quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Evolução do preço internacional do arroz

Veja-se abaixo a informação da FAO sobre a evolução do preço internacional do arroz. Como se pode verificar ele está a diminuir mas mantém-se ainda a um nível elevado --- e espera-se que assim continue no futuro próximo.
Depois de ter estado (o preço da tonelada de arroz de melhor qualidade da Tailândia, que serve de referência ao mercado mundial) a 963 USD/ton em Maio passado (média do mês; preço mais alto: 1038 USD/ton), está agora (semana de 12 de Setembro) a 771 USD/ton, uma queda de 25% em relação ao preço máximo indicado. Esta evolução, a manter-se, pode fazer repensar a estratégia de concessão de subsídios ao arroz em Timor Leste --- além de, há que reconhecer, reduzir a força da argumentação apresentada para justificar o chamado Fundo de Estabilização Económica e o seu montante. "Penso eu de que...", como diria o outro...
(clique na imagem para a aumentar e tornar legível, sff)


Cultura de arroz em Venilale/Baucau (Agosto 2008)

A Lei do Banco Central em Conselho de Ministros

Segundo comunicado de hoje, o Conselho de Ministros acaba de discutir a futura Lei Orgânica do Banco Central de Timor-Leste, por transformação neste da actual Autoridade Bancária e de Pagamentos. É este o teor do comunicado no ponto relativo ao BCTL:

"Proposta de Lei que aprova a Orgânica da Autoridade Central de Pagamentos

O Conselho de Ministros analisou na sua reunião de hoje a Proposta de Lei Orgânica do Banco Central de Timor-Leste. Um diploma que surge em conformidade com o artigo 143.º da Constituição da República Democrática de Timor-Leste e que voltará a ser posteriormente agendado para aprovação, depois de introduzidas as alterações efectuadas pelo Conselho de Ministros.

O Banco Central de Timor-Leste é a instituição responsável pela estabilidade dos preços e do sistema financeiro e pela contribuição decisiva para o crescimento e desenvolvimento económico e redução das desigualdades sociais de Timor-Leste."


terça-feira, 16 de setembro de 2008

Evolução da taxa homóloga de inflação em Dili

Nota: a taxa homóloga de inflação é a taxa de variação do Índice de Preços no Consumidor que se verifica entre um mês e o mês homólogo do ano anterior (clique no gráfico para aumentar a imagem)

Olhó rai nakdoko! (tremor de terra); 6,1 (11h15m em Lisboa; 19.15h em Dili)

Dados recentes do ADB/BAD sobre a economia de Timor Leste

O ADB/BAD, o Banco Asiático de Desenvolvimento, acaba de publicar o update do seu Asian Development Outlook. Dele constam dois quadros no seu anexo estatístico com informação sobre as taxas de crescimento do produto (PIB) e da inflação nos países asiáticos, incluindo Timor Leste (para efeitos do ADB incluído no grupo das (pequenas) economias do Pacífico. Veja abaixo (clique sobre os quadros para alargar a imagem). Desses quadros resulta que as estimativas do Banco para os anos de 2008 e 2009 são de que o PIB cresça, respectivamente, 6,5% e 4,9% (note-se que os vários governos têm estado de acordo em que Timor Leste precisa de crescer a cerca de 7-8%/ano --- pelo menos --- para que as melhorias nas condições de vida sejam minimamente visíveis).

Quanto à inflação, as estimativas iniciais do BAD iam no sentido de que ela se situaria nos 7% em 2008 mas agora já reviu a taxa para 9% ("curiosamente" igual às estimativas conhecidas do FMI). Para 2009 as estimativas iniciais eram de que a taxa de variação dos preços seria de 6,6% mas agora prevê-se que seja de 7,8% --- de qualquer forma uma redução relativamente à taxa de 2008.
Note-se que em Julho passado a taxa, relativamente a Julho do ano passado, foi de 12,4%, o que nos faz desconfiar significativamente dos valores estimados pelo Banco. O futuro o dirá...

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Ainda sobre o café em Timor Leste

De conversas que pude manter com várias pessoas envolvidas, de uma forma ou de outra, na produção de café em Timor Leste sintetizo alguma conclusões provisórias:

a) dado o preço (relativamente baixo) do café no mercado internacional não é fácil a exploração empresarial do mesmo já que os custos de operação são grandes, nomeadamente devido ao facto de não ser possível mecanizar a colheita devido ao acidentado do terreno;

b) para esta falta de rentabilidade contribui também o facto de uma parte (não necessariamente pequena...) da colheita efectuada manualmente ser "desviada" do proprietário dos terrenos para os que colhem as cerejas...

