A tendência recente parece ser de uma certa estabilização do valor da inflação, havendo estimativas de que no conjunto do ano de 2010 ela se ficará pelos cerca de 4%.
quinta-feira, 5 de Agosto de 2010
Inflação anual medida em Junho passado: 6,6%
A tendência recente parece ser de uma certa estabilização do valor da inflação, havendo estimativas de que no conjunto do ano de 2010 ela se ficará pelos cerca de 4%.
segunda-feira, 2 de Agosto de 2010
quinta-feira, 29 de Julho de 2010
A economia de Timor Leste pelos olhos do ANZ
quinta-feira, 1 de Julho de 2010
Situação actual em Timor Leste pelos olhos da La'o Hamutuk
domingo, 27 de Junho de 2010
Ainda o acordo com a Millenium Challenge Corporation
sábado, 26 de Junho de 2010
"Millenium Challenge Corporation"
A La'o Hamutuk criou hoje uma página na web para divulgar informações sobre este projecto de ajuda americana a Timor Leste. Veja-o aqui, sff.
Aprovado o Orçamento rectificado para 2010
"O Parlamento de Timor-Leste aprovou em 26 de Junho, por 39 votos a favor, 21 contra e quatro abstenções, o Orçamento Retificativo proposto pelo governo, que prevê um aumento de quase 178 milhões de dólares (145 milhões de euros)."
sexta-feira, 25 de Junho de 2010
Parecer da Comissão C (Economia) do Parlamento Nacional sobre o Orçamento Rectificado
As principais recomendações são sintetizadas no relatório desta forma:
"Assim a Comissão é de parecer que não se iustifica uma retirada adicional de 309
milhões de dólares do Fundo Petrolífero, por se considerar que:
1. Financeiramente tal não se encontra justificado tendo em consideracão os
custos previstos e as receitas disponíveis ($759 258 milhões de receita para
$698,6 milhões de despesa).
2. Os levantamentos do Fundo Petrolífero apenas devem ser utilizados em casos
de manifesto interesse para Timor-Leste a longo prazo, o que não parece à
Comissão ser o caso."
domingo, 13 de Junho de 2010
Revisão da Lei do Fundo Petrolífero
O La'o Hamutuk tem dedicado muita atenção a esta questão e aqui apresenta uma série de documentos que ajudam a formar uma opinião sobre o assunto. À atenção do leitor.
Ainda o OGE rectificado

O primeiro diz respeito às despesas previstas. Ao quadro inicial acrescentei algumas colunas que nos permitem "ler" melhor a informação já que nos dão as diferenças entre um orçamento (o inicial) e outro (o rectificado) quer em valores (milhões de USD) quer em percentagem, além de comparar a estrutura das despesas num e noutro para ver quem "ganha" e quem "perde".
Quem "ganha" (mais) é a rubrica das transferências que, com um aumento de 75% face ao valor inicial, faz "saltar" o seu peso no OGE de 16% para 22% --- 6 pontos percentuais.
E quem "perde" mais? Se exceptuarmos o caso dos salários --- a rubrica mais rígida e que, por isso, tem, naturalmente, o menor aumento ---, o menor aumento dá-se nas despesas de capital. Estas têm um aumento de 15,8% enquanto que as despesas em bens e serviços aumentam 27,8%.
Estes aumentos fazem as despesas de capital baixarem o seu "peso" na estrutura de 37,4% para 34,1%, nomeadamente à custa da queda de importância relativa das despesas de desenvolvimento em 2,8 pontos percentuais.
A alteração agora introduzida no OGE reforça, pois, o peso das transferências e reduz o peso das despesas de desenvolvimento. É, para mim, uma evolução, no mínimo, "inesperada" pois esperaria que os eventuais reforços de verbas privilegiassem as despesas que beneficiam o esforço de desenvolvimento do país e não o consumo imediato.
Diga-se, aliás, que temo que o Estado esteja a assumir demasiadas obrigações neste domínio que, a prazo --- não de 3 ou 4 anos mas de 30 ou 40 ---, podem ser difíceis de sustentar.
As informações sobre o Fundo Petrolífero também são relevantes. A primeira é a de que o preço médio do petróleo que serviu de base ao cálculo inicial do rendimento sustentável foi, tendo em conta as alterações entretanto verificadas no mercado internacional, alterado dos 62 para os 68 dólares por barril. Pena é que não se apresente o valor do "rendimento sustentável" calculado com o novo preço médio para melhor se ver qual a diferença entre o que agora se solicita ao FP e o novo valor do "rendimento sustentável".

