Uma economia não pode dispensar a existência de um sector industrial, por menor que ele seja. O que acontece em Timor Leste é que este sector é virtualmente inexistente. Aliás, isso não é grande novidade para os timorenses, pois não?!... No tempo da administração portuguesa nem se fala e o da administração indonésia também não foi muito melhor... Pelo menos ao ponto de fazer alguma diferença no contexto da produção nacional e no emprego. Uma fábrica têxtil, tal como uma andorinha, não faz a Primavera...
Quais as esperanças de que a situação futura seja significativamente --- sublinho esta última palavra --- diferente da anterior e da presente? Temo ser um pouco pessimista...
Mas é evidente que quer o actual quer os anteriores governos põe/puseram uma forte esperança de que a eventual instalação da fábrica de liquefacção de gás da zona do Greater Sunrise seja o "big push" necessário ao desenvolvimento de um sector industrial timorense digno de nota constituído, entre outras, por empresas de pequena/média dimensão que possam trabalhar articuladas com aquela fábrica. Será uma gota de água face às necessidades de criação de emprego do país até porque estas empresas tenderão a ser, provavelmente, de tecnologia mais desenvolvida e necessitando de um número limitado de empregados. Mas é um princípio.
E só isso? Claro que não. Cremos que um olhar com sentido estratégico para a economia do país e ao que há a fazer nos anos próximos será suficiente para identificar alguns sectores de produção industrial que poderão desenvolver-se. Só um estudo mais aprofundado e que não cabe aqui poderá fazer a sua identificação mas não será difícil imaginar que alguns deles estarão ligados a duas áreas que terão de conhecer um forte desenvolvimento no futuro: a das infraestruturas (rodoviárias, de equipamentos sociais --- incluindo escolas ---, etc) e a da habitação.
Qualquer destas áreas cria uma procura significativa em sectores produtivos que estão perfeitamente ao alcance dos empresários timorenses --- mesmo que com uma "ajudinha" de estrangeiros e, até, do Estado quer enquanto "mestre da banda" (planeador) quer, mesmo, como parceiro de negócio (directamente ou através de um banco de desenvolvimento nacional, por exemplo).
Referimo-nos, nomeadamente, à produção de tijolos, de telhas, de mobiliário, de brita, a empresas de assistência técnica a equipamentos, a pequenas/médias oficinas de metalomecânica e de outros produtos. Particularmente importante será o desenvolvimento de indústrias que sirvam para aumentar o grau de incorporação de trabalho nacional nas produções agrícolas (ex: torrefacção de café, descasque de arroz, óleos vegetais, etc).
Com algum sentido de planeamento, estas indústrias deverão aparecer precedendo ou simultaneamente com o aumento das despesas nestas áreas sob risco de a maior parte destas se "escoarem" para as importações e o impulso à economia nacional ser muito menor.
Só que, tememos, há (pelo menos) um probleminha... A reforma das taxas fiscais que entrou em vigor em 1 de Julho passado torna, quanto a nós, difícil a situação para os potenciais interessados em produzir em Timor Leste algumas destas (e outras) produções. De facto, e particularmente quanto às tarifas aduaneiras, a significativa redução das taxas veio, cremos, incentivar mais a importação (da Indonésia e não só) do que a produção nacional. O futuro o dirá...
Mesmo o argumento de que a descida das taxas alfandegárias era necessária num contexto de futura adesão à ASEAN não colhe já que, liberalizando agora (como disse alguém "too much too soon"), o que se vai negociar verdadeiramente para a ela aderir? Nada de verdadeiramente essencial, temo!... O que é uma péssima estratégia de negociação --- não é, Zacarias?
Os argumentos que defendem a existência de uma certa protecção das chamadas "indústrias nascentes" são verdadeiros, SIM! Qualquer país da Ásia Oriental o testemunha... E não só eles! Como julgam que se desenvolveu a capacidade industral do Brasil? E, mesmo, do Portugal dos anos 50 e, principalmente, 60?
Será tarde para voltar atrás? Infelizmente... Pelo menos para já.
sábado, 20 de Setembro de 2008
Mais sobre o arroz...
Nos quadros abaixo indicam-se as últimas estatísticas disponíveis sobre a produção e a colheita por hectare de arroz em Timor Leste (dados do Ministério da Agricultura e Pescas) bem como sobre dados semelhantes relativos a vários países mas ao ano, já afastado, de 2000.
O que nos interessa realçar fundamentalmente é a diferença, quase abissal, de colheita por hectare em Timor Leste (1,6 kg) e na maior parte dos outros países, particularmente os do Sudeste Asiático. Este, naturalmente, é fruto das características do solo mas também de muitos outros factores, nomeadamente o uso ou não de variedades mais produtivas, a existência de secas ou não, o uso ou não de suplementos (adubos, insecticidas), etc.


A diferença referida é a imagem do muito que, também neste sector, há que fazer em Timor Leste a bem do aumento dos rendimentos dos agricultores e da diminuição da dependência do país em relação à importação do cereal.
Ela é também responsável pelo facto de, segundo cálculos do Ministério e supondo um consumo per capita de 90kg/ano/pessoa, se ter verificado um défice de produção em relação às necessidades globais de consumo de cerca de 47 mil tons --- que tiveram de ser "substituídas" por arroz importado a um preço "carissíssimo", como diria um certo e determinado meu amigo. Se fosse possível aumentar a produtividade por hectare das actuais 1,6 até às 2,5 tons de Bobonaro o país tornar-se-ia aparentemente autosuficientemente em arroz.
Note-se que aquele consumo anual per capita é muito superior à média mundial (58kg/pessoa/ano), muito menor que o registado em países como o recordista mundial, Myanmar/Birmânia (211 kg), e a Indonésia (154 kgs) mas aproximadamente o mesmo que o registado para a China (91 kgs) e as Filipinas e a Tailândia (100 kgs).
O que nos interessa realçar fundamentalmente é a diferença, quase abissal, de colheita por hectare em Timor Leste (1,6 kg) e na maior parte dos outros países, particularmente os do Sudeste Asiático. Este, naturalmente, é fruto das características do solo mas também de muitos outros factores, nomeadamente o uso ou não de variedades mais produtivas, a existência de secas ou não, o uso ou não de suplementos (adubos, insecticidas), etc.


A diferença referida é a imagem do muito que, também neste sector, há que fazer em Timor Leste a bem do aumento dos rendimentos dos agricultores e da diminuição da dependência do país em relação à importação do cereal.
