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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Evolução do crédito e dos depósitos no sistema bancário de Timor Leste

As estatísticas monetárias publicadas pela Autoridade Bancária e de Pagamentos são uma das principais fontes de dados de interesse sobre a economia do país, particularmente sobre o seu circuito monetário/financeiro.
Pela consulta das mesmas se pode verificar que desde meados de 2007 que os depósitos no sistema bancário do país têm vindo a crescer significativamente, tendo no ano de 2010 aumentado cerca de 12%: dos quase 260 milhões USD para os 292 milhões.

Por outro lado, o crédito ao sector privado (recorde-se que NÃO há em Timor crédito ao sector público pelo que a dívida deste é "0" --- zero!) tem mantido uma grande estabilidade ao longo do tempo, andando, em média, em torno dos 100 milhões de USD.
Se esta é uma tendência de longo prazo, a verdade é que no último ano ele cresceu cerca de 10 milhões de USD, cerca de 10% do total.

Temos, pois, que um dos "problemas" do nosso sistema bancário é, ao contrário do que se passa noutras paragens, um excesso de liquidez que não consegue ser absorvido pelos empréstimos concedidos, fazendo com que o stock de depósitos seja sensivelmente o triplo do do crédito.
Este "problema" estrutural significa, principalmente, que a economia não está em condições de utilizar produtivamente uma parte muito importante dos recursos de que dispõe. Isto deve-se a muitos factores mas para nós é evidente que, para além de alguns de natureza económica, os mais importantes são, pelo menos nesta fase, de natureza institucional. Estes, que não são necessariamente fáceis de resolver, são, no entanto, susceptíveis de serem minimizados de forma importante. Assim haja "o engenho e a arte" por parte dos legisladores para "deitarem abaixo" alguns dos "muros" que se levantam, nomeadamente quanto ao uso de garantias reais para os empréstimos e ao funcionamento do sistema de administração da justiça.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Estatísticas monetárias de 2008: alguns elementos estatísticos

A Autoridade Bancária e de Pagamentos de Timor-Leste (ABP) disponibiliza mensalmente as estatísticas monetárias do país. Delas consta a evolução mensal de vários dos agregados monetários mais comuns.
No gráfico abaixo representa-se a evolução de quatro desses agregados: as "disponibilidades líquidas sobre o exterior" (grosso modo os recursos financeiros de entidades com sede em Timor Leste depositados no estrangeiro), as "disponibilidade líquidas do Governo central" no sistema bancário do país --- principalmente no banco central, a própria ABP ---, os depósitos de particulares nos bancos comerciais e o volume de crédito ao sector privado concedido pela banca comercial (o Estado timorense não tem dívida pública interna ou externa).

Como se pode verificar as curvas representadas "casam" duas a duas.
A das disponibilidades líquidas sobre o exterior tem um comportamento ascendente a partir de meados do ano e, durante todo o ano, paralelo ao das disponibilidades líquidas do Governo Central. Isto porque elas correspondem essencialmente a depósitos da ABP no estrangeiro para garantir alguma rentabilidade dos recursos que o Governo tem nela depositados.
Uma alternativa (parcial) seria depositar parte destes recursos na banca comercial do país mas isso iria "encharcá-la" (ainda mais) de dinheiro. Como estes têm, eles próprios, acesso a depósitos do sector privado muito maiores do que os necessários ao financiamento dos empréstimos que concedem tenderiam usar esse excesso de liquidez para o depositarem no exterior.

O comportamento ao longo do tempo dos empréstimos também está representado no gráfico, sendo notória a grande estabilidade que eles conheceram no seu montante global.
Tal estabilidade, num país em desenvolvimento, não é bom sinal e traduz, aparentemente, uma atitude de "wait and see" por parte dos investidores e/ou uma atitude mais prudente por parte da banca na concessão de empréstimos --- não esquecer que os bancos que normalmente concedem crédito atravessaram um período difícil em 2006 e 2007 e estarão a tentar recompor-se dos níveis elevados de crédito mal-parado que têm nos seus activos.


Finalmente, saliente-se, no gráfico acima, que o segundo trimestre foi um período de elevado crescimento dos depósitos. É provável que o facto de estes terem sido meses de pagamento de muitas das indemnizações a vários grupos sociais do país tenha algo a ver com esta evolução.