De notar, como o La'o Hamutuk já tinha feito, que o acréscimo de transferências que agora se solicita ao Fundo excede, em muito (+309 milhões contra +178 milhões), o acréscimo previsto para as despesas.
Documentação sobre o Orçamento Rectificado
quinta-feira, 10 de Junho de 2010
Post scriptum à "postagem" anterior
Adivinhem qual o único país que não se fez representar apesar de todas as tentativas feitas, por vários canais, para trazer cá um seu representante (com tudo pago): pois é! "Esse" mesmo!... Ninguém tugiu nem mugiu onde "o sol, em nascendo, vê primeiro"!...
quarta-feira, 9 de Junho de 2010
Qualidade, qualidade, qualidade!... Sabem o que é?!...

sexta-feira, 4 de Junho de 2010
O comércio externo de Timor Leste


As importações de cereais --- leia-se, na prática, arroz --- custaram ao país cerca de 25 milhões de USD em 2008 e 35 milhões em 2009. A quase totalidade foram pagos ao Vietname, o grande fornecedor do produto a Timor Leste e um dos principais exportadores mundiais.
Finalmente, uma palavra para as exportações: a boa colheita de café registada em 2008 possibilitou que o país exportasse nesse ano cerca de 13 milhões de USD. Como, quanto ao café, a uma boa colheita se segue uma má (no ano seguinte), o valor global em 2009 baixou para 8,5 milhões.
Comparando os valores do comércio internacional de 2008 com o de 2009 podemos verificar que o saldo NEGATIVO do mesmo foi de 245 milhões de USD em 2008 e de 280 milhões em 2009.
O enorme desequilíbrio das contas externas (as exportações de 2009 foram apenas 3% das importações no mesmo ano) só é possível graças ao seu financiamento pelos recursos petrolíferos do país. O (ou, pelo menos, um dos) principal desafio que se coloca a Timor Leste é o de passar a ter uma produção e exportação próprias que o torne menos dependente das receitas da exploração do Mar de Timor.
quinta-feira, 3 de Junho de 2010
Comunicado do Conselho de Ministros com informações sobre o Orçamento Rectificado
in http://www.laohamutuk.org/econ/OR10/10OR2010.htmVer aqui e, numa versão também integral mas editada, abaixo:
Evolução dos preços entre Janeiro de 2009 e Março de 2010

sábado, 29 de Maio de 2010
Um banco de desenvolvimento para Timor Leste
Este facto dá, desde já e pelo menos aparentemente, um sinal sobre a principal linha de actuação do novo banco. De facto e segundo a webpage do banco indonésio (em inglês), a visão e principais missões deste são
"Vision
Bank Rakyat Indonesia’s vision is to become a leading commercial bank that always prioritizes customer satisfaction
Missions
To achieve the vision, BRI has decided on trhree missions that have to be undertaken, namely:
1.BRI provides the best banking operation by prioritizing services for Micro, Small, and Medium Businesses in order to support people’s economy [itálico acrescentado].
2. BRI offers sevices to customers through a network that are spread all over Indonesia and supported by professional human resources who implement the Good Corporate Governance practices
3. BRI creates values and produce optimal benefits to all stakeholders"
Isto, como dissemos, dá a entender que o objectivo principal do novo banco (controlado, no essencial, pelo Estado timorense) será o de apoiar as "micro, pequenas e médias empresas".
Desde que gerido de forma profissional e sem interferência política --- a não ser quanto às suas grandes linhas de orientação, como decorre do facto de ser um banco com forte intervenção do Estado ---, este pode ser um instrumento privilegiado de apoio ao desenvolvimento económico do país.
Será necessário, porém, estar bem alerta contra as tendências, muitas vezes existentes em outros quadrantes geográficos, para bancos deste tipo serem usados como instrumento do (mau) uso do poder político sobre a comunidade empresarial do país e, mesmo, serem geridos de forma desastrosa, sendo uma fonte a desperdício de recursos do Estado, visto na necessidade de o apoiar financeiramente para não o "deixar cair".
A participação de um banco estrangeiro na sua gestão pode ser vista quer sob o ponto de vista da necessidade de formar pessoal timorense na gestão de uma entidade bancária quer como um instrumento para dar ao banco a independência de decisão sobre projectos que deve ter.
