domingo, 27 de Julho de 2008

Prospectiva dos preços do petróleo

A Energy Information Administration dos Estados Unidos publicou recentemente o seu relatório anual sobre a evolução dos mercados de energia.

Desse relatório (veja aqui) faz parte uma previsão sobre o comportamento dos preços do petróleo até 2030. O gráfico abaixo ilustra duas das hipóteses dessa evolução: a de base e a alta.

Na primeira (considerada mais provável) o preço do petróleo, depois de ter subido até aos níveis actuais, terá tendência a baixar até meados da próxima década (68 USD corrente/barril) mas voltará a subir até 2030, quando atingirá a média anual de 113 USD correntes por barril.

Na hipótese "alta", justificada nomeadamente por uma maior escassez do produto e por custos médios mais elevados da produção a realizar (p.ex., explorações a maior profundidade), o preço médio do barril em dólares correntes continuará sempre a aumentar até que em 2030 estará a uma média anual de cerca de 190 USD/barril.

2030 é "já ali"...

sexta-feira, 25 de Julho de 2008

O FMI e o Orçamento Rectificado

Parte de conclusões do comunicado do FMI (25JUN08) sobre o (então ainda projecto de) Orçamento Rectificado de Timor-Leste:

"The proposed MYBU [Middle Year Budget Update] reinforces concerns raised in the staff appraisal, including the need for well planned and managed spending to guard against waste. While the proposal reflects the government’s desire to respond to rising commodity prices, the scope is considerably larger than earlier plans for the rice subsidy. Given still undefined operational details, weak administrative capacity, and the timing, it is not expected that much of the ESF appropriation could be spent in the remaining half of the fiscal year. In addition, initial public reaction suggests the MYBU proposal will encounter significant opposition in Parliament."

"No comments...". O que já é, em si, um comentário...

Documentação sobre o Orçamento Rectificado

O La'o Hamutuk apresenta no seu site vasta documentação (incluindo comentários próprios) sobre o Orçamento Rectificado. Veja aqui.

quinta-feira, 24 de Julho de 2008

O "verdadeiro" preço do barril de petróleo

O Asia Economic Monitor do BAD/ADB referido na 'entrada' anterior debate, numa interessante "caixa" nas pgs 29 e 30, a situação do mercado mundial do petróleo: "Record oil prices: are they justified?".
Depois de apresentar algumas das razões mais divulgadas para justificar a presente situação de preços muito altos (especulação, medo de falhas no abastecimento, aumento da procura por parte de alguns países em desenvolvimento, queda do USD), termina dizendo:

"Mas muitos especialistas da indústria [do petróleo] dizem que o verdadeiro preço do petróleo bruto --- tal como resultante dos fundamentals da oferta e da procura --- deveria estar entre os 60 e os 70 USD/barril. Um relatório do governo japonês mostra que o "preço de acordo com os fundamentos [da oferta e da procura no mercado] do petróleo era de 60 USD/barril na segunda metade de 2007."

Como se sabe ele está actualmente a cerca de 130-140 USD/barril. E esta, hem?!... Quem está a beneficiar desta diferença entre o preço "verdadeiro" e o preço de mercado? De quem é a culpa desta situação? Quem deixa/contrtibui para que isto aconteça?

quarta-feira, 23 de Julho de 2008

"Asia Economic Monitor", Julho 2008

O Banco Asiático de Desenvolvimento acaba de publicar o número de Julho do seu Asia Economic Monitor.
Devido ao interesse que alguns dos pontos salientados nessa publicação podem ter para o estudo da evolução futura da economia de Timor Leste atrevemo-nos a transcrever parte desses pontos. Vai em inglês e tudo por ser mais rápido... :-)

"Asia Economic Monitor 2008, July 2008 (vd http://aric.adb.org )