c) outro aspecto importante é o facto de a qualidade não ser maior devido a erros no próprio processo de colheita já que, contrariamente ao que acontecia "noutros tempos", não há pessoal vigilante que impeça quem faz a apanha dos frutos de simplesmente "derriçar" todo o ramo independentemente do estado de maturação dos frutos. A prática correcta seria colher apenas os frutos maduros e deixar a amadurecer os que não atingiram um bom estado de maturação. Comparem-se, por exemplo, as duas imagens abaixo, em que a primeira é um exemplo do que "não" se deve fazer (repare-se na grande mistura de frutos verdes, pouco maduros e maduros):


d) parte importante da produção nacional é exportada (nomeadamente para a Indonésia) com um estado de transformação reduzido. Há espaço para aumentar a incorporação de trabalho nacional nessa produção, aumentando o seu valor. Há (pelo menos) uma firma a trabalhar nesse sentido. A Elsa Cafés, de investidores timorenses, que pretendem chegar à fase de torrefacção

e) dado o que fica acima e a preocupação de melhorar o rendimento dos cultivadores de café, a aposta fundamental deve ser colocada no apoio à melhoria da produção dos agricultores familiares. A "cooperação agrícola" portuguesa tem tido um papel fundamental neste domínio mas há muito, muito, ainda por fazer, nomeadamente quanto à renovação de parte do cafezal por plantas mais produtivas. E aí o Estado timorense tem um papel importante a desempenhar já que há que encontrar uma solução para manter o rendimento dos agricultores durante o período em que essa renovação, nomeadamente por poda radical e enxertia com variedades mais produtivas (vd entrada abaixo), é feita. Caramba! Afinal o café é a única verdadeira produção nacional... Sim, porque o petróleo vem do fundo do mar...

f) do que fica no ponto anterior não se deve deduzir que não há espaço para a agricultura empresarial de café. Claro que sim e ela deve ser também apoiada com medidas que permitam melhorar as condições em que tais empresas operam. A melhoria das plantas utilizadas é uma delas mas não a única. Algum tipo de alteração de algumas práticas sociais erradas é igualmente necessária, embora se reconheça que não é fácil actuar neste domínio sem que se caia em acusações de "colonialismo"!...

"Doing Business" em Timor Leste (2009)

Foi recentemente publicado, no âmbito das actividades do Banco Mundial, o relatório Doing business 2009. Aí são abordadas as principais características do ambiente de negócios em vários países do Mundo, incluindo Timor Leste --- que fica "classificado" em 170º lugar em 181 países estudados. Fraquinho, não?!...
Aqui fica uma imagem gráfica da posição relativa dos países da Ásia-Pacífico, em que se inclui Timor Leste.

domingo, 14 de setembro de 2008

Oba!... Que tremideira é esta?!...

Dados sobre o tremor de terra em Timor Leste no início do dia 14 de Setembro (8 da manhã) segundo os Serviços Geológicos dos Estados Unidos.

sábado, 13 de setembro de 2008

Tão mexendo no meu bolso!...

Como é possível que, com a queda do preço do petróleo que se tem verificado nos últimos cerca de 2 meses, em Timor Leste o preço da gasolina tenha baixado de uma assentada cerca de 20 cêntimos de USD (de 1,35 para 1,15 ou 1,20; equivalentes a cerca de 15%) e em Portugal a gasolina esteja ao preço que está, "muda e queda" apesar do preço do Brent ter baixado dos cerca de 150 USD/barril para os menos de 100 (cerca de 30%!)?!... Tão mexendo no meu bolso!...

Nota: 1,2 USD equivalem a cerca de 0,85 euros. Isto é, a gasolina em Timor Leste custa 60% do que custa em Portugal

Ainda sobre o "híbrido de Timor"

Ainda mal tinha terminado a viagem que me trouxe de mais uma estada em Timor Leste, fui a caminho do Centro de Informação da Ferrugem do Cafeeiro para uma visita guiada e uma conversa sobre o "híbrido de Timor" que o Centro, desde há mais de 50 anos, espalha pelo mundo.
Aí fiquei a conhecer alguns aspectos da cultura do café que compartilho convosco, bebedores inveterados de "bica" ou não...
Informação para leigos no assunto como nós...: os cafeeiros são tanto mais produtivos quanto menos espaçados forem os "nós" num ramo pois que é aí que nascem as flores e, depois, as cerejas do café que darão origem ao grão. Assim sendo, uma melhoria da produção de café passará pela difusão de variedades e/ou de plantas em que se verifique esta característica.

Ramo de cafeeiro (arábica)Flor de café (linda, não é?!...)Note-se o curto espaçamento entre os "nós" onde estão nascendo as "cerejas"

O curioso é que o Centro é, pelas suas funções, a maior "plantação" de café na Europa. Em estufas, claro. Note-se o aspecto compacto das plantas, denunciando exactamente a existência de muitos nós e de grande potencial de produção. Quando veremos este aspecto nos cafeeiros de Timor?