quinta-feira, 29 de Maio de 2008
Está aí o terceiro choque petrolífero?!...
O editorial fala do 'terceiro choque petrolífero' (a somar aos dos anos 70 do século passado), que considera ser já hoje uma realidade (ou quase). A não perder.
A evolução do preço do arroz nos mercados internacionais
Do número de Junho do seu Food Outlook constam os seguintes quadros do relativos ao mercado internacional do arroz.
Por ele se pode verificar que o grande aumento do preço do arroz se verificou desde o final de 2007, tendo o preçoo da tonelada passado de um pouco menos de 400 USD para cerca de 900 mais recentemente. Uma mais que duplicação em cerca de 5 meses!Naturalmente, tal como se passa nos mercados de outras commodities, esta evolução tem muito pouco que ver com a das condições de produção ou do comércio internacional do cereal.
De facto, a produção deve aumentar de 2007 para 2008.
No entanto, as exportações em 2008 vão tender a ser mais baixas que em 2007 porque alguns países decidiram restringir as suas vendas ao exterior a fim de assegurarem o abastecimento do mercado interno.
Assim sendo e tal como já referido noutro local, os grandes culpados destas subidas em flecha dos preços do arroz são os "investidores institucionais" mencionados noutra 'entrada' deste blog, mais abaixo, a propósito da evolução do preço do petróleo.
É o capitalismo financeiro, estúpido!...
Sobre a situação do mercado mundial de arroz veja-se também o Rice Market Monitor de Abril/2008.
Evolução do preço do petróleo e dos bens alimentares

Por ele se pode verificar que o preço médio dos bens alimentares duplicou desde 2003 e que o petróleo viu o seu preço mais que triplicado desde essa data, sendo que 1/3 deste aumento se deu no último ano. Uma das características destes últimos 12-15 meses é exactamente o crescimento muito rápido dos preços --- bem mais rapidamente que até ao fim de 2006.
Ainda sobre o aumento do preço do petróleo (parte 1)
Para facilitar a leitura dos que dominam menos bem o inglês aqui vai uma tradução parcial (para português... Tetum lahia... :-) ) do texto. Em próximas entradas apresentaremos o resto das partes mais relevantes. O que se segue é, pois, do autor dos comentários (M.Masters) e não do 'bloguista'...
"Fez-me a pergunta "estão os Investidores Institucionais a contribuir para a inflação dos preços dos alimentos e da energia?” A minha resposta inequívoca é "SIM". Neste testemunho eu irei explicar que os Investidores Institucionais são um, se não os principais, factores que afectam hoje os preços das commodities [matérias primas]. Evidentemente, há muitos factores que contribuem para a determinação dos preços nos mercados de commodities; o que eu vou aqui realçar é um factor em rápido crescimento --- e no entanto, negligenciado --- e que representa um problema que pode ser rapidamente corrigido através de legislação e políticas apropriadas.
Os preços das commodities, no conjunto, aumentaram nos últimos cinco anos que em qualquer outro período da história dos EUA. Vimos picos de subidas de preços das mercadorias ocorrerem no passado em consequência de crises de oferta, tal como durante o embargo árabe ao petróleo de 1973. Hoje, porém e ao contrário do que nos episódios anteriores de subidas dos preços, a oferta é suficiente: não há filas nas bombas de gasolina e há muita comida nas prateleiras.
Se a oferta é adequada --- como foi aqui demonstrado por outros que testemunharam perante este Comité --- e os preços continuam a subir então é porque a procura está a aumentar. Mas como se pode explicar um aumento contínuo da procura quando os preços das commodities duplicaram ou triplicaram nos últimos cinco anos? [o normal é a procura baixar quando os preços aumentam – AS]
[Tal acontece porque] O que estamos a sofrer é um choque da procura vinda de uma nova categoria de participantes nos mercados de futuros das commodities: os Investidores Institucionais. Esta designação abrange os Fundos de Pensões das empresas e públicos, os Fundos Soberanos [Sovereign Wealth Funds; ex: o Fundo Petrolífero de Timor Leste], fundos das Universidades e outros investidores institucionais. No seu conjunto, estes investidores representam hoje, em média, uma parte muito mais importante dos contratos de futuros das matérias primas do que quaisquer outros participantes nos respectivos mercados.
