sexta-feira, 30 de Maio de 2008

Notícias breves (com comentários semi-breves)

Nosa últimos dias três factos/notícias chamaram a minha atenção quanto à economia e à política económica de Timor Leste:

a) a existência de um "Memorando de Entendimento" com uma empresa indonésia dando direitos exclusivos para a exploração de cerca de 100 mil ha para plantação de cana de açúcar.

Comentário: este é um tipo de solução que foi vulgar noutros tempos, nomeadamente na Indonésia, mas hoje, em que estão mais que reconhecidas por (quase) todos as vantagens da economia de mercado, não parece fazer muito sentido a existência de monopólios ou de "companhias majestáticas"

b) foi anunciado que serão concedidos subsídios aos produtos petrolíferos de modo a fazer baixar o seu preço

Comentário: pessoalmente não simpatizo com subsídios que beneficiem TODOS os agentes económicos, aceitando-se que alguns sejam beneficiados por serem especialmente vulneráveis devido ao facto de serem (ainda mais) pobres.
Há, pois, que esperar para ver que tipos de produtos petrolíferos vão ser subsidiados e quem vai beneficiar dessa redução (artifical) dos preços. A Indonésia, por necessidades fiscais e para não preverter os (fundamentais!) "sinais do mercado", eliminou há alguns anos os subsídios que mantinha à maioria dos produtos petrolíferos (de que, ainda por cima, era produtora), mantendo apenas um subsídio ao kerosene com um duplo objectivo: (i) proteger as camadas sociais mais pobres, as grandes utilizadoras do referido combustível para cozinharem; e (ii) para ajudar à protecção ambiental pois a alternativa era, como acontece em Timor Leste, as pessoas passarem a utilizar intensamente a lenha, provocando um verdadeiro desastre ambiental.

c) o Governo substiuiu-se parcialmente ao mercado fazendo importação directa de arroz e entregando-o aos comerciantes a um preço mais baixo que o do mercado (15 USD por saca de 35 kgs) a fim de ser vendido a 17 USD/saca. O resultado é que os comerciantes que importaram directamente e têm sacas de arroz no mercado a 25 USD/saca não conseguem escoar o cereal importado directamente.

Comentário
: tal como dito anteriormente, não parece razoável que o benefício do subsídio que é a compra de arroz mais barato seja extensível a todos, independentemente dos seus rendimentos. Não é essa normalmente a "boa prática" noutros locais. Compreende-se, porém, a solução adoptada considerando a dificuldade de organizar um processo mais selectivo para chegar apenas a grupos específicos de agentes económicos. Mas será difícil compreender que ela se torne mais prolongada no tempo que o estritamente necessário para organizar um processo mais "equitativo".
Alerta-se, no entanto, para o perigo que pode constituir uma solução destas se, como tudo parece indicar, o preço do arroz, tal como o de outros alimentos, se mantiver alto no futuro. Há que estar preparado para , a seguir-se a mesma lógica, se eternizar a política de subsidiar "universalmente" o preço do arroz.
Não está em causa apenas o custo orçamental de tal procedimento; está também em causa a filosofia de deturpação dos sinais do mercado que essa política implica. Por exemplo, a baixa artifical do preço do arroz pode prejudicar o aumento da produção interna do mesmo e a eventual substituição (parcial) do arroz por outras culturas alimentares essencialmente de produção nacional, como o milho e a batata, por exemplo. Assim se manterá a dependência alimentar em relação ao exterior, que importaria diminuir.
É, pois, importante que aquilo que poderá ser uma solução temporária, de recurso, não se "instale" como solução permanete, definitiva. É que se for necessário terminar com ela vai ser muito difícil explicar às pessoas a redução/eliminação dos subsídios.