Ela é também responsável pelo facto de, segundo cálculos do Ministério e supondo um consumo per capita de 90kg/ano/pessoa, se ter verificado um défice de produção em relação às necessidades globais de consumo de cerca de 47 mil tons --- que tiveram de ser "substituídas" por arroz importado a um preço "carissíssimo", como diria um certo e determinado meu amigo. Se fosse possível aumentar a produtividade por hectare das actuais 1,6 até às 2,5 tons de Bobonaro o país tornar-se-ia aparentemente autosuficientemente em arroz.
Note-se que aquele consumo anual per capita é muito superior à média mundial (58kg/pessoa/ano), muito menor que o registado em países como o recordista mundial, Myanmar/Birmânia (211 kg), e a Indonésia (154 kgs) mas aproximadamente o mesmo que o registado para a China (91 kgs) e as Filipinas e a Tailândia (100 kgs).
quarta-feira, 17 de Setembro de 2008
Evolução do preço internacional do arroz
Veja-se abaixo a informação da FAO sobre a evolução do preço internacional do arroz. Como se pode verificar ele está a diminuir mas mantém-se ainda a um nível elevado --- e espera-se que assim continue no futuro próximo.
Depois de ter estado (o preço da tonelada de arroz de melhor qualidade da Tailândia, que serve de referência ao mercado mundial) a 963 USD/ton em Maio passado (média do mês; preço mais alto: 1038 USD/ton), está agora (semana de 12 de Setembro) a 771 USD/ton, uma queda de 25% em relação ao preço máximo indicado. Esta evolução, a manter-se, pode fazer repensar a estratégia de concessão de subsídios ao arroz em Timor Leste --- além de, há que reconhecer, reduzir a força da argumentação apresentada para justificar o chamado Fundo de Estabilização Económica e o seu montante. "Penso eu de que...", como diria o outro...
(clique na imagem para a aumentar e tornar legível, sff)

Depois de ter estado (o preço da tonelada de arroz de melhor qualidade da Tailândia, que serve de referência ao mercado mundial) a 963 USD/ton em Maio passado (média do mês; preço mais alto: 1038 USD/ton), está agora (semana de 12 de Setembro) a 771 USD/ton, uma queda de 25% em relação ao preço máximo indicado. Esta evolução, a manter-se, pode fazer repensar a estratégia de concessão de subsídios ao arroz em Timor Leste --- além de, há que reconhecer, reduzir a força da argumentação apresentada para justificar o chamado Fundo de Estabilização Económica e o seu montante. "Penso eu de que...", como diria o outro...
(clique na imagem para a aumentar e tornar legível, sff)

A Lei do Banco Central em Conselho de Ministros
Segundo comunicado de hoje, o Conselho de Ministros acaba de discutir a futura Lei Orgânica do Banco Central de Timor-Leste, por transformação neste da actual Autoridade Bancária e de Pagamentos. É este o teor do comunicado no ponto relativo ao BCTL:
"Proposta de Lei que aprova a Orgânica da Autoridade Central de Pagamentos O Banco Central de Timor-Leste é a instituição responsável pela estabilidade dos preços e do sistema financeiro e pela contribuição decisiva para o crescimento e desenvolvimento económico e redução das desigualdades sociais de Timor-Leste."
"Proposta de Lei que aprova a Orgânica da Autoridade Central de Pagamentos
O Conselho de Ministros analisou na sua reunião de hoje a Proposta de Lei Orgânica do Banco Central de Timor-Leste. Um diploma que surge em conformidade com o artigo 143.º da Constituição da República Democrática de Timor-Leste e que voltará a ser posteriormente agendado para aprovação, depois de introduzidas as alterações efectuadas pelo Conselho de Ministros.
terça-feira, 16 de Setembro de 2008
Evolução da taxa homóloga de inflação em Dili
Dados recentes do ADB/BAD sobre a economia de Timor Leste
O ADB/BAD, o Banco Asiático de Desenvolvimento, acaba de publicar o update do seu Asian Development Outlook. Dele constam dois quadros no seu anexo estatístico com informação sobre as taxas de crescimento do produto (PIB) e da inflação nos países asiáticos, incluindo Timor Leste (para efeitos do ADB incluído no grupo das (pequenas) economias do Pacífico. Veja abaixo (clique sobre os quadros para alargar a imagem). 
Desses quadros resulta que as estimativas do Banco para os anos de 2008 e 2009 são de que o PIB cresça, respectivamente, 6,5% e 4,9% (note-se que os vários governos têm estado de acordo em que Timor Leste precisa de crescer a cerca de 7-8%/ano --- pelo menos --- para que as melhorias nas condições de vida sejam minimamente visíveis).
Quanto à inflação, as estimativas iniciais do BAD iam no sentido de que ela se situaria nos 7% em 2008 mas agora já reviu a taxa para 9% ("curiosamente" igual às estimativas conhecidas do FMI). Para 2009 as estimativas iniciais eram de que a taxa de variação dos preços seria de 6,6% mas agora prevê-se que seja de 7,8% --- de qualquer forma uma redução relativamente à taxa de 2008.
Note-se que em Julho passado a taxa, relativamente a Julho do ano passado, foi de 12,4%, o que nos faz desconfiar significativamente dos valores estimados pelo Banco. O futuro o dirá...

Desses quadros resulta que as estimativas do Banco para os anos de 2008 e 2009 são de que o PIB cresça, respectivamente, 6,5% e 4,9% (note-se que os vários governos têm estado de acordo em que Timor Leste precisa de crescer a cerca de 7-8%/ano --- pelo menos --- para que as melhorias nas condições de vida sejam minimamente visíveis).Quanto à inflação, as estimativas iniciais do BAD iam no sentido de que ela se situaria nos 7% em 2008 mas agora já reviu a taxa para 9% ("curiosamente" igual às estimativas conhecidas do FMI). Para 2009 as estimativas iniciais eram de que a taxa de variação dos preços seria de 6,6% mas agora prevê-se que seja de 7,8% --- de qualquer forma uma redução relativamente à taxa de 2008.