Estes deverão ser financiados ou não em função dos seus méritos próprios (e para a economia nacional) e da sua rentabilidade e não em função dos "nomes" que estão por detrás deles, tornando-o numa forma indirecta de financiamento de alguns grupos económicos especialmente bem relacionados com o poder político.
Este pode ser um instrumento importante para conceder crédito a determinados projectos de maior interesse nacional assegundo-lhes, numa linha semelhante ao que foi feito pela Coreia do Sul durante o período da aceleraçãoo do seu crescimento, o acesso a crédito com taxas de juro binificadas, enquanto outros projectos ficavam sem crédito ou, pelo menos, sem crédito binificado.
É nesta luta por acesso a crédito mais barato que podem surgir atitudes de algum conluio entre decisores da banca e dos investimentos (privado).
Bem vindo "banco nacional de desenvolvimento"!...
sexta-feira, 21 de Maio de 2010
Última aula!...
Mas o que é que isto tem que ver com a economia de Timor Leste? É que
1) aproveitando o facto de se comemorar a data da restauração da Independência do país, resolvi falar com os alunos sobre a economia de Timor Leste, particularmente os quês e porquês da vantagem de o país continuar, pelo menos para já, a usar o dólar americano como moeda nacional; e
2) inspirado pela situação do país fiz algumas considerações gerais sobre uma linha de força que deve ser reforçada nas "políticas económicas e sociais de desenvolvimento" --- nome da disciplina do Mestrado em Desenvolvimento e Cooperação Internacional que lecciono e com que terminei a minha carreira docente oficial no ISEG --- da grande maioria dos países em desenvolvimento: a necessidade de reforçar o conjunto "políticas de desenvolvimento rural + políticas de desenvolvimento regional". Sem este reforço não vai ser fácil melhorar significativamente a situação da maior parte das pessoas, habitantes das zonas rurais.
Quanto ao tema específico de Timor Leste, trata-se de uma investigação que com uma colega tenho estado a fazer há algum tempo e que, no essencial, não encontra razões suficientemente fortes para alterar o actual statuo quo no país quanto à moeda corrente. Os perigos de alterar a situação pasando a emitir uma moeda nacional são bem maiores que as vantagens que poderiam, eventual mas não seguramente, advir po se passar a ter uma moeda emitida pelo banco central do país.
E assim, conversando sobre coisas sérias, cheguei às 19h25m de 19 de Maio de 2010... Ora oficial de encerramento da última aula...
quinta-feira, 13 de Maio de 2010
Turismo e "nova" arquitectura em Dili
O que me deixou "estarrecido" foi o completo desrespeito --- "esmagadoramente" maior no primeiro caso que no segundo, é certo --- pela arquitectura inicial das habitações. No caso da de Dili não é só desrespeito pela arquitectura de uma determinada casa mas sim pela de todo um conjunto arquitectonicamente (mais ou menos) homogéneo como é o Bairro.
Claro que não falo como especialista da área, que manifestamente não sou, mas sim a dois outros títulos: primeiro, como pessoa com alguma sensibilidade "proto-artística" --- que raio de palavra fui inventar agora mesmo?!... --- provavelmente herdado, por linha materna, de pelo menos 2 ou 3 gerações de artistas; segundo e no caso principalmente, como economista.
Eu "expilico"...
Independentemente do que venha a ser o futuro da economia de Timor Leste, todos concordam que nele se inclui, em lugar cimeiro, o turismo.
Ora, turismo não são só, mesmo na região em que se insere o país, praias, pôr-do-sol de tirar a respiração, "tais", artesanato de "prata timorense", montanhas, ver o nascer do sol no Ramelau, a praia de Baucau, etc.
Turismo é também o património cultural e o património arquitectónico. Ora, é sabido que devido às vicissitudes da História do país, este último não é, em Timor, muito rico. As principais peças são de origem portuguesa já que a ocupação indonésia deixou poucas obras dignas de registo, tendo muitas delas sido destruídas na loucura de 1999 ao abrigo da política de "fomos nós que construímos e por isso fazemos delas o que quisermos". E quiseram queimar...
Creio que se Timor quiser desenvolver o seu turismo tem de preservar a sua própria "memória histórica" construída. E essa, quer queiramos quer não, é de traça portuguesa. Diria exactamente a mesma coisa se a origem fosse diferente (por exemplo, acho lamentável que o templo balinês de Taibessi --- quantos o conhecem?!... --- esteja mais ou menos votado ao abandono. Quem lhe acode?).