Ainda sobre o aumento do preço do petróleo (parte 2)

Concluimos aqui a apresentação da tradução do texto de Michael Masters iniciado na entrada com o título semelhante [parte 1] apresentada mais abaixo

"Na imprensa popular a explicação dada para a maioria da subida do preço do petróleo é o aumento da procura de petróleo pela China. De acordo com a DOE a procura de petróleo pela China aumentou de 1,88 para 2,8 mil milhões de barris/ano, um aumento de 920 milhões de barris/ano. Durante o mesmo período de cinco anos a procura pelos “Especuladores nos Índices” quase igualou a da China.

De facto, os “especuladores nos índices” acumularam, através do mercado de “futuros”, o equivalente a 1100 milhões de barris de petróleo, aumentando 8 vezes a sua acumulação desta commodity (...).

Vejamos agora o que se passa nos preços dos alimentos, os quais aumentaram muito nos últimos seis meses.

Quando solicitados a explicarem esta dramática subida dos preços, os economistas respondem, em geral, com a reafectação de uma parte substancial da colheita de milho para a produção de etanol. O que eles esquecem é que os investidores institucionais compraram mais de 2000 milhões de bushel [1 bushel = 35,2 litros) nos últimos 5 anos. Neste momento os Especuladores nos Índices acumularam em “futuros” de milho o necessário para alimentar a indústria de produção de etanol dos Estados Unidos durante um ano. Isto oequivale a produzir 5,3 mil milhões de galões de etanol, o que faria dos EUA o maior produtor mundial de etanol.

Em relação ao trigo, em 2007 os americanos consumiram 2,2 bushels de trigo per capita. Com os actuais 1300 milhões de bushels acumulados pelos Especuladores nos Índices é suficiente para alimentar todos os cidadãos americanos com o pão, as massas e os produtos similares durante os próximos dois anos.

As características da procura dos especuladores dos índices.

A procura de contratos de “futuros” só pode vir de duas fontes: os reais consumidores dos produtos e os especularoes. Este último grupo inclui dos “especuladores tradicionais” e os “especuladores nos índices”. Há cinco anos atrás estes últimos eram uma fracção muito pequena dos mercados de “futuros” das commodities. Hoje, em muitos destes mercados eles são, de longe, os principais operadores. (...)

A procura destes especuladores é muito diferente da dos especuladores tradicionais; ela resulta apenas e só das suas decisões quanto à afectação de recursos para constituição da sua carteira de títulos. Quando um Investidor Institucional decide afectar 2% do seu dinheiro para investir em “futuros” de commodities, por exemplo, ele apresetna-se no mercado com um determinado volume de dinheiro. Não estão preocupados com o preço unitário do bem; irão comprar tantos contratos de “futuros” quantos os que precisarem, seja a que preço for, até que todo o dinheiro que têm disponível para a operação esteja “a trabalhar”. A sua insensibilidade ao preço multiplica o seu impacto nos mercados de matérias primas.

Além disso, os mercados de “futuros” são de muito menor dimensão que os mercados de acções e obrigações; assim sendo, qualquer afectação de muitos milhões de dólares aos mercados de commodities terão um efeito muito maior sobre os preços. Em 2004 o valor total dos contratos de “futuros” existentes para todas as 25 mercadorias do “índice de mercadorias” era de cerca de 180 mil milhões de dólares. Compare-se isto com os cerca de 44 triliões de dólares dos mercados bolsistas a nível mundial, que é 24º vezes a dimensão do de “futuros” de mercadorias. Nesse ano os “Especuladores nos Índices” investiram neste mercado 25 mil milhões, um montante equivalente a 14% do mercado total.

O gráfico acima mostra a dinâmica do que está a acontecer. À medida que o dinheiro é investido nestes mercados de “futuros” de commodities, acontecem duas coisas simultaneamente: os mercados expandem-se e os preços aumentam. Um aspecto particularmente preocupante da procura dos “Especuladores nos Índices” é o de que ela aumenta à medida que os preços aumentam [o que é o inverso da “lei da oferta e da procura”]. Isto explica a taxa cada vez maior a que aumentam os preços dos contratos de “futuros” das commodities (e, por arrastamento, os preços das próprias matérias primas). Preços mais altos atraem cada vez mais “Especuladores nos Índices”, cuja tendência vai ser investir cada vez mais à medida que os preços vão aumentando [e, com isso, provocar novos aumentos de preços, num processo que se “autoalimenta”]. (...)

