terça-feira, 16 de setembro de 2008
Dados recentes do ADB/BAD sobre a economia de Timor Leste
O ADB/BAD, o Banco Asiático de Desenvolvimento, acaba de publicar o update do seu Asian Development Outlook. Dele constam dois quadros no seu anexo estatístico com informação sobre as taxas de crescimento do produto (PIB) e da inflação nos países asiáticos, incluindo Timor Leste (para efeitos do ADB incluído no grupo das (pequenas) economias do Pacífico. Veja abaixo (clique sobre os quadros para alargar a imagem). 
Desses quadros resulta que as estimativas do Banco para os anos de 2008 e 2009 são de que o PIB cresça, respectivamente, 6,5% e 4,9% (note-se que os vários governos têm estado de acordo em que Timor Leste precisa de crescer a cerca de 7-8%/ano --- pelo menos --- para que as melhorias nas condições de vida sejam minimamente visíveis).
Quanto à inflação, as estimativas iniciais do BAD iam no sentido de que ela se situaria nos 7% em 2008 mas agora já reviu a taxa para 9% ("curiosamente" igual às estimativas conhecidas do FMI). Para 2009 as estimativas iniciais eram de que a taxa de variação dos preços seria de 6,6% mas agora prevê-se que seja de 7,8% --- de qualquer forma uma redução relativamente à taxa de 2008.
Note-se que em Julho passado a taxa, relativamente a Julho do ano passado, foi de 12,4%, o que nos faz desconfiar significativamente dos valores estimados pelo Banco. O futuro o dirá...