Note-se que em Julho passado a taxa, relativamente a Julho do ano passado, foi de 12,4%, o que nos faz desconfiar significativamente dos valores estimados pelo Banco. O futuro o dirá...
segunda-feira, 15 de Setembro de 2008
Ainda sobre o café em Timor Leste
De conversas que pude manter com várias pessoas envolvidas, de uma forma ou de outra, na produção de café em Timor Leste sintetizo alguma conclusões provisórias:
a) dado o preço (relativamente baixo) do café no mercado internacional não é fácil a exploração empresarial do mesmo já que os custos de operação são grandes, nomeadamente devido ao facto de não ser possível mecanizar a colheita devido ao acidentado do terreno;
b) para esta falta de rentabilidade contribui também o facto de uma parte (não necessariamente pequena...) da colheita efectuada manualmente ser "desviada" do proprietário dos terrenos para os que colhem as cerejas...
c) outro aspecto importante é o facto de a qualidade não ser maior devido a erros no próprio processo de colheita já que, contrariamente ao que acontecia "noutros tempos", não há pessoal vigilante que impeça quem faz a apanha dos frutos de simplesmente "derriçar" todo o ramo independentemente do estado de maturação dos frutos. A prática correcta seria colher apenas os frutos maduros e deixar a amadurecer os que não atingiram um bom estado de maturação. Comparem-se, por exemplo, as duas imagens abaixo, em que a primeira é um exemplo do que "não" se deve fazer (repare-se na grande mistura de frutos verdes, pouco maduros e maduros):
d) parte importante da produção nacional é exportada (nomeadamente para a Indonésia) com um estado de transformação reduzido. Há espaço para aumentar a incorporação de trabalho nacional nessa produção, aumentando o seu valor. Há (pelo menos) uma firma a trabalhar nesse sentido. A Elsa Cafés, de investidores timorenses, que pretendem chegar à fase de torrefacção
e) dado o que fica acima e a preocupação de melhorar o rendimento dos cultivadores de café, a aposta fundamental deve ser colocada no apoio à melhoria da produção dos agricultores familiares. A "cooperação agrícola" portuguesa tem tido um papel fundamental neste domínio mas há muito, muito, ainda por fazer, nomeadamente quanto à renovação de parte do cafezal por plantas mais produtivas. E aí o Estado timorense tem um papel importante a desempenhar já que há que encontrar uma solução para manter o rendimento dos agricultores durante o período em que essa renovação, nomeadamente por poda radical e enxertia com variedades mais produtivas (vd entrada abaixo), é feita. Caramba! Afinal o café é a única verdadeira produção nacional... Sim, porque o petróleo vem do fundo do mar...
f) do que fica no ponto anterior não se deve deduzir que não há espaço para a agricultura empresarial de café. Claro que sim e ela deve ser também apoiada com medidas que permitam melhorar as condições em que tais empresas operam. A melhoria das plantas utilizadas é uma delas mas não a única. Algum tipo de alteração de algumas práticas sociais erradas é igualmente necessária, embora se reconheça que não é fácil actuar neste domínio sem que se caia em acusações de "colonialismo"!...
a) dado o preço (relativamente baixo) do café no mercado internacional não é fácil a exploração empresarial do mesmo já que os custos de operação são grandes, nomeadamente devido ao facto de não ser possível mecanizar a colheita devido ao acidentado do terreno;
b) para esta falta de rentabilidade contribui também o facto de uma parte (não necessariamente pequena...) da colheita efectuada manualmente ser "desviada" do proprietário dos terrenos para os que colhem as cerejas...
c) outro aspecto importante é o facto de a qualidade não ser maior devido a erros no próprio processo de colheita já que, contrariamente ao que acontecia "noutros tempos", não há pessoal vigilante que impeça quem faz a apanha dos frutos de simplesmente "derriçar" todo o ramo independentemente do estado de maturação dos frutos. A prática correcta seria colher apenas os frutos maduros e deixar a amadurecer os que não atingiram um bom estado de maturação. Comparem-se, por exemplo, as duas imagens abaixo, em que a primeira é um exemplo do que "não" se deve fazer (repare-se na grande mistura de frutos verdes, pouco maduros e maduros):
d) parte importante da produção nacional é exportada (nomeadamente para a Indonésia) com um estado de transformação reduzido. Há espaço para aumentar a incorporação de trabalho nacional nessa produção, aumentando o seu valor. Há (pelo menos) uma firma a trabalhar nesse sentido. A Elsa Cafés, de investidores timorenses, que pretendem chegar à fase de torrefacção
e) dado o que fica acima e a preocupação de melhorar o rendimento dos cultivadores de café, a aposta fundamental deve ser colocada no apoio à melhoria da produção dos agricultores familiares. A "cooperação agrícola" portuguesa tem tido um papel fundamental neste domínio mas há muito, muito, ainda por fazer, nomeadamente quanto à renovação de parte do cafezal por plantas mais produtivas. E aí o Estado timorense tem um papel importante a desempenhar já que há que encontrar uma solução para manter o rendimento dos agricultores durante o período em que essa renovação, nomeadamente por poda radical e enxertia com variedades mais produtivas (vd entrada abaixo), é feita. Caramba! Afinal o café é a única verdadeira produção nacional... Sim, porque o petróleo vem do fundo do mar...
f) do que fica no ponto anterior não se deve deduzir que não há espaço para a agricultura empresarial de café. Claro que sim e ela deve ser também apoiada com medidas que permitam melhorar as condições em que tais empresas operam. A melhoria das plantas utilizadas é uma delas mas não a única. Algum tipo de alteração de algumas práticas sociais erradas é igualmente necessária, embora se reconheça que não é fácil actuar neste domínio sem que se caia em acusações de "colonialismo"!...
"Doing Business" em Timor Leste (2009)
Foi recentemente publicado, no âmbito das actividades do Banco Mundial, o relatório Doing business 2009. Aí são abordadas as principais características do ambiente de negócios em vários países do Mundo, incluindo Timor Leste --- que fica "classificado" em 170º lugar em 181 países estudados. Fraquinho, não?!...
Aqui fica uma imagem gráfica da posição relativa dos países da Ásia-Pacífico, em que se inclui Timor Leste.
Aqui fica uma imagem gráfica da posição relativa dos países da Ásia-Pacífico, em que se inclui Timor Leste.
domingo, 14 de Setembro de 2008
Oba!... Que tremideira é esta?!...
Dados sobre o tremor de terra em Timor Leste no início do dia 14 de Setembro (8 da manhã) segundo os Serviços Geológicos dos Estados Unidos.
sábado, 13 de Setembro de 2008
Tão mexendo no meu bolso!...
Como é possível que, com a queda do preço do petróleo que se tem verificado nos últimos cerca de 2 meses, em Timor Leste o preço da gasolina tenha baixado de uma assentada cerca de 20 cêntimos de USD (de 1,35 para 1,15 ou 1,20; equivalentes a cerca de 15%) e em Portugal a gasolina esteja ao preço que está, "muda e queda" apesar do preço do Brent ter baixado dos cerca de 150 USD/barril para os menos de 100 (cerca de 30%!)?!... Tão mexendo no meu bolso!...