Pode verificar no quadro acima que os preços aumentaram ainda mais dramaticamente no primeiro trimestre de 2008. Calculamos que os “Especuladores nos Índices” tenham invadido os mercados com 55 mil milhões de dólares apenas nos 52 dias de operação dos mercados que leva o ano desde o seu início. Isto é um aumento de um pouco mais de mil milhões por dia.

Não será plausível que um aumento da procura nos mercados de “futuros” desta dimensão pode justificar muito do grande aumento de preços que se verificou desde o início deste ano?”

Evolução dos preços do petróleo e do café nos últimos 3 anos

E de quem é a culpa?

"Quem está a inflacionar a 'bolha' no mercado de petróleo? O principal culpado é o FED [banco central americano] ao reduzir a taxa de juro dos seus títulos em 325 pontos base [= 3,25 pontos percentuais] para uma taxa real negativa de -2% após ajustamento pela taxa de inflação [dos EUA] e ao expandir a oferta monetária no país em 16,5% desde há um ano atrás, num esforço desesperado para parar o declínio do sector bancário americano, que entretanto se vai afundando [por causa da crise do mercado habitacional e na sub-prime].
Ao empurrar as taxas de juro para terreno tão nitidamente negativo, o FED encoraja a especulação nos mercados de commodities e empurra também o dólar para baixo [face ao Euro, p.ex.], o que, por sua vez, está a empurrar para cima o preço em dólares das matérias primas, tais como o petróleo bruto e o ouro."

in SirChartsAlot, 28/Maio/2008

Querem ver como os "investidores institucionais" fazem especulação com o petróleo? É assim...

O blog Econbrowser explica tudo direitinho numa entrada de 17 de maio passado. Daí respigamos apenas a primeira parte para a traduzir para português mas aconselhamos a leitura do texto completo clicando aqui.

Aí se diz o seguinte:

"Como é que a especulação pode estar a contribuir para as mais recentes alterações dos preços do petróleo.

Uma importante tendência recente na gestão dos fundos de pensões e similares é o aumento do uso de dólares para o investimento na especulação com as matérias primas [commodities]. Talvez a forma mais simples de o fazer é comprar, digamos, um contrato de "futuro" de petróleo para Julho próximo. Se comprar esse contrano na sexta-feira terá a possibilidade de o petróleo lhe ser entregue efectivamente (...) algures em Julho a 126 USD/barril. Enquanto fundo de pensões ou similar você não quer receber, de facto, esse petróleo [pois não o vai 'consumir' efectivamente] e por isso, no início de Junho, você vai procurar vender esse contrato a alguém e usar a receita para comprar um contrato de "futuros" para Agosto. Se o preço do petróleo aumentar entretanto vai poder vender o contrato [de Julho] por mais que os 126 USD/barril que pagou por ele, obtendo assim um lucro. Assim, fazendo "rolar" desta forma os contratos de "futuros" a curto-prazo o seu "investimento" obterá um rendimento que acompanhará a tendência de evolução do preço do petróleo".


Nota final: claro que com este procedimento os fundos financeiros alimentam continuamente o processo e fazem subir cada vez mais os preços pois é a única maneira de continuarem a ganhar dinheiro --- aliás, muito dinheiro.

quinta-feira, 29 de Maio de 2008

Está aí o terceiro choque petrolífero?!...

O BES- Banco Espírito Santo acaba de publicar o seu boletim "Economia Global", de Maio/08.
O editorial fala do 'terceiro choque petrolífero' (a somar aos dos anos 70 do século passado), que considera ser já hoje uma realidade (ou quase). A não perder.