Highlights
Recent Economic Performance
• Stronger-than-expected economic growth in emerging East Asia during the first 3 months of 2008 gave way to moderation in the second quarter, as slower growth in industrialized economies began to impact the region.
• Even as economic growth showed signs of moderation in the second quarter, headline inflation rose sharply as global oil and food prices surged, with a rise in core inflation indicating that second-round effects may be underway.
• Across much of the region, monetary policies are increasingly focusing on controlling inflation.
Outlook, Risks, and Policy Issues
• The external economic outlook for emerging East Asia has dimmed amid prospects for slower growth, tighter credit conditions, and higher inflation.
• Emerging East Asia is expected to see slowing yet solid growth as it weathers the current global economic headwinds relatively well—GDP growth is projected to reach 7.6% in both 2008 and 2009.
• The region’s solid growth outlook is vulnerable to several potentially harmful risks—including higher-than-expected inflation, a sharper or protracted economic slowdown in the US, and another bout of global financial turbulence.
• Heightened inflationary pressures will require more decisive tightening of monetary policies across much of emerging East Asia, and in economies with healthy fiscal positions, carefully-designed fiscal support—though avoiding artificial price-fixing and subsidies—can cushion the most vulnerable from the immediate effects of food and energy price increases.
• Other policy priorities could include (i) the required structural economic adjustment to accommodate the negative terms-of-trade shock; (ii) deeper and more comprehensive structural reforms to upgrade the investment climate in several emerging East Asian economies; (iii) nurturing more efficient and liquid financial markets to help channel capital into productive use and enable more effective management of capital flows and foreign exchange reserves; and (iv) measures to promote energy efficiency and conservation.
Dealing with Inflation: Policy Options for Emerging East Asia
• The current inflationary environment poses a dilemma for policymakers as controlling inflation depresses economic activity—forcing authorities to weigh the benefits of stabilizing prices against the costs of slowing growth.
• With monetary policy in many emerging East Asian economies behind the curve—there are growing signs that inflation expectations are beginning to drift, with second-round price effects beginning to burrow through the region’s economies.
• With the balance of risks tilted toward inflation, many of the region’s central banks need to be more decisive in tightening monetary conditions.
• Along with monetary tightening, selective use of fiscal measures can relieve the regressive tax effect of rising food and energy prices on the poor without necessarily undermining price stability.
• Enhancing the credibility of monetary authorities is an important challenge for many of the region’s central banks. "

sexta-feira, 18 de Julho de 2008

Efeito da evolução a taxa de câmbio do USD sobre o valor do Fundo Petrolífero

O Fundo Petrolífero de Timor Leste é, naturalmente, contabilizado em moeda nacional --- ou "nacional" porque "emprestada".

Esta forma de contabilizar esta parte da riqueza do país pode ainda considerar-se como natural a grande maioria das despesas que ela permite financiar, nomeadamente através das suas contribuições para o financiamento do Orçamento Geral do Estado, ser efectuada em dólares americanos por ser essa a moeda de pagamento de muitas das importações efectuadas por Timor Leste.

Como exercício podemos, no entanto, tentar medir a riqueza do país em outra moeda ou, mesmo, num cabaz de moedas. O que se representa abaixo é o resultado do cálculo do valor do capital do Fundo em USD e em Euros em cada um dos finais de trimestre para que há relatórios publicados (de Setembro de 2005 até ao presente). A taxa de câmbio euro/USD foi a da data de final do trimestre respectivo.
Medida em Euros a riqueza é menor que em USD havendo, devido à desvalorização da moeda amercicana face ao Euro (e a outras moedas internacionalmente utilizadas), um crescente desfasamento entre as duas curvas representadas..

quinta-feira, 17 de Julho de 2008

Ai Maromak (2)!...

No "Ai Maromak!..." anterior o tema era a subida previsível do preço do petróleo até aos 200 USD/barril até ao fim deste ano civil. Agora o tema são as previsões sobre a evolução do preço internacional do arroz, alimento fundamental em Timor Leste.

Segundo o Rice Market Monitor editado pela FAO (a Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas) em Abril passado, o índice médio do preço do arroz nos períodos de Jan-Abr de 2007 e de 2008 foi, com 1998-200=100, de 129 no primeiro período e de 211 no segundo, que incluíu os meses em que os aumentos do preço do arroz foram maiores (64% de aumento do índice).
Importantes para esta evolução foram vários factores, nomeadamente as compras muito significativas efectuadas pelas Filipinas e o Bangladesh no mercado internacional devido a problemas com as suas próprias colheitas. Importante ainda foi a limitação que alguns países colocaram às suas exportações como forma de garantirem o abastecimento e os preços internos. Foi o caso da Índia e da Tailândia e, mesmo, do Vietname.
O boletim da FAO acredita que embora seja possível que os preços intenacionais venham a baixar nos próximos meses à medida que a produção deste entrar no mercado e graças à desistência das Filipinas de continuarem com as suas compras em grandes quantidades. Porém, os preços irão manter-se altos, não sendo de esperar o regresso aos preços anteriores às subidas do fim de 2007 e início de 2008 nomeadamente porque os custos de produção são agora mais elevados devido ao encarecimento dos fertilizantes e dos combustíveis.