Nota: 1,2 USD equivalem a cerca de 0,85 euros. Isto é, a gasolina em Timor Leste custa 60% do que custa em Portugal
Nota: 1,2 USD equivalem a cerca de 0,85 euros. Isto é, a gasolina em Timor Leste custa 60% do que custa em Portugal
Ainda sobre o "híbrido de Timor"
Ainda mal tinha terminado a viagem que me trouxe de mais uma estada em Timor Leste, fui a caminho do Centro de Informação da Ferrugem do Cafeeiro para uma visita guiada e uma conversa sobre o "híbrido de Timor" que o Centro, desde há mais de 50 anos, espalha pelo mundo.
Aí fiquei a conhecer alguns aspectos da cultura do café que compartilho convosco, bebedores inveterados de "bica" ou não...
Informação para leigos no assunto como nós...: os cafeeiros são tanto mais produtivos quanto menos espaçados forem os "nós" num ramo pois que é aí que nascem as flores e, depois, as cerejas do café que darão origem ao grão. Assim sendo, uma melhoria da produção de café passará pela difusão de variedades e/ou de plantas em que se verifique esta característica.
Ramo de cafeeiro (arábica)
Flor de café (linda, não é?!...)
Note-se o curto espaçamento entre os "nós" onde estão nascendo as "cerejas"

O curioso é que o Centro é, pelas suas funções, a maior "plantação" de café na Europa. Em estufas, claro. Note-se o aspecto compacto das plantas, denunciando exactamente a existência de muitos nós e de grande potencial de produção. Quando veremos este aspecto nos cafeeiros de Timor?

Aí fiquei a conhecer alguns aspectos da cultura do café que compartilho convosco, bebedores inveterados de "bica" ou não...
Informação para leigos no assunto como nós...: os cafeeiros são tanto mais produtivos quanto menos espaçados forem os "nós" num ramo pois que é aí que nascem as flores e, depois, as cerejas do café que darão origem ao grão. Assim sendo, uma melhoria da produção de café passará pela difusão de variedades e/ou de plantas em que se verifique esta característica.
Ramo de cafeeiro (arábica)
Flor de café (linda, não é?!...)
Note-se o curto espaçamento entre os "nós" onde estão nascendo as "cerejas"

Cuidados a ter na colheita do café
Continuo na minha de que é necessário fazer algo de substantivo para melhorar a quantidade e qualidade de café produzida pelos agricultores timorenses.
Daí que de vez em quando volte à questão e aborde aqui alguns aspectos que me parecem interessantes sobre o assunto.
É o caso do link (para um blog brasileiro) que pode ver aqui e que aborda cuidados a ter na cultura de café orgânico.
Daí que de vez em quando volte à questão e aborde aqui alguns aspectos que me parecem interessantes sobre o assunto.
É o caso do link (para um blog brasileiro) que pode ver aqui e que aborda cuidados a ter na cultura de café orgânico.
sexta-feira, 12 de Setembro de 2008
De Timor a Macau e... "home, sweet home"

Pois é: deixei Timor no passado dia 4 de Setembro e passei 3 dias em Macau revisitando lugares e amigos a fim de tentar perceber as últimas novidades na evolução do outrora "Território" e hoje RAEM (Região Administrativa Especial de Macau) e dar por encerrado um texto que escrevi sobre a economia de Macau nos últimos anos da administração portuguesa e nos primeiros da administração chinesa.
Deu para perceber que a Região está cada vez mais dependente do jogo (essa história das convenções e espectáculos são apenas a cereja do bolo...) e que este está, como já tinha compreendido, a funcionar como o zero na multiplicação: é elemento absorvente, que tudo "mata" à sua volta, não deixando florescer actividades económicas que não lhe estejam subordinadas (como é o caso do sector do turismo/hotéis).
Por isso as exportações estão em queda, a inflação está em alta e as pessoas se queixam cada vez mais do custo de vida --- isto para não falar nas que, por encarecimento das rendas, são obrigadas a fechar os seus pequenos comércios ou a passar a residir no outro lado das "Portas do Cerco", que dividem a RAEM do resto da China ("Mainland China").
E o que é que isto tem que ver com Timor Leste? Nada e tudo... É que este tem no petróleo e suas receitas o seu "jogo" e ele pode vir também a tornar-se "elemento absorvente", dificultando o aparecimento de sectores económicos fortes e que permitam diversificar a economia, nomeadamente através da produção de bens exportáveis.
terça-feira, 2 de Setembro de 2008
Evolução recente do preço do arroz no mercado internacional
Segundo dados da FAO, a organização das Nações Unidas para a alimentação e a agricultura, o preço médio da tonelada de arroz tailandês --- mais ou menos o que serve de orientação para os mercados --- em Julho passado foi de 835 USD/ton, depois de nos 3 meses anteriores ter sido 853 em Abril, 963 em Maio e 870 em Junho.
Em Julho do ano passado ele estava a 337 USD/tons. Isto é, o preço de Julho deste ano é cerca de 2,5 vezes o do ano passado!
Em Julho do ano passado ele estava a 337 USD/tons. Isto é, o preço de Julho deste ano é cerca de 2,5 vezes o do ano passado!
segunda-feira, 1 de Setembro de 2008
Relatório de Execução Orçamental do 1º semestre de 2008
Acaba de ser disponibilizado no site do Ministério das Finanças o Relatório de Execução Orçamental referente ao primeiro semestre de 2008.
Vale a pena ler em http://www.mof.gov.tl/en/treasury/download/en/Qtr2_2008_Pt.pdf .
Note-se que dos 333,4 milhões de USD orçamentados (OGE aprovado em 31DEZ07) foram efectivamente pagos até ao fim de Junho/08 107,7 milhões de USD, a que corresponde uma taxa de execução "de caixa" de 32,3%.
Além disso foram assumidos compromissos no montante de 88,6 milhões USD. Se somarmos as verbas efectivamente pagas com estes compromissos a taxa de execução passa para 58,8%.
De realçar que durante o semestre foram pagos (despesa de caixa) 58,6 milhões USD dos 137,6 orçamentados para "bens e serviços", 4,2 milhões dos 60,9 milhões previstos gastar em "capital e desenvolvimento" e 19,6 dos 63,9 milhões orçamentados para pagamento de vários tipos de "transferências".
Vale a pena ler em http://www.mof.gov.tl/en/treasury/download/en/Qtr2_2008_Pt.pdf .
Note-se que dos 333,4 milhões de USD orçamentados (OGE aprovado em 31DEZ07) foram efectivamente pagos até ao fim de Junho/08 107,7 milhões de USD, a que corresponde uma taxa de execução "de caixa" de 32,3%.