A evolução do preço do arroz nos mercados internacionais

A FAO publica regularmente informações sobre a evolução dos mercados internacionais de matérias primas (commodities) alimentares.
Do número de Junho do seu Food Outlook constam os seguintes quadros do relativos ao mercado internacional do arroz.

Por ele se pode verificar que o grande aumento do preço do arroz se verificou desde o final de 2007, tendo o preçoo da tonelada passado de um pouco menos de 400 USD para cerca de 900 mais recentemente. Uma mais que duplicação em cerca de 5 meses!
Naturalmente, tal como se passa nos mercados de outras commodities, esta evolução tem muito pouco que ver com a das condições de produção ou do comércio internacional do cereal.
De facto, a produção deve aumentar de 2007 para 2008.
No entanto, as exportações em 2008 vão tender a ser mais baixas que em 2007 porque alguns países decidiram restringir as suas vendas ao exterior a fim de assegurarem o abastecimento do mercado interno.
Assim sendo e tal como já referido noutro local, os grandes culpados destas subidas em flecha dos preços do arroz são os "investidores institucionais" mencionados noutra 'entrada' deste blog, mais abaixo, a propósito da evolução do preço do petróleo.
É o capitalismo financeiro, estúpido!...

Sobre a situação do mercado mundial de arroz veja-se também o Rice Market Monitor de Abril/2008.

Evolução do preço internacional do café (Nova York)

(clicar na imagem para aumentar o seu tamanho)

Evolução do preço do petróleo e dos bens alimentares

Em documento da FAO (a organização especializada das Nações Unidas para a agrultura e a alimentação) está publicado este gráfico interessante por fazer salientar um certo paralelismo do comportamento dos preços do petróleo e dos alimentos a partir de 2003, quando a presença dos "investidores institucionais" referidos na entrada abaixo passou a ser determinante nos mercados das commodities. ('clique' na imagem para a aumentar)


Por ele se pode verificar que o preço médio dos bens alimentares duplicou desde 2003 e que o petróleo viu o seu preço mais que triplicado desde essa data, sendo que 1/3 deste aumento se deu no último ano. Uma das características destes últimos 12-15 meses é exactamente o crescimento muito rápido dos preços --- bem mais rapidamente que até ao fim de 2006.

Ainda sobre o aumento do preço do petróleo (parte 1)

"Navegando" na net dei com um documento que reproduz uma intervenção recente de um especialista (Michael Masters) numa das comissões do Senado dos Estados Unidos. O documento pode ser consultado na íntegra (e aconselho a que quem se interessa por estas coisas o faça mesmo) clicando aqui.
Para facilitar a leitura dos que dominam menos bem o inglês aqui vai uma tradução parcial (para português... Tetum lahia... :-) ) do texto. Em próximas entradas apresentaremos o resto das partes mais relevantes. O que se segue é, pois, do autor dos comentários (M.Masters) e não do 'bloguista'...

"Fez-me a pergunta "estão os Investidores Institucionais a contribuir para a inflação dos preços dos alimentos e da energia?” A minha resposta inequívoca é "SIM". Neste testemunho eu irei explicar que os Investidores Institucionais são um, se não os principais, factores que afectam hoje os preços das commodities [matérias primas]. Evidentemente, há muitos factores que contribuem para a determinação dos preços nos mercados de commodities; o que eu vou aqui realçar é um factor em rápido crescimento --- e no entanto, negligenciado --- e que representa um problema que pode ser rapidamente corrigido através de legislação e políticas apropriadas.

Os preços das commodities, no conjunto, aumentaram nos últimos cinco anos que em qualquer outro período da história dos EUA. Vimos picos de subidas de preços das mercadorias ocorrerem no passado em consequência de crises de oferta, tal como durante o embargo árabe ao petróleo de 1973. Hoje, porém e ao contrário do que nos episódios anteriores de subidas dos preços, a oferta é suficiente: não há filas nas bombas de gasolina e há muita comida nas prateleiras.

