembro de 2007 (11 meses depois). A "entrada" no terceiro bilião deu-se em Junho passado (sete meses depois).
2 - enquanto que até Dezembro de 2006 a média mensal de acréscimo do capital foi de cerca de 53,5 milhões, durante o ano de 2007 foi de 90 milhões. Nos primeiros oito meses deste ano (2008) foi de... 181 milhões. O que dá a bonita quantia média de 6 milhões por dia, 250 mil USD/hora e um pouco mais de 4 mil/USD por minuto... Boa!...
3 - Veremos como se irá reflectir nas receitas do Fundo e no seu capital a instabilidade --- com forte descida --- do preço do petróleo no mercado internacional: depois dos mais de 140 USD/barril de Junho passado passou para os actuais cerca de 100... (89 usd/barril hoje)
4 - aparentemente não foi ainda solicitado pelo Governo nenhum dos 240 milhões USD solicitados para constituir o Fundo Estabilização Económica. Boa!...

domingo, 5 de outubro de 2008

Três importantes documentos...

... sobre a evolução dos preços internacionais do petróleo e dos alimentos, nomeadamente o arroz:

ADB Asian Development Outlook 2008 Update

BP Statistical Review of World Energy 2008

FAO Rice Market Monitor, July 2008

Os mais interessados devem dar uma olhada...

Previsão da evolução do preço do petróleo

Preços da gasolina e do diesel na Ásia

Fonte: ADB Asia Development Outlook 2008 Update

Evolução histórica dos preços das matérias primas

O World Economic Outlook publicado há poucos dias pelo FMI inclui, a páginas tantas, o gráfico abaixo sobre a evolução, numa perspectiva histórica, dos preços internacionais das matérias primas, nomeadamente das de natureza alimentar e o petróleo.


Quanto ao segundo, vê-se bem que estamos hoje em dia com preços reais semelhantes (até um pouco superiores) aos que se verificaram aquando do segundo choque petrolífero, no final dos anos '70, início dos anos '80 do século passado. Mais, dá para perceber que esta subida se verificou ao longo dos últimos 8-9 anos porque no final do século estavamos com preços que eram sensivelmente 1/6 do que são hoje!

Quanto aos produtos alimentares, o que de mais fundamental há a realçar é o facto de, tal como prediziam muitos especialistas desde há muitos anos, o seu preço real ter caído muito desde que, na época do primeiro choque petrolífero e um pouco "à boleia" dele, os preços atingiram um pico.
Melhorias significativas da produtividade agrícola (mas não só) foram responsáveis por uma evolução em que os preços conheceram uma grande degradação, que terá ultrapassado os níveis do "aceitável" --- nomeadamente em termos de comparação com os preços de outras matérias primas e dos produtos industriais e com os preços (normais?) da década de 60.
Assim sendo, a subida recente dos preços dos alimentos (e de outros produtos agrícolas) é entendida por alguns como uma reacção a essa diminuição histórica dos seus preços e, por isso, estes terão tendência a manter-se elevados face ao passado recente --- mas ainda baixos se vistos em contraste com o seu passado hitórico, nomeadamente o pré-1º choque petrolífero.
Preparemo-nos para a nova realidade... Sim, que o mundo já não é o que era...

sábado, 4 de outubro de 2008

"Fundos da Riqueza Nacional" (Sovereign Wealth Funds)

Uma das principais alterações verificadas nos últimos anos no panorama financeiro internacional foi a proliferação e aumento de importância relativa dos chamados Sovereign Wealth Funds (SWF), que poderemos traduzir por Fundos da Riqueza Nacional já que, à semelhança do que acontece com o Fundo Petrolífero de Timor Leste, acumulam recursos financeiros resultantes principalmente da exploração de recursos naturais não renováveis (caso do petróleo e outros recursos minerais). Alguns resultam apenas de uma política de gestão do acumular de saldos positivos excepcionais da balança de pagamentos do país, como é o caso da China.

O último relatório do Fundo Monetário Internacional sobre o World Economic Outlook (WEO) disponibiliza informações sobre o número e valores acumulados por este tipo de fundos financeiros bem como sobre a estrutura das suas aplicações (nomeadamente em termos das moedas em que elas são denominadas). No caso de Timor Leste, como se sabe, todos os recursos (que já ultrapassaram os 3 mil milhões de USD ou, à inglesa, 3 biliões de USD) estão, em resultado do determinado na Lei do Fundo Petrolífero mas também por opção do Governo, aplicados em títulos do Tesouro dos Estados Unidos --- o que significa que estão todos aplicados em USD apesar de a Lei permitir que um montante de até 10% possa ser aplicado noutras moedas.

Os dois gráficos abaixo (clique neles para os aumentar e tornar legíveis) dão o essencial da informação que consta daquele WEO sobre os SWFs.
Como se pode verificar, nos anos decorridos desde o início da presente década o número de Fundos aumentou significativamente. Graças, principalmente, ao grande aumento dos preços do petróleo (a principal fonte de redimentos dos vários Fundos), o valor total por eles gerido cresceu também muito, situando-se hoje em dia em cerca de 800 mil milhões de USD --- dos quais 3 são do FP...