Além disso foram assumidos compromissos no montante de 88,6 milhões USD. Se somarmos as verbas efectivamente pagas com estes compromissos a taxa de execução passa para 58,8%.
De realçar que durante o semestre foram pagos (despesa de caixa) 58,6 milhões USD dos 137,6 orçamentados para "bens e serviços", 4,2 milhões dos 60,9 milhões previstos gastar em "capital e desenvolvimento" e 19,6 dos 63,9 milhões orçamentados para pagamento de vários tipos de "transferências".
sexta-feira, 29 de Agosto de 2008
Preço do petróleo: das estimativas à realidade
Em Janeiro deste ano a publicação Energy & Metals Consensus Forecasts indicava como média para as estimativas de várias fontes para o preço do petróleo (WTI) em Junho passado o valor de 83,79 USD/barril. A estimativa máxima era de 95 USD/barril e a mínima de 70 USD/barril.
A realidade, porém, situou-se muito para além destas estimativas e a média do preço efectivo do mês de Junho passado foi de 133,32 USD/barril. Cerca de 60% acima da média das estimativas e quase 50% acima da mais alta!
Já agora adientem-se as estimativas (de Janeiro passado) para Setembro e Dezembro deste ano: 82,89 e 80,89 USD/barril. Onde eles já vão!...
A médio prazo, a estimativa era de que o crude atingisse os cerca de 74,6 USD/ barril em Junho de 2010, com estimativas extremas ainda mais divergentes que as anteriores: 97,75 de máximo e... 50 USD/barril de mínimo! Era bom, não era?
O preço de hoje foi de 115,59 USD/barril.
A realidade, porém, situou-se muito para além destas estimativas e a média do preço efectivo do mês de Junho passado foi de 133,32 USD/barril. Cerca de 60% acima da média das estimativas e quase 50% acima da mais alta!
Já agora adientem-se as estimativas (de Janeiro passado) para Setembro e Dezembro deste ano: 82,89 e 80,89 USD/barril. Onde eles já vão!...
A médio prazo, a estimativa era de que o crude atingisse os cerca de 74,6 USD/ barril em Junho de 2010, com estimativas extremas ainda mais divergentes que as anteriores: 97,75 de máximo e... 50 USD/barril de mínimo! Era bom, não era?
O preço de hoje foi de 115,59 USD/barril.
quarta-feira, 27 de Agosto de 2008
As "más ideias" e o caso de Timor Leste
Abaixo referimos a existência de algumas "más ideias" em relação ao desenvolvimento. Vejamos algumas considerações sobre várias delas no caso de Timor Leste:
· Subsidiar a energia excepto em casos muito específicos e dirigidos a sectores altamente vulneráveis da população.
[AS; Timor Leste] Um exemplo é o caso do querosene, de preferência apenas para as famílias mais pobres. Porém, dada a necessidade de proteger o meio ambiente reduzindo ao mínimo dos mínimos o uso de lenha como combustível, é aceitável que o eventual subsídio ao querosene seja universal, i.e., seja acessível a todos e não apenas aos mais pobres.
Este subsídio é mais aceitável que o actualmente concedido ao arroz, podendo haver substituição total ou parcial de um pelo outro.
· Lidar com o nível elevado de desemprego utilizando a Função Pública como “empregador de último recurso”. Isto é diferente dos programas de obras públicas tais como esquemas rurais de emprego, que podem constituir uma rede de segurança social importante
[AS; Timor Leste] Já muitas vezes falei da “solução indonésia” em termos de mercado de trabalho, constituída essencialmente pela tendência a empregar na Função Pública mais gente do que a necessária. Esta “solução” está, temo, a ser aplicada, não havendo esforços suficientes para melhorar a produtividade dos trabalhadores, antes preferindo-se a esta o aumento do número de funcionários mesmo que depois estejam (por vezes muito) sub-aproveitados.
· Impor controlos de preços para travar a inflação, a qual é muito melhor defrontada através de outras políticas macroeconómicas
[AS; Timor Leste] Incluímos neste grupo de medidas o controlo indirecto dos preços através da concessão de subsídios. Como se diz aqui e já se referiu oportunamente, a inflação é melhor combatida com outras medidas de carácter macroeconómico, nomeadamente uma maior disciplina orçamental (e sua coordenação com o Banco Central) e a concessão de apoios à produção em vez de ao consumo.
· Ignorar as questões ambientais nos estádios iniciais de crescimento com o argumento de que se trata de um “luxo insustentável” [para o país]
[AS; Timor Leste] Será, talvez, abusivo e pouco exacto dizer que as autoridades consideram a protecção ambiental um luxo mas a verdade é que, objectivamente, não têm tido efeitos visíveis os esforços feitos até agora.
· Medir o progresso da educação apenas pela construção de infraestruturas escolares ou, até, pela maior taxa de matrícula em vez de focar a atenção na extensão da aprendizagem e na qualidade do ensino.
[AS; Timor Leste] De há muito tempo que sou crítico (muito crítico?) em relação à forma como foram definidos os Objectivos do Milénio e, principalmente, à forma quase fundamentalista como as organizações internacionais querem “vender” o “produto” à falta de imaginação para mais. Não há, de facto, relatório que se preze que não comece de outra forma que não seja a sacrossanta ladainha do “Viva os OdM!...”.
No caso de Timor Leste e por menos “politicamente correcto” que isto possa parecer, apostar todos os trunfos no aumento da quantidade das crianças nas escolas sem que se faça um esforço (muito mais que) proporcional para melhorar a qualidade do ensino é, em boa parte, prolongar a estratégia indonésia --- e, em parte, dos próprios OdM... --- de disseminar a porcaria (ia escrevendo outra coisa mas contive-me a tempo...) em vez de apostar na muito significativa melhoria da qualidade do ensino dos que já estão no sistema (e que já são muitos). É que, não tenham dúvidas, é esta melhor qualidade, muito mais que a quantidade, que ajudará a fazer da próxima geração de timorenses cidadãos mais úteis ao seu país... e a si próprios.
Esta é uma opção estratégica que tem de ser tomada agora devido ao enorme período de tempo que o sistema de ensino leva a produzir efeitos.
Já que neste domínio já se vai tarde para fazer grande coisa pelas gerações actuais, pelo menos que se preparem como deve ser as futuras gerações. Elas não perdoarão se assim não for!