Desses quadros resulta que as estimativas do Banco para os anos de 2008 e 2009 são de que o PIB cresça, respectivamente, 6,5% e 4,9% (note-se que os vários governos têm estado de acordo em que Timor Leste precisa de crescer a cerca de 7-8%/ano --- pelo menos --- para que as melhorias nas condições de vida sejam minimamente visíveis).Quanto à inflação, as estimativas iniciais do BAD iam no sentido de que ela se situaria nos 7% em 2008 mas agora já reviu a taxa para 9% ("curiosamente" igual às estimativas conhecidas do FMI). Para 2009 as estimativas iniciais eram de que a taxa de variação dos preços seria de 6,6% mas agora prevê-se que seja de 7,8% --- de qualquer forma uma redução relativamente à taxa de 2008.
Note-se que em Julho passado a taxa, relativamente a Julho do ano passado, foi de 12,4%, o que nos faz desconfiar significativamente dos valores estimados pelo Banco. O futuro o dirá...
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Ainda sobre o café em Timor Leste
De conversas que pude manter com várias pessoas envolvidas, de uma forma ou de outra, na produção de café em Timor Leste sintetizo alguma conclusões provisórias:
a) dado o preço (relativamente baixo) do café no mercado internacional não é fácil a exploração empresarial do mesmo já que os custos de operação são grandes, nomeadamente devido ao facto de não ser possível mecanizar a colheita devido ao acidentado do terreno;
b) para esta falta de rentabilidade contribui também o facto de uma parte (não necessariamente pequena...) da colheita efectuada manualmente ser "desviada" do proprietário dos terrenos para os que colhem as cerejas...
c) outro aspecto importante é o facto de a qualidade não ser maior devido a erros no próprio processo de colheita já que, contrariamente ao que acontecia "noutros tempos", não há pessoal vigilante que impeça quem faz a apanha dos frutos de simplesmente "derriçar" todo o ramo independentemente do estado de maturação dos frutos. A prática correcta seria colher apenas os frutos maduros e deixar a amadurecer os que não atingiram um bom estado de maturação. Comparem-se, por exemplo, as duas imagens abaixo, em que a primeira é um exemplo do que "não" se deve fazer (repare-se na grande mistura de frutos verdes, pouco maduros e maduros):
d) parte importante da produção nacional é exportada (nomeadamente para a Indonésia) com um estado de transformação reduzido. Há espaço para aumentar a incorporação de trabalho nacional nessa produção, aumentando o seu valor. Há (pelo menos) uma firma a trabalhar nesse sentido. A Elsa Cafés, de investidores timorenses, que pretendem chegar à fase de torrefacção
e) dado o que fica acima e a preocupação de melhorar o rendimento dos cultivadores de café, a aposta fundamental deve ser colocada no apoio à melhoria da produção dos agricultores familiares. A "cooperação agrícola" portuguesa tem tido um papel fundamental neste domínio mas há muito, muito, ainda por fazer, nomeadamente quanto à renovação de parte do cafezal por plantas mais produtivas. E aí o Estado timorense tem um papel importante a desempenhar já que há que encontrar uma solução para manter o rendimento dos agricultores durante o período em que essa renovação, nomeadamente por poda radical e enxertia com variedades mais produtivas (vd entrada abaixo), é feita. Caramba! Afinal o café é a única verdadeira produção nacional... Sim, porque o petróleo vem do fundo do mar...
f) do que fica no ponto anterior não se deve deduzir que não há espaço para a agricultura empresarial de café. Claro que sim e ela deve ser também apoiada com medidas que permitam melhorar as condições em que tais empresas operam. A melhoria das plantas utilizadas é uma delas mas não a única. Algum tipo de alteração de algumas práticas sociais erradas é igualmente necessária, embora se reconheça que não é fácil actuar neste domínio sem que se caia em acusações de "colonialismo"!...
a) dado o preço (relativamente baixo) do café no mercado internacional não é fácil a exploração empresarial do mesmo já que os custos de operação são grandes, nomeadamente devido ao facto de não ser possível mecanizar a colheita devido ao acidentado do terreno;
b) para esta falta de rentabilidade contribui também o facto de uma parte (não necessariamente pequena...) da colheita efectuada manualmente ser "desviada" do proprietário dos terrenos para os que colhem as cerejas...
c) outro aspecto importante é o facto de a qualidade não ser maior devido a erros no próprio processo de colheita já que, contrariamente ao que acontecia "noutros tempos", não há pessoal vigilante que impeça quem faz a apanha dos frutos de simplesmente "derriçar" todo o ramo independentemente do estado de maturação dos frutos. A prática correcta seria colher apenas os frutos maduros e deixar a amadurecer os que não atingiram um bom estado de maturação. Comparem-se, por exemplo, as duas imagens abaixo, em que a primeira é um exemplo do que "não" se deve fazer (repare-se na grande mistura de frutos verdes, pouco maduros e maduros):
d) parte importante da produção nacional é exportada (nomeadamente para a Indonésia) com um estado de transformação reduzido. Há espaço para aumentar a incorporação de trabalho nacional nessa produção, aumentando o seu valor. Há (pelo menos) uma firma a trabalhar nesse sentido. A Elsa Cafés, de investidores timorenses, que pretendem chegar à fase de torrefacção
e) dado o que fica acima e a preocupação de melhorar o rendimento dos cultivadores de café, a aposta fundamental deve ser colocada no apoio à melhoria da produção dos agricultores familiares. A "cooperação agrícola" portuguesa tem tido um papel fundamental neste domínio mas há muito, muito, ainda por fazer, nomeadamente quanto à renovação de parte do cafezal por plantas mais produtivas. E aí o Estado timorense tem um papel importante a desempenhar já que há que encontrar uma solução para manter o rendimento dos agricultores durante o período em que essa renovação, nomeadamente por poda radical e enxertia com variedades mais produtivas (vd entrada abaixo), é feita. Caramba! Afinal o café é a única verdadeira produção nacional... Sim, porque o petróleo vem do fundo do mar...
f) do que fica no ponto anterior não se deve deduzir que não há espaço para a agricultura empresarial de café. Claro que sim e ela deve ser também apoiada com medidas que permitam melhorar as condições em que tais empresas operam. A melhoria das plantas utilizadas é uma delas mas não a única. Algum tipo de alteração de algumas práticas sociais erradas é igualmente necessária, embora se reconheça que não é fácil actuar neste domínio sem que se caia em acusações de "colonialismo"!...
"Doing Business" em Timor Leste (2009)
Foi recentemente publicado, no âmbito das actividades do Banco Mundial, o relatório Doing business 2009. Aí são abordadas as principais características do ambiente de negócios em vários países do Mundo, incluindo Timor Leste --- que fica "classificado" em 170º lugar em 181 países estudados. Fraquinho, não?!...
Aqui fica uma imagem gráfica da posição relativa dos países da Ásia-Pacífico, em que se inclui Timor Leste.
Aqui fica uma imagem gráfica da posição relativa dos países da Ásia-Pacífico, em que se inclui Timor Leste.
domingo, 14 de setembro de 2008
Oba!... Que tremideira é esta?!...
Dados sobre o tremor de terra em Timor Leste no início do dia 14 de Setembro (8 da manhã) segundo os Serviços Geológicos dos Estados Unidos.
sábado, 13 de setembro de 2008
Tão mexendo no meu bolso!...
Como é possível que, com a queda do preço do petróleo que se tem verificado nos últimos cerca de 2 meses, em Timor Leste o preço da gasolina tenha baixado de uma assentada cerca de 20 cêntimos de USD (de 1,35 para 1,15 ou 1,20; equivalentes a cerca de 15%) e em Portugal a gasolina esteja ao preço que está, "muda e queda" apesar do preço do Brent ter baixado dos cerca de 150 USD/barril para os menos de 100 (cerca de 30%!)?!... Tão mexendo no meu bolso!...
Nota: 1,2 USD equivalem a cerca de 0,85 euros. Isto é, a gasolina em Timor Leste custa 60% do que custa em Portugal
Nota: 1,2 USD equivalem a cerca de 0,85 euros. Isto é, a gasolina em Timor Leste custa 60% do que custa em Portugal
Ainda sobre o "híbrido de Timor"
Ainda mal tinha terminado a viagem que me trouxe de mais uma estada em Timor Leste, fui a caminho do Centro de Informação da Ferrugem do Cafeeiro para uma visita guiada e uma conversa sobre o "híbrido de Timor" que o Centro, desde há mais de 50 anos, espalha pelo mundo.
Aí fiquei a conhecer alguns aspectos da cultura do café que compartilho convosco, bebedores inveterados de "bica" ou não...
Informação para leigos no assunto como nós...: os cafeeiros são tanto mais produtivos quanto menos espaçados forem os "nós" num ramo pois que é aí que nascem as flores e, depois, as cerejas do café que darão origem ao grão. Assim sendo, uma melhoria da produção de café passará pela difusão de variedades e/ou de plantas em que se verifique esta característica.
Ramo de cafeeiro (arábica)
Flor de café (linda, não é?!...)
Note-se o curto espaçamento entre os "nós" onde estão nascendo as "cerejas"

