terça-feira, 12 de Agosto de 2008

Timor Leste em fotos: terraços de arroz perto de Baucau


A "teoria da banheira"

Lembram-se daqueles problemas irritantes que nos davam volta à cabeça e em que tínhamos de calcular quanto tempo levava a esvaziar-se uma banheira cuja torneira debitava "x" litros por segundo e cujo ralo escoava "y" litros?
Pois um amigo meu, talvez inspirado nesses problemas, descreveu a situação económica actual de Timor Leste como sendo parecida com a de uma banheira (ele chama-lhe, na verdade, a "teoria do bidé"...) para a qual a torneira do dinheiro do Mar de Timor despeja dinheiro mas em que uma parte significativa desse dinheiro sai pelo ralo, via importações, a caminho da Indonésia (cerca de metade das importações de TL) e de outras paragens, ficando (relativamente) pouca coisa no país. Pelo menos em termos produtivos, já que muito é "desperdiçado" em consumo.
Numa perspectiva de médio-longo prazo, d eestratégia de desenvolvimento, isto é preocupante e merece a atenção das autoridades económicas já que a revisão da política fiscal que foi feita, com redução das taxas alfandegárias a uns quase simbólicos 2,5%+2,5%, deixa o país relativamente "desarmado" para fazer face à invasão do mercado nacional com produtos importados, em prejuízo da possibilidade de desenvolver internamente algumas produções que satisfaçam, pelo menos, parte do mercado já existente.
Associando a isto a crescente inflação, pode estar (já está?) a criar-se uma situação próxima de uma "dutch disease" em que produzir internamente sai mais caro que importar (da Indonésia, p.ex.) e em que a abundância de dinheiro (do petróleo) torna fáceis/apetecíveis as importações. Com prejuízo do saldo da balança de pagamentos e, principalmente, da economia nacional e da capacidade de gerar empregos no país.
"À consideração superior"!...

Último relatório trimestral do Fundo Petrolífero

Foi divulgado na passada sexta-feira o relatório do Fundo Petrolífero relativo ao segundo trimestre de 2008 (Abril-Junho). Leia-o a partir do site do banco central de Timor-Leste (a ABP) aqui.
No mesmo local pode aceder aos relatórios trimestrais publicados desde a criação do Fundo, em Setembro de 2005, quando o seu capital era de cerca de 250 milhões USD (contra os 3200 mil milhões actuais). Aí está também disponível o relatório anual relativo ao ano fiscal 2005-06.

quarta-feira, 30 de Julho de 2008

OGE rectificado: despesas estimadas 2008-2011

O quadro acima indica as estimativas das despesas públicas contidas na proposta de Orçamento Geral do Estado rectificado para 2008 ainda em discussão no Parlamento Nacional.
Note-se:
a) a quebra de 31% entre 2008 e 2009, pouco consentânea com o princípio de uma estabilidade do crescimento. Refira-se, porém, que os números actuais são apenas uma porposta e como tal susceptíveis de fortes alterações no OGE de 2009;
b) os totais de gastos estimados no OGE aprovado inicialmente para 2008 (linha abaixo) e as diferenças entre as estimativas iniciais e as actuais;
c) a redução muito significativa das despesas correntes e o aumento das despesas de capital segundo o OGE rectificado, a confirmar ou não posteriormente

domingo, 27 de Julho de 2008

Fomos às compras...de arroz

No passado dia 23 de Julho resolvemos correr os mercados de Dili (Taibessi, Comoro e Becora) para saber os preços do arroz.


Ainda que o facto de dizerem respeito a qualidades diferenciadas reduza a comparabilidade dos dados obtidos, achámos interessante publicar aqui os resultados da nossa "investida" naqueles mercados (que na maior parte dos casos corresponderam a compras efectivas depois pesadas e transformadas em USD/kg):

Note-se a grande variação dos preços do arroz "local", o facto de os preços em Taibessi serem os mais baixos e, por último mas não menos importante, o facto, já bem conhecido das estatísticas oficiais, de o preço do arroz "local" ser sistemática e significativamente superior ao do arroz importado.

As razões para tal facto, que, à partida, parece ser estranho à racionalidade económica "normal" (whatever it means...), serão várias e passam, nomeadamente, por alguma irracionalidade no comportamento dos agentes económicos, por algum tipo de "herança mental" dos preços do tempo da administração indonésia e, também por fim mas não por último, da dificuldade em marcar preços que não correspondam a fórmulas práticas muito simples de fazer as contas no uso do dinheiro (ex: 1 lata = 1 USD; 1 lata = 50 centavos; etc).

Este tema da racionalidade/irracionalidade económica de parte importante dos agentes económicos nacionais, nomeadamente dos que estão menos enquadrados na "economia moderna", é um tema interessante e merece uma investigação mais aprofundada. Parte da investigação terá de passar pelo processo de formação dos preços, nomeadamente pelo confronto entre os preços no mercado e os preços no produtor.

Quem dá um passo em frente?

PS 1 - a última coluna do quadro corresponde ou ao preço da saca (35kg) tal como nos foi pedido ou, na maioria dos casos, ao preço obtido por conversão do preço por quilo obtido na compra directa. É possível que a compra efectiva de uma saca se traduzisse num desconto "de quantidade" que na ocasião não foi determinado.

PS 2 - as compras foram efectuadas por colegas timorenses para evitar o conhecido fenómeno de subir os preços para os malais... :-)

Prospectiva dos preços do petróleo

A Energy Information Administration dos Estados Unidos publicou recentemente o seu relatório anual sobre a evolução dos mercados de energia.

Desse relatório (veja aqui) faz parte uma previsão sobre o comportamento dos preços do petróleo até 2030. O gráfico abaixo ilustra duas das hipóteses dessa evolução: a de base e a alta.