· Pagar mal aos funcionários públicos (incluindo professores) comparativamente com os valores do mercado para qualificações semelhantes e combinar as baixas remunerações com promoções por antiguidade em vez de usar métodos credíveis de medição do desempenho dos funcionários e remunerá-los em função disso
[AS; Timor Leste] Pois... É tudo muito bonito mas... e de quem é a culpa, em Timor Leste, da enorme distorção do mercado de trabalho? Da ONU e das ONGs que por aqui estão e que, apesar de dizerem que Timor Leste é pouco competitivo face ao vizinho do lado (a Indonésia) e que isso dificulta a absorção do desemprego, são os primeiros a pagar salários pelo menos 2 a 3 vezes superiores ao que o Estado Timorense pode pagar para funções semelhantes.
O que, naturalmente, levanta uma questão fundamental: a da concorrência (desleal) entre as entidades internacionais e as nacionais pela contratação de pessoal com um mínimo de qualificações para desempenharem tarefas mais exigentes, deixando o Estado à míngua de bons quadros. E depois queixam-se que este não é capaz de bem desempenhar as suas funções.
· Permitir a excessiva apreciação da taxa de câmbio antes que a economia esteja pronta para a transição para níveis mais elevados de produtividade, nomeadamente da indústria.
[AS; Timor Leste] Isto articula-se com vários aspectos que já referimos aqui, particularmente à crítica de que (e não é só opinião nossa) o país, com a recente reforma fiscal, “se abriu demasiado e demasiado cedo” (“too much and too soon”). Deus queira que não dê para o torto e que a “teoria da banheira” não se verifique.
Outro aspecto que está aqui em causa é o da pouca atenção que parece estar a merecer de quem de direito a necessidade de fazer baixar a taxa de inflação.
· Subsidiar a energia excepto em casos muito específicos e dirigidos a sectores altamente vulneráveis da população.
[AS; Timor Leste] Um exemplo é o caso do querosene, de preferência apenas para as famílias mais pobres. Porém, dada a necessidade de proteger o meio ambiente reduzindo ao mínimo dos mínimos o uso de lenha como combustível, é aceitável que o eventual subsídio ao querosene seja universal, i.e., seja acessível a todos e não apenas aos mais pobres.
Este subsídio é mais aceitável que o actualmente concedido ao arroz, podendo haver substituição total ou parcial de um pelo outro.
· Lidar com o nível elevado de desemprego utilizando a Função Pública como “empregador de último recurso”. Isto é diferente dos programas de obras públicas tais como esquemas rurais de emprego, que podem constituir uma rede de segurança social importante
[AS; Timor Leste] Já muitas vezes falei da “solução indonésia” em termos de mercado de trabalho, constituída essencialmente pela tendência a empregar na Função Pública mais gente do que a necessária. Esta “solução” está, temo, a ser aplicada, não havendo esforços suficientes para melhorar a produtividade dos trabalhadores, antes preferindo-se a esta o aumento do número de funcionários mesmo que depois estejam (por vezes muito) sub-aproveitados.
· Impor controlos de preços para travar a inflação, a qual é muito melhor defrontada através de outras políticas macroeconómicas
[AS; Timor Leste] Incluímos neste grupo de medidas o controlo indirecto dos preços através da concessão de subsídios. Como se diz aqui e já se referiu oportunamente, a inflação é melhor combatida com outras medidas de carácter macroeconómico, nomeadamente uma maior disciplina orçamental (e sua coordenação com o Banco Central) e a concessão de apoios à produção em vez de ao consumo.
· Ignorar as questões ambientais nos estádios iniciais de crescimento com o argumento de que se trata de um “luxo insustentável” [para o país]
[AS; Timor Leste] Será, talvez, abusivo e pouco exacto dizer que as autoridades consideram a protecção ambiental um luxo mas a verdade é que, objectivamente, não têm tido efeitos visíveis os esforços feitos até agora.
· Medir o progresso da educação apenas pela construção de infraestruturas escolares ou, até, pela maior taxa de matrícula em vez de focar a atenção na extensão da aprendizagem e na qualidade do ensino.
[AS; Timor Leste] De há muito tempo que sou crítico (muito crítico?) em relação à forma como foram definidos os Objectivos do Milénio e, principalmente, à forma quase fundamentalista como as organizações internacionais querem “vender” o “produto” à falta de imaginação para mais. Não há, de facto, relatório que se preze que não comece de outra forma que não seja a sacrossanta ladainha do “Viva os OdM!...”.
No caso de Timor Leste e por menos “politicamente correcto” que isto possa parecer, apostar todos os trunfos no aumento da quantidade das crianças nas escolas sem que se faça um esforço (muito mais que) proporcional para melhorar a qualidade do ensino é, em boa parte, prolongar a estratégia indonésia --- e, em parte, dos próprios OdM... --- de disseminar a porcaria (ia escrevendo outra coisa mas contive-me a tempo...) em vez de apostar na muito significativa melhoria da qualidade do ensino dos que já estão no sistema (e que já são muitos). É que, não tenham dúvidas, é esta melhor qualidade, muito mais que a quantidade, que ajudará a fazer da próxima geração de timorenses cidadãos mais úteis ao seu país... e a si próprios.
Esta é uma opção estratégica que tem de ser tomada agora devido ao enorme período de tempo que o sistema de ensino leva a produzir efeitos.
Já que neste domínio já se vai tarde para fazer grande coisa pelas gerações actuais, pelo menos que se preparem como deve ser as futuras gerações. Elas não perdoarão se assim não for!
· Pagar mal aos funcionários públicos (incluindo professores) comparativamente com os valores do mercado para qualificações semelhantes e combinar as baixas remunerações com promoções por antiguidade em vez de usar métodos credíveis de medição do desempenho dos funcionários e remunerá-los em função disso
[AS; Timor Leste] Pois... É tudo muito bonito mas... e de quem é a culpa, em Timor Leste, da enorme distorção do mercado de trabalho? Da ONU e das ONGs que por aqui estão e que, apesar de dizerem que Timor Leste é pouco competitivo face ao vizinho do lado (a Indonésia) e que isso dificulta a absorção do desemprego, são os primeiros a pagar salários pelo menos 2 a 3 vezes superiores ao que o Estado Timorense pode pagar para funções semelhantes.
O que, naturalmente, levanta uma questão fundamental: a da concorrência (desleal) entre as entidades internacionais e as nacionais pela contratação de pessoal com um mínimo de qualificações para desempenharem tarefas mais exigentes, deixando o Estado à míngua de bons quadros. E depois queixam-se que este não é capaz de bem desempenhar as suas funções.
· Permitir a excessiva apreciação da taxa de câmbio antes que a economia esteja pronta para a transição para níveis mais elevados de produtividade, nomeadamente da indústria.