Assim sendo, tudo o que seja desvirtuar essa herança é um atentado não só contra a História passada do país --- goste-se dela ou não ela foi a que foi --- mas principalmente CONTRA O FUTURO DO PAÍS!
Ponham os olhos em Macau. Ponham os olhos em Singapura. A cidade-estado do Sudeste asiático podia ter optado por destruir a "Little India" e a Chinatown para construir arranhacéus ou, até, simpelsmente para edificar construções mais modernas.
Macau, mesmo já sob a administração chinesa, tudo tem feito para preservar a herança arquitectónica portuguesa quer do centro da cidade e do Tap Seac quer da ilha da Taipa (as conhecidas casas de arquitectura colonial portuguesa da Vila da Taipa).
E porquê? Porque em ambos os casos as autoridades sabem que a preservação do património histórico e de um certo "ambiente" do passado é das coisas que melhor se "vende" em termos de turismo!
Até em Goa: a cidade de Pangim, nomeadamente na zona central e mais antiga da cidade, foi preservada --- por acaso é pena não ser um bocadinho recuperada mantendo o traço arquitectónico local, nomeadamente nas Fontainhas --- porque sabem que isso é essencial para manter a atmosfera "europeia" da cidade. Goa é o destino preferido de muitos indianos, nomeadamente dos que, não podendo vir de lua de mel à Europa-a-sério, vão ver o que de mais parecido têm dentro de portas.
Por isso me dói a alma ao ver os atentados arquitectónicos que se estão a fazer em Dili (e, em muito menor escala, em Maubara) EM RELAÇÃO AO FUTURO (tanto ou mais que em relação ao passado).
Não há por aí alguém que mande "parar, escutar e olhar" e evitar a deformação de um ambiente arquitectónico tão característico como é o do conjunto do Bairro do Farol (que deve ser visto como uma entidade única e não como um mero amontoado de casas) e de algumas das construções mais típicas do país, de que a residência do antigo administrador de Maubara é um exemplo? Só falta "deitarem a mão" à residência do administrador de Liquiçá, peça ímpar no contexto do país, e rodeá-la de muros altos e acrescentarem-lhe uns poucos anexos com telhado de zinco... E porque não, também, uma galeria envidraçada à volta...
Se quiserem não pensem no passado mas, por favor, não deitem fora, agora, o futuro! Respeitem a traça original do vosso património construído, timorenses! Só vão lucrar com isso!
"Pelo sonho é que vamos!"
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos
Assim reza a primeira estrofe do poema "O sonho" do poeta da "Serra-Mãe", a Arrábida, o meu "vizinho" Sebastião da Gama.
Mas a que propósito me lembrei da expressão "pelo sonho é que vamos"?
Ela surgiu-me ao ler muitas das previsões do Plano Estratégico de Desenvolvimento recentemente apresentado, ainda nas suas linhas gerais, pelo actual Governo de Timor Leste.
Ela surgiu-me, paticularmente, ao ler a parte sobre a evolução prevista para a produtividade da agricultura até 2016. No texto do draft do Plano divulgado pela La'o Hamutuk figura, na página 2-17, um gráfico sobre da referida produtividade em USD por agricultor ao longo do período 2001 a 2016. Até 2009 trata-se, naturalmente, dos dados observados efectivamente e de 2010 até 2016 trata-se de projecções dos planificadores.
Os números são, no essencial, os seguintes: em 2002 o rendimento dos agricultores terá sido de 228 USD/agricultor, em 2010 estima-se que venha a ser de 265 USD per capita e a estimativa é de que em 2016 seja de 703 USD por agricultor.

Isto é: entre 2002 e 2010 a taxa de crescimento médio anual foi de 1,9%/ano mas prevê-se que nos 6 anos até 2016 ela passe deste valor para 17,7%/ano. Uma taxa 9,3 vezes maior! E isto partindo da base que todos conhecemos e que também é reconhecida pelo Plano: o de uma agricultura familiar de subsistência. Huuummmmm!... Não será sonhar demasiado alto?
Na sua análise preliminar ao Plano a La'o Hamutuk diz (e bem):
"La'o Hamutuk agrees that Timor-Leste's leaders should project an optimistic vision for this nation's future. However, that vision, especially when it is described by a national plan offered as a "Bible" for current and future governments, needs to be grounded in reality. If we confuse analysis with public relations, future generations will suffer from broken promises, built on sand."
Eu não diria melhor!
Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos



