Falámos ontem aqui de um fenómeno que caracteriza muitos processos de desenvolvimento: o "urban bias", traduzível por "enviesamento pró-urbano".
Enviesamento da política, da política económica e não só. Significa ele, como facilmente se deduz do nome, que ao longo do processo de desenvolvimento há a tendência a os benefícios para as zonas urbanas crescerem muito mais rapidamente do que os das zonas rurais.
Este enviesamento está também presente em Timor Leste e manifesta-se de diversas formas que não vale a pena especificar aqui e agora. É um processo, em parte, "natural", para o qual a política (económica e não só) tem de estar muito atento para o contrariar e não deixar que o fosso cidade-campo aumente exageradamente, contribuindo para que parte da população rural "desça" para a cidade capital.
Uma forma visível desse enviesamento é a evolução dos preços dos produtos agrícolas comparada com a dos preços não agrícolas e com os preços em geral.
Por exemplo, o IPC (Índice de Preços no Consumidor) no fim de 2009 era de 149,2 (Dez2001=100). Isto quer dizer que o custo da 'mostarda verde', que era de 40 centavos em Dezembro de 2001, deveria ser, em fins de 2009 e para manter o mesmo valor real daquele mês, de cerca de 0,6 USD (60 cêntimos = 1,492 * 40 ¢) e não exactamente os mesmos 40 centavos de 8 anos antes!
No mesmo sentido, o preço do vulgar "cancun", deveria ser 67 centavos e não 50, o seu preço em DEZ09 --- apenas mais 5 centavos que 8 anos antes.
Estes valores dão ideia da enorme perda de poder de compra dos respectivos produtores ao longo dos anos. O caso mais flagrante é do do repolho, cujo preço deveria ser actualmente de cerca de 90 cêntimos e é 1/3 disto.
Esta enorme rigidez dos preços de muitos produtos agrícolas deve ter várias explicações, umas eventualmente mais complexas que outras. Vou continuar a "matutar" no assunto... :-) Alguém quer "matutar" comigo?
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sexta-feira, 17 de setembro de 2010
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