[AS; Timor Leste] Isto articula-se com vários aspectos que já referimos aqui, particularmente à crítica de que (e não é só opinião nossa) o país, com a recente reforma fiscal, “se abriu demasiado e demasiado cedo” (“too much and too soon”). Deus queira que não dê para o torto e que a “teoria da banheira” não se verifique.
Outro aspecto que está aqui em causa é o da pouca atenção que parece estar a merecer de quem de direito a necessidade de fazer baixar a taxa de inflação.
sábado, 23 de Agosto de 2008
Moeda própria e política monetária
PS (pre-scriptum...) – os comentários abaixo, porque da área de actuação do banco central de Timor Leste a que me encontro ligado neste momento, exigem que chame a atenção mais uma vez para o que está escrito no “acerca de mim” aqui à esquerda: As considerações a fazer aqui são ESTRITAMENTE INDIVIDUAIS E SÓ A MIM RESPONSABILIZAM. As instituições a que tenho estado ligado profissionalmente, nomeadamente em Timor Leste, NÃO SÃO RESPONSÁVEIS pelo conteúdo deste blog. Este é determinado APENAS E EXCLUSIVAMENTE por aquilo que penso serem sãos princípios de Economia e de Política Económica”. Entendidos?
Na ‘entrada’ anterior incluímos um link para o site do Banco Central Europeu em que se referem os principais instrumentos de política monetária. É a sua utilização que será possível quando um país tem moeda própria.
No caso de Timor Leste --- como nos demais países --- os principais instrumentos seriam as “operações de open market” e as reservas mínimas a impor aos bancos comerciais.
As operações de “mercado aberto” servem para controlar a taxa de juro --- já lá vai o tempo que esta era controlada directamente; agora é-o indirectamente através destas operações ---, controlar a liquidez (disponibilidade de dinheiro) no mercado monetário e dar indicações sobre o sentido genérico da política monetária.
Sendo o dinheiro uma “mercadoria” como qualquer outra, aumentar a sua oferta através de disponibilização de mais dinheiro na economia --- p.ex., por empréstimos de muito curto, curto, ou médio prazo aos bancos --- fará baixar a taxa de juro, o que, teoricamente, facilitará os investimentos e ajudará ao acrescimento.
Movimentos de redução da oferta de dinheiro farão aumentar o seu preço, i.e, a taxa de juro. Estes aumentos provocarão um “arrefecimento” da economia, diminuindo as pressões sobre ela e, assim, a inflação.
Assim sendo, face à tendência actual de o Governo ser “despesista” provocando inflação, ao banco central não restaria outra alternativa que não fosse uma política contraccionista, utilizando os instrumentos monetários para retirar de circulação parte significativa da moeda posta a circular devido às despesas do Estado e, como isso, provocar um aumento da taxa de juro.
Mas aqui é que a “porca torce o rabo”!... O que teríamos na economia nacional era uma realidade em que o sector público (o Estado, em geral) era “despesista” porque não tinha “restrição financeira” por ter acesso ao financiamento pelo Fundo Petrolífero e o sector privado, sem outra fonte de financiamento que não fosse o sistema bancário, se defrontaria com taxas de juro elevadas que impediriam o seu normal crescimento --- o que o impediria de criar os postos de trabalho tão necessários à absorção do desemprego no país. Teríamos, portanto, uma tendência a um sector público “gordo e anafado” e a um sector privado “espirra canivetes”, “magricela, “pau de virar tripa” porque “morto à míngua” pelas elevadas taxas de juro.
Mas há mais!...
O actual sistema bancário não tem problemas de liquidez por ter acesso a poupanças dos seus depositantes e/ou por, sendo constituído basicamente por filiais de bancos estrangeiros, tem acesso a financiamentos das respectivas “casas mãe”. Mas se é assim, qual a eficácia de usar aqueles instrumentos monetários de que falámos? Pois é: reduzidíssima! Isto é: uma solução “teoricamente” perfeita poderá vir a mostrar-se uma inutilidade prática ...
Mas há mais!...
Em todo este esquema há ainda que pensar nos que procuram dinheiro para investimento e recorrem ao sistema bancário para isso. Simplificando, teremos os investidores nacionais e os investidores estrangeiros (Investimento Directo Estrangeiro).
Estes, face a uma situação de taxas de juro elevadas na moeda nacional, acabarão por optar por contrair empréstimos no exterior (nos seus países de origem, por exemplo) para investirem em Timor Leste –- o que é bom para a balança de pagamentos, “sangrada” pelo elevado nível de importações.
E os investidores nacionais? Pois... Esses serão o mexilhão... Ou têm a possibilidade de contrair empréstimos no exterior, onde a taxa de juro for mais baixa que em Timor (o que não será fácil devido à necessidade de dar garantias reais), ou estão “condenados” a ter de pagar taxas de juro internas elevadas.
Mas então teremos uma situação em que os investidores nacionais estarão em nítida desvantagem face aos investidores estrangeiros.... Nada de novo, aliás: já vi isto mesmo em Moçambique há alguns anos atrás, com os investidores nacionais (moçambicanos) a queixarem-se sistematicamente de que eram prejudicados pois os seus custos financeiros eram bem mais elevados que os das empresas estrangeiras actuando no país...
Vão pensando nisto...
Post sriptum: naturalmente que o que fica acima não esgota a questão da moeda e da política monetária em Timor Leste. Como o McArthur ao abandonar as Filipinas na Segunda Grande Guerra diremos: "Voltarei!..." (ao assunto)
Na ‘entrada’ anterior incluímos um link para o site do Banco Central Europeu em que se referem os principais instrumentos de política monetária. É a sua utilização que será possível quando um país tem moeda própria.
No caso de Timor Leste --- como nos demais países --- os principais instrumentos seriam as “operações de open market” e as reservas mínimas a impor aos bancos comerciais.
As operações de “mercado aberto” servem para controlar a taxa de juro --- já lá vai o tempo que esta era controlada directamente; agora é-o indirectamente através destas operações ---, controlar a liquidez (disponibilidade de dinheiro) no mercado monetário e dar indicações sobre o sentido genérico da política monetária.
Sendo o dinheiro uma “mercadoria” como qualquer outra, aumentar a sua oferta através de disponibilização de mais dinheiro na economia --- p.ex., por empréstimos de muito curto, curto, ou médio prazo aos bancos --- fará baixar a taxa de juro, o que, teoricamente, facilitará os investimentos e ajudará ao acrescimento.
Movimentos de redução da oferta de dinheiro farão aumentar o seu preço, i.e, a taxa de juro. Estes aumentos provocarão um “arrefecimento” da economia, diminuindo as pressões sobre ela e, assim, a inflação.