O curioso é que o Centro é, pelas suas funções, a maior "plantação" de café na Europa. Em estufas, claro. Note-se o aspecto compacto das plantas, denunciando exactamente a existência de muitos nós e de grande potencial de produção. Quando veremos este aspecto nos cafeeiros de Timor?

Aí fiquei a conhecer alguns aspectos da cultura do café que compartilho convosco, bebedores inveterados de "bica" ou não...
Informação para leigos no assunto como nós...: os cafeeiros são tanto mais produtivos quanto menos espaçados forem os "nós" num ramo pois que é aí que nascem as flores e, depois, as cerejas do café que darão origem ao grão. Assim sendo, uma melhoria da produção de café passará pela difusão de variedades e/ou de plantas em que se verifique esta característica.
Ramo de cafeeiro (arábica)
Flor de café (linda, não é?!...)
Note-se o curto espaçamento entre os "nós" onde estão nascendo as "cerejas"

Cuidados a ter na colheita do café
Continuo na minha de que é necessário fazer algo de substantivo para melhorar a quantidade e qualidade de café produzida pelos agricultores timorenses.
Daí que de vez em quando volte à questão e aborde aqui alguns aspectos que me parecem interessantes sobre o assunto.
É o caso do link (para um blog brasileiro) que pode ver aqui e que aborda cuidados a ter na cultura de café orgânico.
Daí que de vez em quando volte à questão e aborde aqui alguns aspectos que me parecem interessantes sobre o assunto.
É o caso do link (para um blog brasileiro) que pode ver aqui e que aborda cuidados a ter na cultura de café orgânico.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
De Timor a Macau e... "home, sweet home"

Pois é: deixei Timor no passado dia 4 de Setembro e passei 3 dias em Macau revisitando lugares e amigos a fim de tentar perceber as últimas novidades na evolução do outrora "Território" e hoje RAEM (Região Administrativa Especial de Macau) e dar por encerrado um texto que escrevi sobre a economia de Macau nos últimos anos da administração portuguesa e nos primeiros da administração chinesa.
Deu para perceber que a Região está cada vez mais dependente do jogo (essa história das convenções e espectáculos são apenas a cereja do bolo...) e que este está, como já tinha compreendido, a funcionar como o zero na multiplicação: é elemento absorvente, que tudo "mata" à sua volta, não deixando florescer actividades económicas que não lhe estejam subordinadas (como é o caso do sector do turismo/hotéis).
Por isso as exportações estão em queda, a inflação está em alta e as pessoas se queixam cada vez mais do custo de vida --- isto para não falar nas que, por encarecimento das rendas, são obrigadas a fechar os seus pequenos comércios ou a passar a residir no outro lado das "Portas do Cerco", que dividem a RAEM do resto da China ("Mainland China").
E o que é que isto tem que ver com Timor Leste? Nada e tudo... É que este tem no petróleo e suas receitas o seu "jogo" e ele pode vir também a tornar-se "elemento absorvente", dificultando o aparecimento de sectores económicos fortes e que permitam diversificar a economia, nomeadamente através da produção de bens exportáveis.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Evolução recente do preço do arroz no mercado internacional
Segundo dados da FAO, a organização das Nações Unidas para a alimentação e a agricultura, o preço médio da tonelada de arroz tailandês --- mais ou menos o que serve de orientação para os mercados --- em Julho passado foi de 835 USD/ton, depois de nos 3 meses anteriores ter sido 853 em Abril, 963 em Maio e 870 em Junho.
Em Julho do ano passado ele estava a 337 USD/tons. Isto é, o preço de Julho deste ano é cerca de 2,5 vezes o do ano passado!
Em Julho do ano passado ele estava a 337 USD/tons. Isto é, o preço de Julho deste ano é cerca de 2,5 vezes o do ano passado!
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