Acrescente-se que o Agricultural Outlook 2008-2017 recentemente publicado pela OCDE e pela FAO estima que os preços médios em 2008/09 se fixarão nos 390,6 USD/ton, cerca de 10%acima dos 361 USD/ton de 2007/08. Isto é: é provável que os preços do arroz ainda venham a subir relativamente ao que conhecemos até agora..
Para 2009/10 a estimativa é de que o preço seja de 367,9 USD/ton. Depois de 2010/11 os preços deverão estabilizar-se nos cerca de 334 USD/ton até 2017/18.

Qualquer política de subsídio aos preços do arroz terá de contar com esta evolução no custo/médio prazo e dar rsposta à necessedidade de reduzir a dependência do país em relação ao mercado internacional do arroz, dinamizando a produção interna mas também, lentamente, tentando convencer os consumidores a diversificarem a sua estrutrua de consumo de alimentos, privilegiando os de produção nacional, nomeadamente o milho, a mandioca, a batata, as frutas, etc.

Finalmente publicada a nova Lei Fiscal

Depois de um longo período de gestação, viu finalmente a luz do dia ("Diário da República" de 8 de Julho e anúncios em jornais no dia 15 passado) a nova "Lei Fiscal" de Timor Leste, a "Lei dos Impostos e Direitos para 2008".

Como se sabia, ela caracteriza-se essencialmente por uma descida significativa das taxas de imposto aplicáveis a partir, grosso modo, de 1 de Julho passado.
Assim por exemplo, a tarifa aduaneira "normal" baixa de 6% para 2,5%, o Imposto sobre o Rendimento do Trabalho vê o limite de isenção passar para os 500 USD/mês --- o que significa que só meia dúzia de timorenses "infelizes" vão pagar este imposto ---, a taxa sobre os rendimentos das empresas passa ser de 0% para os rendimentos inferiores a 6 mil USD e de 10% para os rendimentos no que excedam este montante, a taxa sobre os rendimentos a pagar pelos não-residentes baixa para metade (de 20 para 10%) e a taxa sobre os serviços baixa de 12 para 5%.

Há que esperar para ver quais os resultados destas alterações sobre a actividade económica mas tememos que, pelo menos no curto-médio prazo, elas não venham a surtir os efeitos por muitos esperados.
Cremos, nomeadamente, que a taxa de inflação (que era em Junho, sobre Junho/2007, de 11,6%) só muito marginalmente será afectada (para baixo) já que acreditamos que os comerciantes NÃO vão repercutir (ou fá-lo-ão apenas marginalmente) para os consumidores a baixa dos impostos sobre os serviços e sobre as importações. Neste sentido, os principais beneficiários das alterações introduzidas serão os próprios comerciantes e importadores, que assim aumentarão a sua margem de lucro.
Por outro lado, a "racionalidade económica" de muitos dos agentes económicos timorenses é mais que questionável, o que, aliado à pouca força da opinião pública, fará com que a pressão para a repercussão para os consumidores destes benefícios seja apenas marginal. Nunca esperei tanto enganar-me...

Devo ainda confessar que tenho alguns receios sobre o verdadeiro "desarmamento" pautal nesta fase do desenvolvimento do país: ele pode ter como consequência o desincentivo à produção nacional de alguns bens já que se torna (ainda mais) barato comprar na "loja do vizinho" (= Indonésia)... Também aqui nunca desejei tanto enganar-me. Felizmente não sou como o outro que, once upon a time, disse que raramente tinha dúvidas e nunca se enganava... Eu, pelo contrário, estou cheio de dúvidas e espero ardentemente enganar-me...

quinta-feira, 10 de Julho de 2008

Ai, Maromak! Onde isto vai parar?!...

Para quem não sabe, "Maromak" é o ser supremo, o criador, para os timroenses. "Traduzindo por miúdos" e na lógica de muitos, é "Deus".
Foi do que me lembrei quando vi a seguinte notícia publicada a 3 de Julho no Financial Times:

"Bets on $200 oil increase
By Javier Blas in London
Published: July 3 2008 16:52 Last updated: July 3 2008 16:52

The number of financial bets on crude oil prices hitting $200 a barrel before the end of this year has almost doubled in the last month, a further sign of growing concern that oil prices will continue to rise sharply in the near term.
The strong buying of these call options – contracts that give holders the right to buy crude oil at a predetermined price and date – comes as spot oil prices in London on Thursday hit a fresh record high around the $146 a barrel level.
In London, Brent oil hit an intraday record of $146.69 a barrel, up 55 per cent since January. In New York, West Texas Intermediate hit an all-time high of $145.85."

Isto é: há já quem aposte em que o preço do barril de petróleo irá atingir os 200 USD antes do fim do ano. E há cada vez mais operadores a apostar nessa hipótese pois o número dos que compraram "opções de compra" a esse preço duplicou durante o mês de Junho passado. 'tá lindo, isto, ´tá!..
E se é verdade que o "Timor Leste produtor" só tem a ganhar com a subida, o "Timor Leste consumidor" tem de se preparar para uma situação que não se antevê que venha a melhorar no futuro --- a não ser que haja alterações radicais na política económica internacional, o que não se antevê como provável no futuro próximo.

Já noutra ocasião falámos aqui das responsabilidades dos especuladores neste processo. Na ocasião só não explicámos suficientemente porque é que eles são "empurrados" para os mercados das commodities, como o petróleo.
Na verdade o que se passa é que com a política de baixar as taxas de juro seguida pelo "banco central" americano (o FED), a rentabilidade de muitos investimentos baixou significativamente até porque as taxas de juro reais (as nominais menos a taxa de inflação) estão muito baixas negativas ou perto disso.
Claro que nestas circunstâncias a tendência é para os detentores de dinheiro tentarem obter um rendimento mais elevado "jogando" naqueles mercados onde ainda há "espaço de manobra" para ganhos significativos. E os mercados do petróleo, de outros minerais, dos cereais (arroz, trigo, etc) e outros estavam "disponíveis" para a acção dos especuladores. O resultado está à vista...
Claro que tudo isto foi ajudado por políticas monetárias de algum "laxismo" que permitiram a criação de volumes significativos de moeda que agora "cai" em catadupa nos referidos mercados. Pena que ninguém tenha previsto isto...
Pior: uma parte da solução passaria por reduzir a oferta de moeda e aumentar as taxas de juro. Isso significaria dificuldades no investimento e uma recessão económica (mundial) importante, com todo o seu rol de desgraças associadas: desemprego, inflação...
Quem dá o primeiro passo? Ninguém, claro!... Então resta-nos aguentar e rezar a Maromak!...

Voltando ao caso de Timor Leste, o governo pode ter a tendência de defrontar a situação criada aos consumidores através de subsídios que façam baixar artificialmente o preço dos combustíveis mas é encessário não esquecer que essa solução tem os seus próprios limites se a tendência for para uma crescente subida dos preços. Não se pode aumentar eternamente os subsídios. Não pode nem deve...
Talvez esteja na hora de incentivar muitos a usarem mais bicicletas e menos motorizadas... Dili até é quase plana...

terça-feira, 8 de Julho de 2008

Inquérito às condições de vida em Timor Leste

Depois de mais de um ano de recolha de informações por inquérito directo junto de uma amostra alargada de famílias (4500, contra 1800 no anterior, datado de 2001) e de tratamento da informação recolhida, foi hoje lançado livro contendo o resultado do inquérito realizado pela Direcção Nacional de Estatística de Timor Leste às condições de vida do país --- na designação inglesa original Final Statistical Abstract: Timor-Leste Survey of Living Standards 2007.
Na ocasião e como forma de divulgação dos resultados deste inquérito mas também de outras estatísticas disponíveis sobre o país foi apresentado o CD-ROM Timor-LesteDevInfo.
São, certamente, dois instrumentos muito úteis para a análise da economia e da sociedade timorenses e aqui ficam os parabéns à equipa da DNE e seus assessores pelo trabalho realizado, parte dele num período de grande instabilidade do país.
Vamos "digerir" alguma da informação agora disponível e depois voltaremos ao assunto.