Na primeira (considerada mais provável) o preço do petróleo, depois de ter subido até aos níveis actuais, terá tendência a baixar até meados da próxima década (68 USD corrente/barril) mas voltará a subir até 2030, quando atingirá a média anual de 113 USD correntes por barril.

Na hipótese "alta", justificada nomeadamente por uma maior escassez do produto e por custos médios mais elevados da produção a realizar (p.ex., explorações a maior profundidade), o preço médio do barril em dólares correntes continuará sempre a aumentar até que em 2030 estará a uma média anual de cerca de 190 USD/barril.

2030 é "já ali"...

sexta-feira, 25 de Julho de 2008

O FMI e o Orçamento Rectificado

Parte de conclusões do comunicado do FMI (25JUN08) sobre o (então ainda projecto de) Orçamento Rectificado de Timor-Leste:

"The proposed MYBU [Middle Year Budget Update] reinforces concerns raised in the staff appraisal, including the need for well planned and managed spending to guard against waste. While the proposal reflects the government’s desire to respond to rising commodity prices, the scope is considerably larger than earlier plans for the rice subsidy. Given still undefined operational details, weak administrative capacity, and the timing, it is not expected that much of the ESF appropriation could be spent in the remaining half of the fiscal year. In addition, initial public reaction suggests the MYBU proposal will encounter significant opposition in Parliament."

"No comments...". O que já é, em si, um comentário...

Documentação sobre o Orçamento Rectificado

O La'o Hamutuk apresenta no seu site vasta documentação (incluindo comentários próprios) sobre o Orçamento Rectificado. Veja aqui.

quinta-feira, 24 de Julho de 2008

O "verdadeiro" preço do barril de petróleo

O Asia Economic Monitor do BAD/ADB referido na 'entrada' anterior debate, numa interessante "caixa" nas pgs 29 e 30, a situação do mercado mundial do petróleo: "Record oil prices: are they justified?".
Depois de apresentar algumas das razões mais divulgadas para justificar a presente situação de preços muito altos (especulação, medo de falhas no abastecimento, aumento da procura por parte de alguns países em desenvolvimento, queda do USD), termina dizendo:

"Mas muitos especialistas da indústria [do petróleo] dizem que o verdadeiro preço do petróleo bruto --- tal como resultante dos fundamentals da oferta e da procura --- deveria estar entre os 60 e os 70 USD/barril. Um relatório do governo japonês mostra que o "preço de acordo com os fundamentos [da oferta e da procura no mercado] do petróleo era de 60 USD/barril na segunda metade de 2007."

Como se sabe ele está actualmente a cerca de 130-140 USD/barril. E esta, hem?!... Quem está a beneficiar desta diferença entre o preço "verdadeiro" e o preço de mercado? De quem é a culpa desta situação? Quem deixa/contrtibui para que isto aconteça?

quarta-feira, 23 de Julho de 2008

"Asia Economic Monitor", Julho 2008

O Banco Asiático de Desenvolvimento acaba de publicar o número de Julho do seu Asia Economic Monitor.
Devido ao interesse que alguns dos pontos salientados nessa publicação podem ter para o estudo da evolução futura da economia de Timor Leste atrevemo-nos a transcrever parte desses pontos. Vai em inglês e tudo por ser mais rápido... :-)

"Asia Economic Monitor 2008, July 2008 (vd http://aric.adb.org )

Highlights
Recent Economic Performance
• Stronger-than-expected economic growth in emerging East Asia during the first 3 months of 2008 gave way to moderation in the second quarter, as slower growth in industrialized economies began to impact the region.
• Even as economic growth showed signs of moderation in the second quarter, headline inflation rose sharply as global oil and food prices surged, with a rise in core inflation indicating that second-round effects may be underway.
• Across much of the region, monetary policies are increasingly focusing on controlling inflation.
Outlook, Risks, and Policy Issues
• The external economic outlook for emerging East Asia has dimmed amid prospects for slower growth, tighter credit conditions, and higher inflation.
• Emerging East Asia is expected to see slowing yet solid growth as it weathers the current global economic headwinds relatively well—GDP growth is projected to reach 7.6% in both 2008 and 2009.
• The region’s solid growth outlook is vulnerable to several potentially harmful risks—including higher-than-expected inflation, a sharper or protracted economic slowdown in the US, and another bout of global financial turbulence.
• Heightened inflationary pressures will require more decisive tightening of monetary policies across much of emerging East Asia, and in economies with healthy fiscal positions, carefully-designed fiscal support—though avoiding artificial price-fixing and subsidies—can cushion the most vulnerable from the immediate effects of food and energy price increases.
• Other policy priorities could include (i) the required structural economic adjustment to accommodate the negative terms-of-trade shock; (ii) deeper and more comprehensive structural reforms to upgrade the investment climate in several emerging East Asian economies; (iii) nurturing more efficient and liquid financial markets to help channel capital into productive use and enable more effective management of capital flows and foreign exchange reserves; and (iv) measures to promote energy efficiency and conservation.
Dealing with Inflation: Policy Options for Emerging East Asia
• The current inflationary environment poses a dilemma for policymakers as controlling inflation depresses economic activity—forcing authorities to weigh the benefits of stabilizing prices against the costs of slowing growth.
• With monetary policy in many emerging East Asian economies behind the curve—there are growing signs that inflation expectations are beginning to drift, with second-round price effects beginning to burrow through the region’s economies.
• With the balance of risks tilted toward inflation, many of the region’s central banks need to be more decisive in tightening monetary conditions.
• Along with monetary tightening, selective use of fiscal measures can relieve the regressive tax effect of rising food and energy prices on the poor without necessarily undermining price stability.
• Enhancing the credibility of monetary authorities is an important challenge for many of the region’s central banks. "