Vale também a pena salientar a composição, em moedas, da riqueza dos Fundos . Repare-se, por exemplo, que o Fundo de Pensões da Noruega tem cerca de 1/3 do seu valor aplicado em USD, outro terço em Euros e o 1/3 restante em outras moedas, nomeadamente em libras (inglesas) e em ienes (japoneses). Esta estrutura prende-se com opções da gestão do Fundo a que não é alheia a estrutura do comércio externo do país.
Na "pizza" de baixo está ilustrado o que poderá considerar-se como uma estrutura típica das aplicações de vários fundos: mais de um terço aplicados em USD, montantes aproximadamente iguais aplicados em Euros e Libras e depois em Ienes e noutras moedas.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Já provou o café mais caro do mundo? Quer provar? Mesmo depois de ler isto?!... :-)

Esta é apenas uma curiosidade para amenizar a conversa "séria" habitual: há um tipo de café que é considerado o mais caro do mundo e que é produzido principalmente na Indonésia.
Hoje vi-o numa montra da "Baixa" de Lisboa ao preço de... 600 euros/Kg (sim! não há nenhum zero a mais nem a menos... 120 'contos' antigos; cerca de mil USD/kg).

É considerado o único "café animal" do Mundo... Ora então veja aqui do que falo...

O Banco Asiático de Desenvolvimento e a economia asiática

O BAD publicou recentemente (Setembro passado) o Update do seu exame anual à economia da Ásia-Pacífico. É un documento que vale sempre a pena consultar e por isso deixamos aqui o link para o texto onde ele realça os aspectos principais da evolução recente da economia asiática.
Pelo sim, pelo não, permitimo-nos deixar aqui a transcrição (em inglês...) de alguns parágrafos que podem ser mais importantes para Timor Leste. No InfoTimorlinks para informações sobre Timor Leste

Sobre o petróleo e seu preço:
"While oil prices have come down from their peaks of $147 per barrel in July 2008, they will stay high in the long run. Inflationadjusted oil prices will remain well above $100 per barrel until about 2020, according to research commissioned by the Asian Development Bank.
The price runup in oil has been driven mostly by the fundamentals of demand and supply. Surging global demand and the inability of global supply to keep pace have relentlessly generated upward price pressures.

In the future, global oil prices will continue to be determined by fundamentals. Global demand growth will be increasingly driven by demand from developing Asia and the Middle East. The growing appetite for transportation fuel will be of particular importance. On the supply side, the near-term peaking of output from oil producers who are not members of the Organization of the Petroleum Exporting Countries (OPEC), and constraints on the expansion of OPEC’s output capacity in the medium term, will put severe strains on meeting incremental global oil demand."

Sobre o arroz e seu preço:
"The price of rice—the basic food staple for billions of Asians— has fallen from peak levels reached earlier this year yet remains more that twice as high as it was at the start of 2008. The surge in prices of rice and other staple foods reverses a decades-long decline in real prices.
The causes of this runup are complex, but have four fundamental drivers.
First, rapid economic growth in emerging economies, particularly the People’s Republic of China and India, has put
upward pressure on prices of a range of commodities, including food. Demand has simply outpaced supply.
Second, a sustained decline in the dollar since 2004 has added to upward price
pressure on dollar-denominated commodities—particularly on crude oil—and this has fueled a search for hedges against a weak dollar.
Third, the combination of high oil prices and legislative
mandates to raise production of biofuel substitutes for gasoline and diesel fuel has established a price link between feedstocks, such as corn and vegetable oils, and fuel prices.
Fourth, to some
degree at least, financial speculation arising from low interest rates has motivated commodity price changes."

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

O zero à esquerda

Toda a gente anda preocupadíssima com a crise financeira dos Estados Unidos devido aos efeitos de contágio que ela poderá ter quer para os sistemas financeiros de outros países --- principalmente da Europa e do Japão --- quer pelos efeitos que, mais tarde ou mais cedo, ela não deixará de ter sobre a chamada "economia real", i.e., o emprego, a produção e o consumo das populações de quase todo o mundo, ainda que com intensidades diferentes.
Ora, o que tenho achado curioso é que a instituição internacional que foi criada para vigiar o sistema financeiro internacional, o FMI, tem estado quase calado --- ou, pelo menos, ninguém dá importância ao que ele diz ou deixa de dizer. É o autêntico "zero à esquerda"! Não aquece nem arrefece...

Curioso é também o facto de este acaba por ser mais um "prego no caixão" de uma instituição que tem feito tudo para se descredibilizar a ela própria ao longo dos anos, principalmente dos últimos dez verdadeiros "anos horribilis" para ela.
Depois de ter atingido o pico da sua importância na década de 80 do século passado, quando foi necessário "apagar fogos" nos países que se tinham deixado enredar na armadilha da excessiva dívida externa, as coisas começaram a correr mal com a crise asiática de 1997-98.
A primeira "machadada" foi dada pelo "impertinente" Mahatir Mohamad, primeiro ministro da Malásia, ao recusar aplicar um programa de estabilização sugerido pelo Fundo e... "ousar" ter sucesso, com muitos menos custos sociais do que os que tiveram de suportar países como a Indonésia, que aplicaram o "pacote do Fundo" de políticas económicas. Mais tarde o próprio FMI veio a reconhecer que a sua gestão daquela crise tinha sido errada.
Depois foi a chamada "crise argentina", desencadeada por um Ministro das Finanças do país ("o cavalo do Cavallo") que, ex-colaborador do Fundo, resolveu "ser mais papista que o papa" e arrastou o seu país para uma situação de profunda crise de que entretanto está a sair --- em boa parte por estar a aplicar políticas bem diferentes das sugeridas pelo Fundo...
Depois foi a queda significativa dos rendimentos da própria instituição em resultado da queda dos empréstimos que concede --- em parte porque não são necessários, em parte porque países como a China e a Venezuela estão a "dar cabo do negócio" ao emprestarem aos países necessitados com condições muito melhores que as impostas pelo Fundo nos empréstimos que concede.
Finalmente, esta crise que, tal como a de 1997, não foi verdadeiramente antevista pelo FMI e perante a qual ninguém se preocupa em saber o que ele pensa ou não. Por isso anda por aí muita gente a perguntar "e não se pode exterminá-lo"?
Há dias em que não se pode sair de casa...