Estes agentes, a quem chamarei “especuladores dos índices”, afectam uma parte das suas carteiras de recursos a “investimentos” nos mercados de futuros das commodities e comportam-se de uma maneira muito diferente da dos especuladores tradicionais que semrpe existiram em todos os mercados. Refiro-me a eles como especuladores de “Índices” por causa da sua estratégia de investimentos; eles distribuem uma parte dos seus recursos em dólares pelos cerca de 25 mercados de futuros existentes e de acordo com Índices conhecidos --- o Standard & Poors – Goldman Sachs Commodity Index e o Dow Jones – AIG Commodity Index.
Gostaria de dar alguma informação complementar sobre como apareceram este tipo de “investidores”.
No início da presente década alguns investidores institucionais, que sofreram perdas significativas com a crise das bolsas de 2000-2002, começaram a olhar para os mercados de “futuros” de commodities como uma nova categoria de “activos” susceptíveis de serem utilizados para investimento. Embora estes mercados sempre tivessem tido alguns especuladores, nunca tinham tido como agentes a participar nas suas operações grandes instituições de investimento [financeiro] que os consideravam como susceptíveis de serem objecto de investimento em larga escala. As commodities pareciam atractivas {a estes investidores] porque tinham estado historicamente “não correlacionadas”, querendo isto dizer que tinham um funcionamento autónomo face ao comportamento usual dos mercados de acções e de Títulos de Tesouro [que “dançam” em conjunto].Os principais consultores financeiros, que aconselham as grandes instituições financeiras quanto às suas estratégias de afectação de recursos, sugeriram pela primeira vez que estes investidores poderiam “comprar e manter” “futuros” de commodities da mesma forma que até aí tinham tido apenas acções e bonds [obrigações].
A procura pelos “Especuladores nos Índices” está a tornar os preços cada vez mais altos
Hoje os “Especuladores nos Índices” estão a colocar biliões de dólares nos mercados de “futuros” das matérias primas, especulando em que os preços irão aumentar ainda mais. O gráfico abaixo mostra que os activos aplicados nas transacções de commodities subiram de 13 biliões [mil milhões] no fim de 2003 para 260 biliões em Março de 2008 e os preços das matérias primas que compõem os índices subiram uma média de 183% nestes cinco anos!
De acordo com a CFTC [US Commodity Futures Trading Comission] e participantes nos mercados de compra e venda no curto prazo [spot markets] os preços dos “futuros” das commodities são o padrão [benchmark] para os preços de matérias primas e por isso quando os Especuladores nos Índices empurram os preços para cima os efeitos são sentidos imediatamente nos preços para entregas a curto prazo das mercadorias físicas e à economia real. Isto é: há uma ligação directa entre os preços de “futuros” das commodities e os preços que os vossos eleitores estão a pagar por bens essenciais." [continua]
quarta-feira, 28 de Maio de 2008
Sobre a evolução recente do preço do petróleo bruto
Para facilitar a divulgação das suas principais conclusões resolvemos transcrever (abaixo, devidamente traduzido para português) as partes mais importantes do texto, da autoria de Noureddine Krichene.
Noureddine Krichene
Crude Oil Prices: Trends and Forecast
IMF Working Paper WP/08/133
http://www.imf.org/external/pubs/ft/wp/2008/wp08133.pdf
I. INTRODUÇÃO
Mantendo uma subida persistente desde o início de 2003 e tendo batido um novo recorde de 120 USD/barril em Abril/2008, os preços do petróleo bruto mantêm-se sob grande pressão e parece não terem limites; o seu ritmo rápido de crescimento pode-se tornar inflacionista por levar ao aumento dos outros preços e pode provocar uma desaceleração do crescimento económico mundial.
Ainda mais preocupante, as recentes subidas do preço dos preços do petróleo estão a ocorrer no meio de uma tendência para a subida dos preços das restantes matérias primas, de instabilidade no mercado habitacional, das bolsas de valores e dos mercados de crédito e de depreciação das taxas de câmbio [do dólar americano].
O rápido crescimento dos preços das matérias primas [commodities], incluindo o petróleo, pode ser visto como um efeito atrasado das políticas monetárias excessivamente expansionistas do período 2001-04, quando as principais taxas de juro foram empurradas para baixo até níveis nunca vistos desde a II Grande Guerra. Tal política expansionista levou a um crescimento económico mundial rápido e, consequentemente, a um aumento da procura por petróleo e pelas commodities não-petrolíferas. Dado que a oferta de petróleo e de outras matérias primas é rígida ou cresce a um ritmo inferior ao da procura, o excesso de procura resultou em inflação dos preços. Com as taxas de juro reais a tornarem-se baixas ou negativas, a pressão na procura real e, por consequência, no mercado do petróleo pode não abrandar. O “relaxamento” da política monetária no período de Agosto 2007 a Março de 2008 desencadeou imediatamente uma nova espiral de subida dos preços das matérias primas e de depreciação da moeda [do dólar].
(…)
II. EVOLUÇÃO RECENTE DOS PREÇOS DO PETRÓLEO
No nosso estudo analisámos os dados sobre o preço do petróleo light nos mercados de futuros desde 4 de Janeiro de 2000 até 29 de Outubro de 2007, os quais estão representados no gráfico abaixo.
O comportamento dos preços mostra claramente dois padrões diferentes: uma relativa estabilidade durante o período desde o início de Janeiro de 2000 até Abril de 2003, com uma média de cerca de 27 USD/barril; e uma subida forte dos preços desde aquela última data até ao final do período analisado (i.e., Maio/2003 a Outubro/2007), com os preços a subirem progressivamente até aos 96 USD/barril em Outubro/2007 e não mostrando qualquer tendência a estabilizarem em torno da média.
Esta tendência de aumento tornou-se previsível e na subida mais longa de preços do pós-Guerra [II Grande Guerra]. As subidas anteriores duraram em média dois a três anos mas a actual já ultrapassou os 4 anos.
VIII. CONCLUSÕES
Este texto demonstrou que entre o início de 2000 e Abril de 2003 os preços do petróleo evoluíram num sentido ligeiramente negativo com uma procura de petróleo moderadamente crescente. Tal cenário poderá ser restaurado desde que seja adoptada uma política monetária de contenção. (...) Se a oferta de petróleo se tornar regressiva, o crescimento económico será impedido e a pressão sobre o preço do petróleo irá acelerar-se.
Restaurar a estabilidade no mercado do petróleo é essencial para um crescimento económico durável e para a estabilidade de preços. O ímpeto para o crescimento dos preços vem do lado da política monetária. Esta não pode ser utilizada como panaceia para todos os males. Diferentes tipos de problemas económicos deverão ser defrontados com instrumentos bem definidos e soluções apropriadas. Por exemplo, défices da balança de pagamentos poderão ser melhor e mais rapidamente resolvidos através do enfoque monetário da balança de pagamentos que consiste da redução do financiamento dos défices público e privados através da fixação de limites ao crédito.
Da mesma forma, a competitividade externa pode ser alcançada de uma forma mais duradoura através de ganhos de produtividade, redução de custos e inovação tecnológica e não através da redução da taxa de câmbio nominal [depreciação]. A depreciação da moeda pode não restaurar a competitividade externa no contexto de uma política monetária expansionista. Para ser eficaz, a depreciação da moeda tem de ser apoiada por uma política monetária restritiva. Uma condução correcta e segura da política monetária é um pré-requisito para um crescimento económico estável.