Assim sendo, face à tendência actual de o Governo ser “despesista” provocando inflação, ao banco central não restaria outra alternativa que não fosse uma política contraccionista, utilizando os instrumentos monetários para retirar de circulação parte significativa da moeda posta a circular devido às despesas do Estado e, como isso, provocar um aumento da taxa de juro.
Mas aqui é que a “porca torce o rabo”!... O que teríamos na economia nacional era uma realidade em que o sector público (o Estado, em geral) era “despesista” porque não tinha “restrição financeira” por ter acesso ao financiamento pelo Fundo Petrolífero e o sector privado, sem outra fonte de financiamento que não fosse o sistema bancário, se defrontaria com taxas de juro elevadas que impediriam o seu normal crescimento --- o que o impediria de criar os postos de trabalho tão necessários à absorção do desemprego no país. Teríamos, portanto, uma tendência a um sector público “gordo e anafado” e a um sector privado “espirra canivetes”, “magricela, “pau de virar tripa” porque “morto à míngua” pelas elevadas taxas de juro.
Mas há mais!...
O actual sistema bancário não tem problemas de liquidez por ter acesso a poupanças dos seus depositantes e/ou por, sendo constituído basicamente por filiais de bancos estrangeiros, tem acesso a financiamentos das respectivas “casas mãe”. Mas se é assim, qual a eficácia de usar aqueles instrumentos monetários de que falámos? Pois é: reduzidíssima! Isto é: uma solução “teoricamente” perfeita poderá vir a mostrar-se uma inutilidade prática ...
Mas há mais!...
Em todo este esquema há ainda que pensar nos que procuram dinheiro para investimento e recorrem ao sistema bancário para isso. Simplificando, teremos os investidores nacionais e os investidores estrangeiros (Investimento Directo Estrangeiro).
Estes, face a uma situação de taxas de juro elevadas na moeda nacional, acabarão por optar por contrair empréstimos no exterior (nos seus países de origem, por exemplo) para investirem em Timor Leste –- o que é bom para a balança de pagamentos, “sangrada” pelo elevado nível de importações.
E os investidores nacionais? Pois... Esses serão o mexilhão... Ou têm a possibilidade de contrair empréstimos no exterior, onde a taxa de juro for mais baixa que em Timor (o que não será fácil devido à necessidade de dar garantias reais), ou estão “condenados” a ter de pagar taxas de juro internas elevadas.
Mas então teremos uma situação em que os investidores nacionais estarão em nítida desvantagem face aos investidores estrangeiros.... Nada de novo, aliás: já vi isto mesmo em Moçambique há alguns anos atrás, com os investidores nacionais (moçambicanos) a queixarem-se sistematicamente de que eram prejudicados pois os seus custos financeiros eram bem mais elevados que os das empresas estrangeiras actuando no país...
Vão pensando nisto...
Post sriptum: naturalmente que o que fica acima não esgota a questão da moeda e da política monetária em Timor Leste. Como o McArthur ao abandonar as Filipinas na Segunda Grande Guerra diremos: "Voltarei!..." (ao assunto)
Agora que se começa a preparar o Orçamento/2009...
Já temos referido várias vezes que na situação actual de Timor Leste, em que o banco central não emite moeda própria e não tem, por isso, possibilidade de usar os instrumentos de política monetária (ver mais aqui; exemplo dos países da zona Euro), cabe principalmente ao Governo e à sua política fiscal/orçamental (receitas e, principalmente, despesas públicas) a tarefa principal de ajudar a controlar a inflação --- que, noutras circunstâncias, é o objectivo principal dos bancos centrais.
Dado o passado recente do país --- subida vertiginosa do valor dos orçamentos do Governo nos ---, alguns observadores pensam que está na hora de, numa procura de instrumentos que lhe permitam actuar mais sobre a economia e, em parte, contrabalançar uma certa tendência “despesista” do Governo, o banco central (em coordenação com o governo) deve encarar a hipótese de passar a emitir moeda própria, abandonando-se assim o período de utilização do dólar americano iniciado por iniciativa da UNTAET.
Independentemente do que possamos pensar sobre se se trata ou não de uma boa solução --- e basicamente oensamos que teoricamente é uma solução correcta mas que na prática até pode ser perigosa e sair-nos o tiro pela culatra... ---, há um “probleminha” neste raciocínio: é que lançar uma moeda própria é tarefa para, pelo menos, cerca de 2 a 3 anos. Ora, mesmo que a decisão de criar o “OSAN” (nome fictício, claro; “osan” é a palavra tetum para “dinheiro”) fosse tomada a curto prazo, coloca-se sempre o problema de controlar a inflação no curto-médio prazo. E aí voltamos à resposta original: terá de ser o Governo, num acto de auto-restrição, a controlar a sua tendência para expandir os gastos públicos sem cuidar dos seus efeitos inflacionistas. Que só não são maiores porque a maior parte da pressão acaba por ser feita não sobre a oferta interna mas sim sobre as importações. Mas aqui estamos caídos na “teoria da banheira” de que se falou anteriormente.
Dado o passado recente do país --- subida vertiginosa do valor dos orçamentos do Governo nos ---, alguns observadores pensam que está na hora de, numa procura de instrumentos que lhe permitam actuar mais sobre a economia e, em parte, contrabalançar uma certa tendência “despesista” do Governo, o banco central (em coordenação com o governo) deve encarar a hipótese de passar a emitir moeda própria, abandonando-se assim o período de utilização do dólar americano iniciado por iniciativa da UNTAET.
Independentemente do que possamos pensar sobre se se trata ou não de uma boa solução --- e basicamente oensamos que teoricamente é uma solução correcta mas que na prática até pode ser perigosa e sair-nos o tiro pela culatra... ---, há um “probleminha” neste raciocínio: é que lançar uma moeda própria é tarefa para, pelo menos, cerca de 2 a 3 anos. Ora, mesmo que a decisão de criar o “OSAN” (nome fictício, claro; “osan” é a palavra tetum para “dinheiro”) fosse tomada a curto prazo, coloca-se sempre o problema de controlar a inflação no curto-médio prazo. E aí voltamos à resposta original: terá de ser o Governo, num acto de auto-restrição, a controlar a sua tendência para expandir os gastos públicos sem cuidar dos seus efeitos inflacionistas. Que só não são maiores porque a maior parte da pressão acaba por ser feita não sobre a oferta interna mas sim sobre as importações. Mas aqui estamos caídos na “teoria da banheira” de que se falou anteriormente.
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