Se a oferta é adequada --- como foi aqui demonstrado por outros que testemunharam perante este Comité --- e os preços continuam a subir então é porque a procura está a aumentar. Mas como se pode explicar um aumento contínuo da procura quando os preços das commodities duplicaram ou triplicaram nos últimos cinco anos? [o normal é a procura baixar quando os preços aumentam – AS]

[Tal acontece porque] O que estamos a sofrer é um choque da procura vinda de uma nova categoria de participantes nos mercados de futuros das commodities: os Investidores Institucionais. Esta designação abrange os Fundos de Pensões das empresas e públicos, os Fundos Soberanos [Sovereign Wealth Funds; ex: o Fundo Petrolífero de Timor Leste], fundos das Universidades e outros investidores institucionais. No seu conjunto, estes investidores representam hoje, em média, uma parte muito mais importante dos contratos de futuros das matérias primas do que quaisquer outros participantes nos respectivos mercados.

Estes agentes, a quem chamarei “especuladores dos índices”, afectam uma parte das suas carteiras de recursos a “investimentos” nos mercados de futuros das commodities e comportam-se de uma maneira muito diferente da dos especuladores tradicionais que semrpe existiram em todos os mercados. Refiro-me a eles como especuladores de “Índices” por causa da sua estratégia de investimentos; eles distribuem uma parte dos seus recursos em dólares pelos cerca de 25 mercados de futuros existentes e de acordo com Índices conhecidos --- o Standard & Poors – Goldman Sachs Commodity Index e o Dow Jones – AIG Commodity Index.

Gostaria de dar alguma informação complementar sobre como apareceram este tipo de “investidores”.

No início da presente década alguns investidores institucionais, que sofreram perdas significativas com a crise das bolsas de 2000-2002, começaram a olhar para os mercados de “futuros” de commodities como uma nova categoria de “activos” susceptíveis de serem utilizados para investimento. Embora estes mercados sempre tivessem tido alguns especuladores, nunca tinham tido como agentes a participar nas suas operações grandes instituições de investimento [financeiro] que os consideravam como susceptíveis de serem objecto de investimento em larga escala. As commodities pareciam atractivas {a estes investidores] porque tinham estado historicamente “não correlacionadas”, querendo isto dizer que tinham um funcionamento autónomo face ao comportamento usual dos mercados de acções e de Títulos de Tesouro [que “dançam” em conjunto].Os principais consultores financeiros, que aconselham as grandes instituições financeiras quanto às suas estratégias de afectação de recursos, sugeriram pela primeira vez que estes investidores poderiam “comprar e manter” “futuros” de commodities da mesma forma que até aí tinham tido apenas acções e bonds [obrigações].

A procura pelos “Especuladores nos Índices” está a tornar os preços cada vez mais altos

Hoje os “Especuladores nos Índices” estão a colocar biliões de dólares nos mercados de “futuros” das matérias primas, especulando em que os preços irão aumentar ainda mais. O gráfico abaixo mostra que os activos aplicados nas transacções de commodities subiram de 13 biliões [mil milhões] no fim de 2003 para 260 biliões em Março de 2008 e os preços das matérias primas que compõem os índices subiram uma média de 183% nestes cinco anos!


De acordo com a CFTC [US Commodity Futures Trading Comission] e participantes nos mercados de compra e venda no curto prazo [spot markets] os preços dos “futuros” das commodities são o padrão [benchmark] para os preços de matérias primas e por isso quando os Especuladores nos Índices empurram os preços para cima os efeitos são sentidos imediatamente nos preços para entregas a curto prazo das mercadorias físicas e à economia real. Isto é: há uma ligação directa entre os preços de “futuros” das commodities e os preços que os vossos eleitores estão a pagar por bens essenciais." [continua]