Em resumo, o preço do petróleo é uma das principais variáveis económicas. (...) uma política monetária prudente pode ser necessária para alcançar a estabilidade dos preços do petróleo no longo prazo.
terça-feira, 27 de Maio de 2008
(Quase) Sempre a subir... O Fundo Petrolífero de Timor Leste
Pela sua consulta se pode ver a evolução mensal dos recursos do Fundo Petrolífero do país. Tendo iniciado a sua "vida" com uns "míseros" 247 milhões USD (equivalentes, hoje, a cerca de 157 milhões de euros), ele dispõe hoje de activos financeiros que estavam avaliados (ao preço do mercado bolsista) no final de Abril passado em um pouco mais de 2800 milhões USD (1780 milhões de euros).
O gráfico que apresentamos indica também as variações mensais do Fundo. Graças ao rápido crescimento dos preços do petróleo passou-se de aumentos mensais de cerca de 60-70 milhões de USD para os recentes 175 milhões de Fevereiro e Abril e 255 de Março --- uma média de 180 milhões USD em cada um dos 4 meses de Janeiro a Abril/2008.Se se mantiver este ritmo de crescimento o Fundo aumentará mais de 2000 milhões USD durante todo o ano de 2008, fazendo o seu saldo total passar para cerca de 4000 milhões (uma duplicação em um ano, já que o saldo no final de 2007 era de perto de 2100 milhões).
Note-se que estes valores vão fazer subir significativamente os valores que, MESMO COM A ACTUAL LEI do Fundo Petrolífero, o Governo poderá retirar para financiar o Orçamento Geral do Estado de 2009.
A situação começa a ser "perigosa" no sentido de que as verbas que poderão ser retiradas para o OGE poderão ultrapassar significativamente a capacidade de gastar, com eficácia, os dinheiros públicos. E daí ao desperdício e ao julgar que "estamos ricos!, estamos ricos!" é um passo que, infelizmente, é fácil de dar. Mas que tem de ser evitado.
PS - pois é... Na mensagem inicial dissemos que não era nossa preocupação fundamental o acompanhamento do dia a dia da evolução da economia de Timor Leste. Com esta 'entrada' parece que nos estamos a contradizer. São coisas... Note-se, porém, que o facto de a nossa "preocupação fundamental" não ser essa não quer dizer que, de vez em quando, não metamos a nossa colherada de natureza essencialmente informativa sobre a evolução da economia do país... Assim será.
domingo, 25 de Maio de 2008
Este é (mais) um blog sobre economia. Sorry!... :-)
Então o que nos diferencia dos demais blogs nossos "parentes"? O facto de nos cingirmos a aspectos relacionados com o desenvolvimento das chamadas "economias em desenvolvimento".
Em geral mas mais em particular a economia de Timor Leste (ou Timor-Leste, como queiram...).
Mas atenção: mais que debruçar-mo-nos sobre aspectos específicos, muito concretos, da economia do país procuraremos, com o maior sentido pedagógico possível e com o intuito de ajudar a formar opiniões nesta área (ensinar a pescar e não apenas dar o peixe...), abordar temas económicos que são relevantes para a definição de linhas de rumo para economia do país. O nosso público-alvo são sobretudo os estudantes de economia de Timor Leste, os colegas economistas do país e, pourquois pas, os decisores na área económica.
Mas não me peçam para dar "lições" do tipo "catequismo", de "deve ser assim ou assado"... A mesa fica posta; quem quiser que escolha o que estiver nela... ou na mesa do vizinho...
Até porque se eu tivesse respostas (correctas) para todos os males do Mundo seria um infeliz... :-) Com um dinheirito na conta bancária graças ao Prémio Nobel da Economia mas infeliz...
Vamos a isto?!...
Assim nos ajude o engenho e a arte...


